sábado, 5 de abril de 2014

ARTE ABSTRATA♥

ARTE ABSTRATA
Os pensamentos levam a mão do artista a produzirem o real dentro do irreal.


ABSTRACIONISMO


A arte abstrata tende a suprimir toda a relação entre a realidade e o quadro, entre as linhas e os planos, as cores e a significação que esses elementos podem sugerir ao espírito. Quando a significação de um quadro depende essencialmente da cor e da forma, quando o pintor rompe os últimos laços que ligam a sua obra à realidade visível, ela passa a ser abstrata.

O Abstracionismo apresenta várias fases, desde a mais sensível até a intelectualidade máxima.

Abstracionismo Sensível ou Informal, predominam os sentimentos e emoções. As cores e as formas são criadas livremente. Na Alemanha surge o movimento denominado "Der blaue Reiter" (O Cavaleiro Azul) cujos fundadores são os Kandinsky, Franz Marc entre outros.
Uma arte abstrata, que coloca na cor e forma a sua expressividade maior. Estes artistas se aprofundam em pesquisas cromáticas, conseguindo variações espaciais e formais na pintura, através das tonalidades e matizes obtidos. Eles querem um expressionismo abstrato, sensível e emotivo.
Com a forma, a cor e alinha, o artista é livre para expressar seus sentimentos interiores, sem relacioná-los a lembrança do mundo exterior. Estes elementos da composição devem Ter uma unidade e harmonia, tal qual uma obra musical.
Principais Artistas:

FRANZ MARC (1880-1916), pintor alemão, apaixonado pela arte dos povos primitivos, das crianças e dos doentes mentais, o pintor alemão Marc escolheu como temas favoritos os estudos sobre animais, conheceu Kandinski, sob a influência deste, convenceu-se de que a essência dos seres se revela na abstração. A admiração pelos futuristas italianos imprimiram nova dinâmica à obra de Marc, que passou a empregar formas e massas de cores brilhantes próprias da pintura cubista.
Os nazistas destruíram várias de suas obras. As que restaram estão conservadas no Museu de Belas-Artes de Liège, no Kunstmuseum, em Basiléia, na Städtische Galarie im Lembachhaus, em Munique, no Walker Art Center, em Minneapolis, e no Guggenheim Museum, em Nova York.

WASSILY KANDINSKY
(1866-1944), pintor russo, antes do abstracionismo participou de vários movimentos artísticos como impressionismo também atravessou uma curta fase fauve e expressionista. Escreveu livros, como em 1911, Sobre o espiritual na arte, em que procurou apontar correspondências simbólicas entre os impulsos interiores e a linguagem das formas e cores, e em 1926, Do ponto e da linha até a superfície, explicação mais técnica da construção e inventividade da sua arte. Dezenas de suas obras foram confiscadas pelos nazistas e várias delas expostas na mostra de "Arte Degenerada".
Tachismo (de tache = mancha). Formado por manchas coloridas colocadas lado a lado em um certo parâmetro ou limite, no mínimo o braço do artista. Também existe um tipo de abstrato informal formado por manchas, porém, elas não possuem parâmetro definido pelo braço do artista como no Tachismo. São manchas criadas impulsivamente com toda a liberdade ou efusão emocional do artista.
Grafismo é todo abstracionismo formado por uma grafia não cognificada.
Orfismo tem ligação com a música. Principal artista: Sonia Delaunay.
Raionismo formado por raios, estanques, deslizes e riscos com luminosidade. Principal artista: Larionov/Gontcharova
Abstracionismo Geométrico ou Formal, as formas e as cores devem ser organizadas de tal maneira que a composição resultante seja apenas a expressão de uma concepção geométrica.
Neoplasticismo, seu criador e princiapl teórico  foi Piet Mondrian. Onde as cores e as formas são organizadas de maneira que a composição resulte apenas na expressão de uma concepção geométrica. Resulta às linhas verticais e horizontais e às cores puras (vermelho, azul e amarelo). O ângulo reto é o símbolo do movimento, sendo rigorosamente aplicado à arquitetura.


Principais Artistas:

PIET MONDRIAN (1872-1944), pintor holandês. Depois de haver participado da arte cubista, continua simplificando suas formas até conseguir um resultado, baseado nas proporções matemáticas ideais, entre as relações formais de um espaço estudado.
O artista utiliza, como elemento de base, uma superfície plana, retangular e as três cores primárias com um pouco de preto e branco. Essas superfícies coloridas são distribuídas e justapostas buscando uma arte pura.
Segundo Mondrian, cada coisa, seja uma casa, seja uma árvore ou uma paisagem, possui uma essência que está por tráz de sua aparência. E as coisas, em sua essência, estão em harmonia no universo. O papel do artista, para ele, seria revelar essa essência oculta e essa harmonia universal.
Ele procura, pesquisa e consegue um equilíbrio perfeito da composição, despojado de todo excesso da cor, da linha ou da forma.
Em 1940 Mondrian foi para Nova York, onde realizou a última fase de sua obra: desapareceram as barras negras e o quadro ficou dividido em múltiplos retângulos de cores vivas. É a série dos quadros boogie-woogie.
Suprematismo, é uma pintura com base nas formas geométricas planas, sem qualquer preocupação de representação. Os elementos principais são: retângulo, círculo, triângulo e a cruz. O manifesto do Suprematismo, assinado por Malevitch e
Maiakovski, poeta russo, foi um dos principais integrantes do movimento futurista em seu país, defendia a supremacia da sensibilidade sobre o próprio objeto.
Mais racional que as obras abstratas de Kandisky e Paul Klee, reduz as formas, à pureza geométrica do quadrado.
Suas características são rígidas e se baseiam nas relações formais e perceptivas entre a forma e a cor. Pesquisa os efeitos perceptivos do quadrado negro sobre o campo branco, nas variações ambíguas de fundo e forma.

KAZIMIR MALEVITCH (1878-1935), pintor russo. Fundador da corrente suprematista, que levou o abstracionismo geométrico à simplicidade extrema. Foi o primeiro artista a usar elementos geométricos abstratos. Procurou sempre elaborar composições puras e cerebrais, destituídas de toda sensualidade. O "Quadro negro sobre fundo branco" constituiu uma ruptura radical com a arte da época. Pintado entre 1913 e 1915, compõe-se apenas de dois quadrados, um dentro do outro, com os lados paralelos aos da tela. A problemática dessa composição seria novamente abordada no "Quadro branco sobre fundo branco" (1918), hoje no Museu de Arte Moderna de Nova York. Dizia que as aparências exteriores da natureza não tinham para ele nenhum interesse, o essencial era a sensibilidade, livre das impurezas que envolviam a representação do objeto, mais do que isso, que envolviam a própria percepção do objeto. Os elementos de estética suprematista eram o retângulo, o círculo, o quadrado e a cruz, os quais na pintura de Malevitch, denominda pelo espiritual, adquirem um significado próximo do sagrado.
Action Painting ou pintura de ação gestual, criada por Jackson Pollock nos anos de 1947 a 1950 faz parte da Arte Abstrata Americana. Em 1937, fundou-se nos Estados Unidos, a Sociedade dos Artistas Abstratos. O abstracionismo cresce e se desenvolve nas Américas, chegando à criação de um estilo original.

Características da Pintura:
· Compreensão da pintura como meio de emoções intensas.
· Execução cheia de violenta agressividade, espontaneidade e automatismo.
· Destruição dos meios tradicionais de execução - pincéis, trincha, espátulas, etc.
· Técnica: pintura direta na parede ou no chão, em telas enormes, utilizando tinta à óleo, pasta espessa de areia, vidro moído.

JACKSON POLLOCK (1912-1956), pintor americano, introduziu nova modalidade na técnica, gotejando (dripping) as tintas que escorrem de recipientes furados intencionalmente, numa execução veloz, com gestos bruscos e impetuosos, borrifando, manchando, pintando a superfície escolhida com resultados extraordinários e fantásticos, algumas vezes realizada diante do público. Desenvolveu pesquisas sobre pintura aromática. Nos últimos trabalhos nessa linha, o artista usou materiais como pregos, conchas e pedaços de tela, misturavam-se às camadas de tinta para dar relevo à textura. Usou freqüentemente tintas industriais, muitas delas usadas na pintura de automóveis.
www.historiadaarte.com.br
O que é Arte Abstrata?
André C S Masini

A arte abstrata, também chamada de "arte não-representacional" ou " não-figurativa" é a arte (pintura, escultura, gravura, arte gráfica, arte digital, ou outras técnicas) em que não há reprodução ou representação de imagens do mundo visível. Para se distinguir esse movimento de outros do mesmo período, deve-se tomar o cuidado para não confundir o mero "distanciamento das aparências" com a criação de arte sem nenhuma conexão com o mundo visível. "Distanciamento das aparências" já era uma forte tendência em muitos dos principais movimentos artísticos modernos no início do século XX: entre eles o Fauvismo, o Expressionismo o Cubismo e o Futurismo; algumas obras desses movimentos chegaram a distanciar-se de tal forma da aparência natural das coisas, que nelas essas coisas tornavam-se praticamente irreconhecíveis, porém, ainda assim, eram obras que representavam algo visível.
Na arte abstrata, ao contrário, o artista se expressa através de formas, cores, texturas e ritmo inteiramente livres de qualquer influência de objetos da realidade. Não tenta representar a imagem de nada.
O início do movimento abstrato é geralmente atribuído a Wassily Kandinsky, que por volta de 1910 passou a pintar quadros puramente abstratos, mas houve outros artistas que adotaram esse rumo, entre eles Robert Delaunay, Kazimir Malevich e Vladimir Tatlin.
Definição

Em sentido amplo, abstracionismo refere-se às formas de arte não regidas pela figuração e  pela imitação do mundo. Em acepção específica, o termo liga-se às vanguardas européias das décadas de 1910 e 1920, que recusam a representação ilusionista da natureza. A decomposição da figura, a simplificação da forma, os novos usos da cor, o descarte da perspectiva e das técnicas de modelagem e a rejeição dos jogos convencionais de sombra e luz, aparecem como traços recorrentes das diferentes orientações abrigadas sob esse rótulo. Inúmeros movimentos e artistas aderem à abstração, que se torna, a partir da década de 1930, um dos eixos centrais da produção artística no século XX.
É possível notar duas vertentes a organizar a ampla gama de direções assumidas pela arte abstrata. A primeira, inclinada ao percurso da emoção, ao ritmo da cor e à expressão de impulsos individuais, encontra suas matrizes no expressionismo e no fauvismo. A segunda, mais afinada com os fundamentos racionalistas das composições cubistas, o rigor matemático e a depuração da forma, aparece descrita como abstração geométrica. As vanguardas russas exemplificam as duas vertentes: Wassili Kandinsky (1866 - 1944), representante da primeira, é considerado pioneiro na realização de pinturas não-figurativas com Primeira Aquarela Abstrata (1910) e a série Improvisações (1909/1914). Seu movimento em direção à abstração inspira-se na música e na defesa de uma orientação espiritual da arte, apoiada na teosofia. Em torno de Kandinsky e Franz Mac (1880 - 1916) organiza-se, na Alemanha, o Der Blaue Reiter [O Cavaleiro Azul], 1911, grupo do qual participam August Macke (1887 - 1914) e Paul Klee (1879 - 1940), e se aproximam as pesquisas abstratas de Robert Delaunay (1885 - 1941) e o simbolismo místico do checo radicado em Paris Frantisek Kupka (1871 - 1957).
Kasimir Malevich (1878 - 1935) é um dos maiores expoentes da arte abstrata geométrica. No bojo do suprematismo, 1915, defende uma arte comprometida com a pesquisa metódica da estrutura da imagem. A geometria suprematista se apresenta nos célebres Quadrado Preto Suprematista (1914/1915) e Quadrado Branco sobre Fundo Branco (1918). A obra de Malevitch tem impacto sobre o construtivismo de Alexander Rodchenko (1891 - 1956) - ver Negro sobre Negro (1918) - e o realismo dos irmãos A. Pevsner (1886 - 1962) e N. Gabo (1890 - 1977). O neoplasticismo de Piet Mondrian e Theo van Doesburg indica outra tendência da abstração geométrica. O movimento se organiza em torno da revista De Stijl [O Estilo], 1917, e tem o propósito de encontrar nova forma de expressão plástica, liberta de sugestões representativas. As composições se articulam com base em elementos mínimos: a linha reta, o retângulo e as cores primárias - azul, vermelha e amarela -, além da preta, branca e cinza. As idéias estéticas defendidas em De Stijl reverberam nos grupos Cercle et Carré (1930) e Abstraction-Création (1931), na França, e no Circle (1937), na Inglaterra.
Depois da Segunda Guerra Mundial (1939-1945), a Europa e os Estados Unidos assistem a desdobramentos da pesquisa abstrata. O tachismo europeu, também associado à abstração lírica, apresenta-se como tentativa de superação da forma pela ultrapassagem dos conteúdos realistas e dos formalismos geométricos. Os trabalhos de Hans Hartung (1904) e Pierre Soulages (1919) apóiam-se sobretudo no gesto, enquanto nas obras de Jean Fautrier (1898 - 1964) e  Jean Dubuffet (1901 - 1985) - e nos trabalhos de Alberto Burri (1915) e Antoni Tàpies (1923) - a pesquisa incide preferencialmente sobre a matéria. Nos Estados Unidos, a abstração ganha força com o expressionismo abstrato de Jackson Pollock (1912 - 1956) e Willem de Kooning (1904 - 1997) - que descarta tanto a noção de composição, cara à abstração geométrica, quanto a abstração lírica -, as grandes extensões de cor não modulada de Barnett Newman (1905 - 1970) e Mark Rotkho (1903 - 1970) e a pintura com cores planas e contornos marcados de Ellsworth Kelly (1923) e Kenneth Noland (1924). O minimalismo de Donald Judd (1928), Ronald Bladen (1918 - 1988) e Tony Smith (1912 - 1980) - tributário de uma vertente da arte abstrata norte-americana que remonta a Ad Reinhardt (1913 - 1967), Jasper Johns (1930) e Frank Stella (1936) - retoma as pesquisas geométricas na contramão da exuberância romântica do expressionismo abstrato.
No Brasil, as obras de Manabu Mabe (1924 - 1997) e Tomie Ohtake (1913) aproximam-se do abstracionismo lírico, que tem adesão de Cicero Dias (1907 - 2003) e Antonio Bandeira (1922 - 1967). Nos anos 80, observa-se uma apropriação tardia da obra de Kooning na produção de Jorge Guinle (1947 - 1987). O pós-minimalismo, por sua vez, ressoa em obras de Carlos Fajardo (1941), José Resende (1945) e Ana Maria Tavares (1958). Em termos de abstração geométrica, são mencionados os artistas reunidos no movimento concreto de São Paulo (Grupo Ruptura) e do Rio de Janeiro (Grupo Frente) e no neoconcretismo.
www.itaucultural.org.br

 O ABSTRACIONISMO
O abstracionismo é uma das mais discutidas escolas da pintura moderna.
Uma pintura abstrata pode ser definida como aquela cujas formas e cores não possuem relação direta com as formas e cores das imagens da realidade visual, em outras palavras, nada representam, nada descrevem ou narram figurativamente. Nada representar da realidade visual é a condição fundamental da pintura abstrata, porque certos pintores abstratos partem, algumas vezes, das formas visuais da realidade para chegar a formas e cores, visualmente inexistentes e, portanto, abstratas.
Apesar das restrições e estranhezas que provocou, o abstracionismo não é novidade absoluta na história da pintura. No passado, mais de uma vez, ocorreram formas e cores abstratas, desligadas completamente das realidades visuais. As primeiras manifestações, neste sentido, apareceram ainda na Pré-História, segundo estudiosos, entre os artistas da idade da pedra polida. Animados de intenções decorativas, negavam ou se abstraíam do verismo visual, nas representação as imagens do mundo exterior. Durante a Idade Média, como na alta antigüidade oriental, a representação da natureza foi artisticamente ignorada. Embora figurativa, a pintura medieval - cristã primitiva, bizantina romântica e gótica primitiva - foi em essência abstrata, porque não se inspirava nas realidades da natureza, mas nas abstrações da crença religiosa. Numerosas seitas muçulmanas, por exemplo, recusam a representação figurativa da realidade, substituindo-a por desenhos ornamentais caprichosos, os chamados arabescos, ainda que em obediência às prescrições religiosas impostas por Maomé. Seria longo tratar mais detidamente das manifestações de abstracionismo no passado, nas artes eruditas e primitivas.
Os historiadores e críticos da arte moderna concordam em atribuir as primeiras pesquisas e realizações abstratas na pintura moderna ao russo Vassily Kandinsky (1866-1944), anteriormente figurativo de tendência fauvista. Para que se possa conversar melhor sobre abstracionismo nas artes plásticas, em geral, e na pintura, em particular, será preciso esclarecer bem a significação de dois termos bastante usados pelos escritores e críticos de marte moderna - conteúdo e forma.


Conteúdo e Forma

No vocábulo de pintura, o conteúdo é aquilo que o pintor representa - uma paisagem, uma figura humana ou animal, uma cena ou episódio qualquer, religioso o profano, passado ou atual, flores, frutas, objetos, etc., quando a composição passa a se chamar natureza-morta. Forma é a maneira como o pintor utiliza os seus meios expressivos, isto é, as linhas e as cores, com maior ou menor talento, mesmo sem nenhum, para representar o conteúdo. Quando se diz forma, no entanto, não se quer dizer a habilidade manual e a rapidez na execução, como num retrato que de tão bem feito e parecido só falta falar. Essa habilidade manual de fazer bem e depressa se chama pejorativamente virtuosismo ou maneirismo. No nosso caso, forma significa a carga expressiva, complexa e verdadeiramente subconsciente ou subliminar, que o artista confere às suas linhas e cores. Nesse sentido, a forma de Van Gogh, por exemplo, profundamente original, possui fascinante poder expressivo, inclusive nas próprias pinceladas impulsivas, que se sucedem em mágicos movimentos ondulatórios, com os quais nos fala eloqüentemente de seus ardentes e doloridos sentimentos.


Kandinsky e o Abstracionismo

O próprio Kandinsky conta, com simplicidade, como chegou à pintura abstrata. Entrando certa vez no atelier deu de olhos num quadro de sua autoria, colocando de tal maneira que não percebeu de imediato o conteúdo, isto é, aquilo que o quadro figurativamente representava. Percebeu apenas a forma, entendida, no caso, como as linhas e cores, sem representação figurativa. Sem nada representarem figurativamente, as cores e linhas do quadro lhe pareceram dotadas de particular e intensa beleza. Corrigindo a posição do quadro e percebendo agora o conteúdo, verificou que as linhas e cores perdiam a particular e intensa beleza. Corrigindo a posição do quadro e percebendo agora o conteúdo, verificou que as linhas e as cores perdiam a particular e intensa beleza, que antes possuíam, quando livres de qualquer representação figurativa.
Esse fato banal intrigou Kandinsky, estudioso de teosofia e inclinado às especulações do conhecimento supra sensível. A propósito, fez inteligentes observações reunidas em livro - O Espiritual na Arte. Observou, entre outras coisas, que uma forma e uma cor vermelha, sem qualquer representação das realidades visuais, isto é, sem conteúdo, podem nos despertar ou comunicar as mesmas sensações e sentimentos quando reproduzem o telhado de uma casa, a saia de uma camponesa ou o manto de um antigo soldado romano. Podem nos sugerir sentimentos de calma ou de agitação, energia ou brandura, movimento ou imobilidade, etc., com a mesma eloqüência das formas figurativas.
Para nos comunicar a sensação ou idéia de frio, será necessário representar uma paisagem européia de inverno, ou poderá o pintor com linhas e cores, que nada representam figurativa ou realisticamente, nos despertar a mesma sensação ou idéia de frio? Claro que pode, pois no caso não representará, mas expressará o frio. Todos sabemos das diferenças entre representar e expressar. Lembremo-nos dos futuristas - não queriam representar um cavalo galopando, mas, por meio de retas e curvas, cores e luzes, expressar a velocidade do galope do cavalo.
Observou ainda Kandinsky que as formas e cores abstratas se dirigem mais à nossa percepção sensível do que à nossa percepção intelectual. Desse modo, mesmo um analfabeto pode sentir e não entender uma pintura abstrata, pois ali nada existe para 'entender' no sentido comum desta palavra. Desta forma, sentida por todas as pessoas, independentemente de seus níveis culturais, dizia Kandinsky ser a pintura abstrata linguagem por excelência universal de comunicação. Finalmente, Kandinsky observou que a pintura abstrata, nos desperta sentimentos, reações e associações de idéias mais livres, variadas e múltiplas. Diante de uma quadro abstrato, a sensibilidade de cada um reage com liberdade, à sua maneira, peculiar, ao passo que na pintura figurativa a sensibilidade fica presa ou dirigida pelo que está realisticamente representado.
Foram ainda numerosas as observações de Kandinsky. As suas pesquisas passaram a despertar, sem demora, o interesse de outros artistas, inclusive escultores. Em breve tempo, o abstracionismo dominava na pintura contemporânea. Constitui-se em numerosa e diversificada escola. A sua difusão coincidia, aliás, com as novas concepções energéticas da matéria. Na opinião de muitos estudiosos, o abstracionismo na pintura apenas antecipava os progressos atuais da ciência e da técnica no conhecimento e interpretação de novos estados da matéria, considerada, em última instância simples energia sem vibração. Na sua rápida difusão, dividiu-se em duas tendências características: o abstracionismo informal e o abstracionismo geométrico.


O Abstracionismo Informal

No abstracionismo informal, as formas e cores são criadas impulsivamente, no livre curso da emoção, com absoluto predomínio do sentimento. Em contato com o real ou com a natureza, o pintor informal abstrato expressa uma emoção em lugar de representar uma imagem criada ou composta intelectualmente.
Muitos abstratos, aliás, pintam abstratamente diante da natureza. Apenas evitam imitar, copiar, descrever aspectos da natureza. Procuram, ao contrário, sugerir, evocar, aludir, fixando impressões gerais ou particulares de ritmos da natureza.
Para alguns autores, o abstracionismo informal seria uma revolta do espírito contra a precisão mecânica da vida moderna, contra o culto do racionalismo e da exatidão da civilização industrial. Seria uma espécie de romantismo moderno. Alguns abstratos puros entendem que, embora não partindo ou não se inspirando na natureza, o artista pode encontrá-la, quando expressa e comunica ritmos de vitalidade. Em defesa do abstracionismo informal também se alega que o quadro figurativo reproduz o mundo exterior; o quadro abstrato, o mundo interior do artista - as linhas e cores adquirem virtudes poéticas, verdadeiramente musicais, porque não representam as qualidades materiais da realidade física, mas as realidades do mundo psíquico do artista.
Quando assume feições luminosas, obtidas por meio de tonalidades delicadas e feéricas, o abstracionismo informal chama-se "abstracionismo lírico"; quando, porém, o sentimento se exaspera e dramatiza, através de tonalidades carregadas, intensas e violentas, chama-se "abstracionismo expressionista".
Os melhores exemplos de abstracionismo informal se encontram em grande parte das obras do próprio Kandinsky, que mais tarde teria uma fase geométrica.


O Abstracionismo Geométrico

No abstracionismo geométrico, as formas e as cores estão submetidas à disciplina geométrica.
Em lugar de expressar estados emocionais, os abstratos geométricos expressam estados ou valores intelectuais. As obras mais rigorosamente representativas dessa tendência são as do holandês Piet Mondrian, criador do neoplasticismo ou concretismo. Segundo estudiosos, enquanto o abstracionismo informal significa, por sua impulsividade e emocionalismo, rebelião contra a precisão e rigor lógico dos processos mecânicos da civilização industrial, o abstracionismo geométrico significaria, de modo especial nas formas do neoplasticismo de Mondrian, a sublimação da nova sensibilidade humana criada pela mecanização.
Nas duas tendências fundamentais, o abstracionismo apresenta subtendências. No informal, as mais importantes são o tachismo e o grafismo; no geométrico o neoplasticismo ou concretismo.


Tachismo

A denominação tachismo vem da palavra francesa tache (mancha). Foi criada em 1954 pelo crítico francês Pierre Gueguen. Inspirando-se nas manchas e erosões dos velhos muros, esses abstratos se expressam com pinceladas geralmente largas, verdadeiras manchas, com o mínimo de elementos gráficos ou linhas. Sob as sugestões dos surrealistas, criam num estado de verdadeiro automatismo psíquico. Obedecem, algumas vezes, à instantaneidade do movimento espontâneo e irrefletido da mão.


Grafismo

Os abstratos grafistas utilizam de preferência a linha ou elementos gráficos, num estado também de automatismo psíquico ou de impulsividade ainda mais acentuado. Inspiram-se na caligrafia abstrata dos japoneses e chineses.
Pela emoção extrema e execução veloz, realmente automática, o tachismo e o grafismo negam os valores intelectuais ou racionais inerentes às imagens figurativas representativas das realidades visuais.
O grafismo também tem sido considerado expressão das exasperantes tensões emocionais da vida moderna, mecanizada mas angustiada. Entre os norte-americanos, a grafismo assumiu formas peculiares, denominadas action-painting ou pintura de ação, designação criada em 1952 pelo crítico Harold Rosemberg. Nessa tendência, procuram traduzir não o automatismo psíquico da criação, mas sobretudo o próprio gesto ou ação de pintar. É chamada por isso mesmo também pintura do gesto ou gestual. Entre os mais conhecidos grafistas estão o norte-americano Jackson Pollock (1912 - 1956) e o francês Georges Mathieu (1921).
Entre os norte-americanos - Jackson Pollock, Willem de Kooning, Adolf Gotlieb, William Baziote, Grace Hartigan - a action painting adquiriu sugestões de força impetuosa, brutal mesmo, audácias insólitas de cor, juntamente com as dimensões gigantescas da tela. A execução se faz geralmente, com a tela imensa estendida no chão, com a técnica do dripping, criação de Pollock - tintas pingando ou escorrendo de recipientes perfurados - e novas tintas, não as tradicionalmente artísticas, mas as industriais, o duco, o verniz de alumínio e outros.


O Neoplasticismo ou Concretismo

É a mais completa e rigorosa expressão do abstracionismo geométrico. Foi criado pelo holandês Piet Mondrian (1872-1944), que se inspirou no cubismo, para chegar a formas retangulares de extrema simplicidade, ao mesmo tempo que empregava apenas as cores primárias e os brancos e cinzas claros como elementos luminosos.
Melhor dizendo, o neoplasticismo consiste em estabelecer relações de posição, dimensão e proporção tão simples e gerais, suscetíveis de serem aplicadas às demais artes, desde a arquitetura à paginação de um jornal. Tudo o quanto seja acessório e não essencial e universal é eliminado, inclusive a linha curva, que Mondrian considerava expressão do efêmero da vida orgânica. Mondrian quer, no entanto, que as relações de composição que estabelece possuam ou sugiram a vitalidade da própria natureza. Pesquisou e obteve, por outro lado, o equilíbrio a assimetria. Contrariou, desse modo, a velha convicção de ser possível o equilíbrio somente na simetria.
Impessoal por excelência, embora seu estilo seja inconfundível e inimitável como o de Van Gogh, sua antítese, sublimou plasticamente, com o seu espírito de lógica e de síntese, as nova sensibilidade humana criada pela mecanização.


Ingênuos e Primitivos

Os historiadores de arte deste século estabeleceram duas novas categorias estilísticas: os ingênuos e os primitivos.
Em geral, na conceituação dessas tendências ou escolas, se assim podemos chamá-las, e mesmo no uso de suas denominações, ocorreram impropriedades, muitas vezes observadas até em estudiosos de bom conceito. Um pintor ingênuo, naif em francês, se distingue fundamentalmente de um pintor primitivo. Enquanto o primeiro revela percepção intelectual e lógica, o segundo revela, ao contrário, percepção e interpretação mágica e ilógica, da natureza e do homem.


Os Ingênuos

Os ingênuos são autodidatas, isto é, sem formação ou aprendizado regular e sistematizado numa academia de arte ou sob a orientação de um mestre consagrado.
Geralmente são artistas amadores, não profissionalizados, por isso mesmo chamados pintores de domingo, animados por natural e irresistível necessidade de expressão. Na verdade, em última análise, desejam pintar como os mestres clássicos, que admiram e pretendem imitar. É conhecida a observação do popular ingênuo francês Henri Rousseau ao Picasso da fase cubista, por volta de 1910:
- Senhor Picasso, somos os dois maiores pintores modernos. O senhor, com seu estilo egípcio; eu, com meu estilo clássico!
Assim é que os ingênuos utilizam valores expressivos e recursos técnicos idênticos aos da pintura erudita. A visão ingênua e poética que possuem do mundo e as singularidades e limitações da técnica conferem, no entanto, às suas obras, peculiaridades expressivas e técnicas, dotadas de poderes especiais de sugestão. Em regra, amam sinceramente e são fiéis à realidade, mas o seu verismo consciencioso na interpretação da realidade, inclusive no gosto e cuidado da minúcia, acaba nos comunicando uma realidade irreal, resultado de pura invenção e fantasia, senão mesmo na melhor linha do melhor fantástico.
Aliás, como muito bem observou Marcel Brion, cada ingênuo cria a sua própria técnica, à força de paciência, observação e paixão. Algumas vezes, em originalidade e segurança, essa técnica se iguala às dos artistas do XIII século europeu, chamados primitivos, pertencentes justamente à fase em que a velha pintura românica popular, também ingênua, evoluía para a pintura gótica ainda mística, porém mais erudita e anunciadora, como sabemos, do racionalismo renascentista. Dessas identidades expressivas e técnicas resultaria, na opinião de vários autores, a designação e primitivos dada por extensão aos modernos ingênuos.
Como ainda observou Marcel Brion, os ingênuos são anacrônicos, no sentido de se manterem à margem das transformações e movimentos estéticos que se operam em torno, com inovações no modo de representar a realidade. Estão fora do tempo e do espaço. Por isso mesmo, não existem maiores diferenças entre um ingênuo do passado e um da atualidade, como entre um ingênuo alemão e um francês.
Não se deve confundir, porém, o autodidata talentoso como o ingênuo. Aquele adquire sabedoria ou erudição plástica, na composição do desenho e na cor. O segundo, embora aperfeiçoada a sua técnica, mantém-se inalterável no mesmo estado de graça, inocência e pureza. O brasileiro José Pancetti, por exemplo, nada possui de ingênuo, mas de autodidata excepcionalmente dotado, ao passo que outro brasileiro, Heitor do Prazeres, sempre manteve, ainda que apurando a técnica, as características de ingênuo.
Finalmente, na sua visão própria, o ingênuo revela os mesmos valores expressivos que caracterizam a pintura erudita, coisa que não acontece com o primitivo, como em seguida veremos. Esses valores foram assim sumariados por estudiosos:
1 - A forma humana é o elemento essencial.
2 - Respeito à imagem humana.
3 - Representação da realidade.
4 - Arte de volume, com três dimensões.
5 - Observação precisa e realista.
6 - Predominância da aparência.
7 - Predominância do senso ético.
8 - Racionalismo.


Os Primitivos

Ao contrário dos ingênuos, os primitivos revelam percepção mágica e ilógica do universo ou da realidade.
Já foi dito e repetido que o homem primitivo, com a sua mentalidade mágica, situa-se diante de um mundo penetrado de terror cósmico. Sua arte lhe servirá de amuleto e proteção contra forças e poderes ocultos, invisíveis e misteriosos, que o cerca e ameaçam. Na mentalidade primitiva, as relações entre a natureza e o homem não são ordenadas pelo pensamento lógico, mas pela crença na presença de potências e entidades maléficas, cujos poderes devem ser conjurados. Eis porque o artistas primitivo recusa o realismo visual para usar a deformação simbólica, senão a própria linguagem abstrata, isto é, signos e símbolos mágicos.
Porque não se identifica com a natureza não a representa nas aparências exteriores. Para o seu espírito, a natureza está povoada de ameaças. Esse temor na natureza, o terror cósmico de que já falamos, explica para muitos autores a ausência da representação ilusionista do espaço na pintura do homem de mentalidade primitiva. O espaço seria a identificação com a natureza, o trânsito livre no mundo de entidades espirituais desconhecidas que o amedrontam. A representação do espaço físico aparece, como sabemos, quando o homem interpreta o mundo não à base do sentimento mágico, mas do pensamento lógico.
Finalmente, como fizemos com os ingênuos, assim poderemos resumir, na opinião de vários autores, as características dos primitivos:
1 - Interesse secundário pela figura humana.
2 - Deformação da imagem humana.
3 - Deformação da realidade por esquemas mentais.
4 - Arte de superfície.
5 - Concepção geométrica e abstração.
6 - Expressão de idéias espirituais.
7 - Valor secundário do senso estético.
8 - Ilogismo.
Quando um pintor, mesmo erudito, como em tantas obras de Paul Klee, se expressa sob essas características, não poderá ser classificado entre os ingênuos, fiéis ao realismo visual. Situa-se, consequentemente entre os primitivos.


O DADAÍSMO E O SURREALISMO

O dadaísmo ou dadá (1916) apareceu em Zurique, Suíça, durante a Primeira Grande Guerra (1914 - 1918). Naquela cidade, estavam exilados intelectuais e artistas de várias nacionalidades, que nos seus países haviam sido contra a guerra. Resolveram fundar um movimento literário e artístico capaz de expressar a decepção que experimentavam com os valores tradicionais da cultura - filosofia, religião, moral, ciência, arte - incapazes de evitar os morticínios e destruições da terrível luta armada entre as nações mais civilizadas da terra. A guerra lhes parecia completo irracionalismo da humanidade que se considerava superiormente civilizada. Daí o dadaísmo exprimir, a um só tempo, decepção e revolta.
Como na época estava bastante em moda o estudo da psicologia de Freud ou psicanálise, onde através dos chamados reflexos ou atos automáticos se demonstra o teor de irracionalismo existente nas manifestações do subconsciente, os dadaístas basearam a sua teoria da criação artística no puro automatismo psíquico. Tudo deve ser criado artisticamente sem qualquer intervenção da lógica, livre de interferência da razão. "O pensamento se faz da boca para fora." - dizia o poeta húngaro Tristan Tzara, um dos chefes do movimento.
Para denominar o movimento, adotaram processo marcado de irracionalismo ou de acaso, coisas que para eles tinham a mesma significação. Tristan Tzara abriu ao acaso um dicionário Larousse, fechou os olhos e deixou o dedo cair sobre a página. O dedo caiu sobre a palavra dada, designação francesa infantil de cheval, cavalo. Quando lhes perguntavam o que significava dadá, respondiam: "Nada! Alguma coisa pode ter significação diante do terror da guerra?" Partiram, portanto, para a negação de tudo. Juntamente com o irracionalismo freudiano e o acaso, os dadaístas se distinguiram também pela crítica satírica e implacável, niilismo destruidor e anárquico, da sociedade capitalista, responsável pela guerra.
Mesmo durante a guerra, o movimento se difundiu em vários países, inclusive nos Estados Unidos. Terminada a guerra, o dadaísmo adquiriu maior virulência na Alemanha e na França, em virtude do clima social favorável que encontrava. As suas exposições e manifestações literárias se caracterizavam pela agressividade, irracionalismo e negativismo. Na pintura, adotou diferentes recursos técnicos, especialmente as colagens dos cubistas, não com finalidades plásticas, mas de sátira e protesto social.
O princípio fundamental do dadaísmo, isto é, o automatismo psíquico ou a exploração das manifestações do subconsciente, na melhor linha freudiana, serviria aos franceses, com André Breton à frente, para a criação do surrealismo, também baseado na aplicação da doutrina de Freud.


O Surrealismo

A estética do surrealismo está condensada no manifesto escrito e publicado em Paris, em 1924, pelo poeta e escritor francês André Breton (1896), estudante de neurologia e adepto de Freud. Escreveu que o surrealismo é "automatismo psíquico puro, por meio do qual se propõe expressar, seja verbalmente, seja por escrito, seja por qualquer outra maneira, o funcionamento real do pensamento. Ditado do pensamento com ausência de toda fiscalização exercida pela razão, alheio a toda a preocupação estética ou moral".
Em linhas gerais todos nós conhecemos as reveladoras contribuições de Freud ao melhor conhecimento de nossa vida psíquica, com as suas aplicações no tratamento das neuroses.
A nossa alma ou a nossa vida psíquica se divide, como sabemos, em três zonas - o inconsciente, o subconsciente e o consciente. No inconsciente, estão os nossos impulsos primitivos, verdadeiramente instintivos, que não conhecemos justamente por serem inconscientes. Quando esses impulsos primitivos emergem das profundidades desconhecidas do inconsciente e tentam chegar ao consciente, para se transformarem em atos e palavras, tem de atravessas o subconsciente, que os fiscaliza, recalca ou sublima. Disfarça-os, por assim dizer. Desse modo, quando chegam ao consciente, refletem não a nossa personalidade inconsciente, mas a nossa personalidade consciente, modelada e aperfeiçoada pela educação e cultura.
Algumas vezes, porém, as manifestações do inconsciente burlam a vigilância e chegam disfarçadas ao consciente. Isso ocorre, geralmente, quando dorminos. Nosso sonhos, por isso mesmo, são quase sempre disparatados, absurdos, fantasiosos e simbólicos. Ocorre também quando estamos acordados, graças ao processo que os psicanalistas chamam de automatismo psíquico e básico para os dadaístas e surrealistas - coisas que fazemos ou dizemos, aparentemente inexplicáveis, porque independentes da nossa vontade ou contrárias à lógica.
Fascinados pelas idéias e métodos de Freud, os surrealistas recusam, como fontes de criação artística, as manifestações racionais e lógicas do consciente. Aceitam somente as manifestações do subconsciente, absurdas e ilógicas, como acabamos de ver, principalmente nos sonhos, nos automatismos psíquicos, nos estados alucinatórios, que consideram fontes artísticas mais autênticas do que a natureza e a realidade.
Dizia André Breton: "No meu modo de entender, nada existe de inadmissível." Passa-se então a considerar o irreal tão verdadeiro como o real e o irracional, o fantástico e o maravilhoso como a única linguagem artística universal entre os homens.


Recursos dos Surrealistas

Na pintura, além do registro e representação, com inteira liberdade, sem qualquer fiscalização da razão, do fluir incessante de idéias e imagens em nosso espírito, os pintores surrealistas valeram-se ainda de outros recursos - o humor, paisagens de sonho e excesso de realismo, quase fotográfico.
O humor, dizem os surrealistas - é a máscara dos nosso desesperos. Exemplos: quatro cirurgiões curvados gravemente sobre uma mesa de operações onde está um guarda-chuva fechado, ou confortável poltrona, em pleno deserto do Saara. As paisagens de sonho são paisagens fantasmagóricas, irreais, inexistentes na natureza. O excesso do realismo, chegando ao mais cru verismo fotográfico na representação dos objetos, concorre para maior irrealidade.


Restrições à Pintura Surrealista

Duas restrições são feitas á pintura surrealista. A primeira pelos psicanalistas: as manifestações do subconsciente realmente são ricas de beleza, mas extremamente pessoais e simbólicas. Precisam ser interpretadas no seu simbolismo, como os analistas fazem com os sonhos dos seus pacientes estendidos no sofá dos consultórios. Apesar de desconhecida a significação de seus símbolos, a verdade é que pintura surrealista exerce irresistível fascínio em nosso espírito. A segunda restrição, feita por alguns pintores, é a seguinte: a concepção do quadro pode ser subconsciente, automática, mas a sua execução será sempre obra do consciente, com a aplicação de recursos racionais e lógicos ou em sentido de absoluta consciência.
O francês André Masson (1896) procurou sanar essa contradição insanável entre a concepção subconsciente e a execução consciente com os seus tableaux de sable (quadros de areia). Sobre uma tela coberta de cola fresca, atirou desordenadamente, num verdadeiro automatismo, punhados de areia de cores diferentes. Tentava obter, desse modo, automatismo também na execução. Os resultados não o satisfazem, abandonou, por isso, a pintura surrealista.
O espanhol Salvador Dali, um dos surrealistas mais populares, criou a paranóia crítica - delírio na interpretação do mundo e do próprio eu. O paranóico crítico vive num mundo estranho, não se submetendo à lógica do cotidiano. "É preciso sistematizar a confusão e contribuir para o total descrédito da realidade", disse Dali.
O pintor surrealista pode representar as manifestações de seu subconsciente de dois modos: figurativo ou abstrato. Em consequência existem surrealistas figurativos (Salvador Dali) e surrealistas abstratos (Juan Miró).
Entre os mais destacados surrealista figurativos estão Salvador Dali (1904), René Magritte (1898), Paul Delvaux (1897) e Marc Chagall (1887). Entre os surrealistas abstratos, ainda que em algumas obras sejam figurativos, Juan Miró (1893), Yves Tanguy (1900), Max Ernest (1891), Francis Picabia (1879) e Hans Arp (1887).
No passado, entre remotos precursores do surrealismo, os estudiosos citam Jerônimo Bosc (1450/60 - 1516) e Giuseppe Arcimboldo (1530 - 1596).


A Escola de Paris

Na pintura moderna, existem artistas extremamente originais, complexos e versáteis. Torna-se difícil classificá-los em quaisquer das escolas conhecidas, sobretudo se considerarmos que uma escola supõe um corpo de doutrina e uma unidade de direção ou de intenções e meios expressivos. Onde classificaríamos Picasso, por exemplo, a um só tempo tão original, versátil e complexo estilisticamente? O mesmo problema oferecem Modigliani, Paul Klee e outros.
Para resolver esse problema, certamente mais por necessidades didáticas do que por outras considerações, críticos modernos concordaram em classificar, indiferentemente às nacionalidades, sob a rubrica Escola de Paris, esses artistas simultaneamente originais, versáteis ou complexos, do ponto de vista estilístico. Todos os anos da Galeria Charpentier, na capital francesa, abre-se a exposição a Escola de Paris, apresentando pintores que reclamam acima de tudo completa independência, complexidade, originalidade e versatilidade. É bem verdade que muitas vezes essas exposições não concordam com as finalidades propostas por vários críticos. De qualquer maneira, no entanto, sem cair em rigorismos exagerados que levam à secura, quando se encontrar um artista original como Modigliani, versátil como Picasso ou complexo como Paul Klee, poderá ser classificado na Escola de Paris.


A OP-ART

A op-art (optical-art) ou arte ótica, tem, na verdade, o seu precursor em Victor Vassarely (1908), criador da plástica cinética ou plástica do movimento.
Segundo Vassarely, em plena idade da mecanização e industrialização, com a produção e o consumo de massa, a pintura não pode mais continuar sendo feita com a mesma técnica milenar dos pintores das cavernas pré-históricas, capaz de produzir somente "peças únicas", que se destinam, em última análise, à contemplação ou consumo individual. Para se tornar expressão autêntica dos nossos tempos, que se caracterizam pela velocidade e multiplicidade, a pintura deve ser produzida mecanicamente em série, consumida em massa e exprimir o dinamismo da vida moderna. Dentro dessa ordem de idéias, criou a plástica cinética que se funda em pesquisas e experiências dos fenômenos de percepção ótica.
As suas composições se constituem de diferentes figuras geométricas, em preto e branco ou coloridas. São engenhosamente combinadas, de modo que através de constantes excitações ou acomodações retinianas provocam sensações de velocidade e sugestões de dinamismo, que se modificam desde que o contemplador mude de posição.
O geometrismo da composição, ao qual não são estranhos efeitos luminosos, mesmo quando em preto e branco, parece obedecer a duas finalidades. Sugerir facilidades de racionalização para a produção mecânica ou para a multiplicidade, como diz o artista; por outro lado, solicitar ou exigir a participação ativa do contemplador para que a composição se realize completamente como "obra aberta".
Essas pesquisas e experiências no campo das sensações óticas foram e estão sendo desenvolvidas por numerosos artistas, em vários países. Receberam a denominação de op-art ou arte cinética, que, como as demais escolas de pintura moderna, apresenta grupos e subtendências.
A op-art teve uma de suas manifestações públicas de maior importância na coletiva The Responsive Eye (1965), no Museu de Arte Moderna de Nova Iorque.


A POP ART

Pop-art é a abreviatura em inglês de popular art (arte popular), nova escola que apareceu nos Estados Unidos, por volta de 1960, para alcançar imediata repercussão internacional.
A sua primeira manifestação pública data da exposição do norte americano Jasper Johns (1930), na Galeria Castelli, em 1958 na cidade de Nova Iorque. Considerando-se que esse artista explicava as suas obras como resultados de sonhos, os processos técnicos que adotava (colagens e montagens), o teor de irrealismo, de grotesco e mesmo de satírico, ma interpretação da vida urbana nos Estados Unidos, consideradas essas circunstâncias, a nova escola recebia inicialmente a denominação de New Dada (Novo Dada). Realmente, na técnica e no espírito, eram evidentes as suas identidades com o dadaísmo. Os dadaístas, como vimos, fundando-se no automatismo psíquico estudado por Freud, inovaram na técnica e criticaram a sociedade moderna, inclusive na crescente mecanização das atividades humanas. Sabemos ainda, por outro lado, que os primeiros dadaístas, europeus e nacionais, encontraram interesse excitante nos meios artísticos e intelectuais de Nova Iorque, mesmo durante a Primeira Grande Guerra. (1914 - 1918).
Como os novos artistas se inspiram no cotidiano dos grandes centros urbanos norte-americanos, caracterizado pela presença e ação dominadora da tecnologia industrial, a nova escola recebia finalmente a denominação de pop-art, hoje universalizada. Podemos considerá-la, desse modo, manifestação tipicamente norte-americana.
Porque utiliza não apenas colagens, também montagens, com objetos os mais díspares e inesperados, juntamente com elementos fotográficos, pictórios, escultóricos, arquitetônicos, ao lado das novas tintas sintéticas industriais, não mais as tintas tradicionalmente "artísticas", a nova escola recebeu as denominações de combine painting (pintura combinada) ou art d'assemblage (arte de agregação ou conjugação).
Na sua ainda breve existência, a por-art marcou, desde logo, dois momentos de projeção internacional, para se prestigiar consideravelmente. Esses momentos foram a grande coletiva no Museu de Arte Moderna de Nova Iorque (1962) e a sensacional sala especial com que a distinguiu a representação dos Estados Unidos à Bienal de Veneza (1964), quando o grande prêmio foi atribuído a Robert Rauschemberg (1925), um dos papas norte-americanos da nova escola.
Não são poucos os críticos e historiadores da arte moderna que a consideram tendência ou escola sem originalidade marcante e mesmo sem possibilidades de permanência e desenvolvimento maiores. Na opinião de muitos, nos processos técnicos e intenções expressivas, ainda que marcados de inovações, não passaria, em última análise, de revivescências do dadaísmo e do surrealismo. Adota recursos expressivos que, em substância, são os do cinema, da publicidade e da televisão, em outras palavras, da comunicação de massa. Inspira-se no ritmo e imagens, no ambiente e na vida que a industrialização criou nas grandes cidades. As suas fontes de inspiração abrangem desde os cartazes de publicidade, automóveis e sinais de trânsito aos produtos industriais em geral, eletrodomésticos e comestíveis enlatados em geral, produzidos e consumidos em massa. A visão de um supermercado por exemplo, possui na sensibilidade e imaginação de um artista pop sugestões estéticas mais valiosas do que a contemplação de uma paisagem bucólica.
Os pop-artistas querem justamente acentuar a força das imagens e apelos veementes, criadores de situações existenciais agressivas, vertiginosas e angustiantes, da civilização industrial urbana.
Não se poderá negar, por exemplo, a influência na imaginação das massas populares das histórias em quadrinhos e das fotonovelas, com personagens mundialmente admirados, pertencentes a nova mitologia também de seres prodigiosos como os das antigas, dotados também de poderes sobrenaturais aos quais se acrescentam agora aqueles outros proporcionados pelas maravilhosas modernas da ciência e da técnica. Isto sem falar na eficácia narrativa da imagem, maior do que a da palavra escrita. A massa não quer mais ler, quer ver história. Por isso mesmo, um dos pop-artistas norte-americanos., Roy Liechtenstein (1923), exaltou a influência das histórias em quadrinhos. Monumentalizou, transformando-as em verdadeiros murais, personagens e cenas. Outros se inspiram nas sinalizações do tráfego. Criam sinalizações absurdas, que adquirem aspectos alucinatórios.
Nas suas colagens e montagens, os pop-artistas aplicam o que denominam a técnica do deslocamento. Os surrealistas já haviam aplicado técnica idêntica quando representavam os objetos desviados de suas finalidades lógicas ou utilitárias - uma confortável poltrona em pleno deserto do Saara. Assim também fazem os pop-artistas, ao modelar fielmente em gesso ou fundir no bronze patinado enorme lâmpada elétrica ou descomunal tubo de dentifrício, para lhes conferir, pelo verismo e gigantismo, estranhos poderes de sugestão. Desse modo, conseguem transfigurações de produtos industriais banalizados pelo cotidiano.
Explicando essa técnica de valorizar produtos fabricados e consumidos em massa, o pop norte-americano Jasper Johns disse: "Preocupa-me que uma coisa não seja o que era, que se torne diferente do que é, a qualquer momento em que se identifique mais precisamente uma coisa, e com a fuga desse momento..."
Sexo e violência, furor ou desgosto sexual, são outros ingredientes da pop-art. Acham alguns críticos que sua importância está diminuindo, porque são numerosos desde algum tempo os pintores voltados para pesquisas e análises dinâmicas dos fenômenos de percepção e comunicação audiovisual, tendo em vista processos de produção e consumo de massa aplicados à comunicação também de massa.

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domingo, 30 de março de 2014

Sucos para perder a barriga

Sucos para perder a barriga

Por Chris Bertelli, iG São Paulo
nação de alimentos e chás tem efeito diurético, além de ajudar a desinchar e a regular o intestino
Getty Images
Sucos para reduzir a barriga
Qualquer ajuda é válida na hora de mandar embora os pneuzinhos da barriga. Se ela vier de uma receita fácil de fazer e simples de incluir no dia a dia, melhor ainda. O ingrediente certo na hora adequada pode ser a diferença entre fechar ou não o botão da calça. Para secar essa região do corpo, frutas com propriedades antioxidantes e misturas que podem ajudar a reduzir a gordura corporal, eliminar gases e facilitar o trânsito intestinal são as mais indicadas.
Conheça nosso programa de dieta e
perca 5 kg em um mês

“O chá verde é uma ótima pedida, porque ajuda na queima de gordura, além de ser diurético. O abacaxi também tem essa propriedade e ainda é anti-inflamatório”, exemplifica a personal diet Luciana Harfenist, diretora da clínica de nutrição que leva seu nome.
Para fazer o intestino preguiçoso funcionar, a nutricionista Gabriela Paschoal, da VP Consultoria, aconselha: “Aproveitar o bagaço de algumas frutas, como laranja, ou folhas verde-escuras, como a couve, são duas propostas que podem ajudar.”
Se o objetivo é desinchar a região abdominal, alguns alimentos intereferem na modulação dos níveis de prolactina, principalmente durante o período pré-menstrual, e auxiliam na diminuição de água acumulada, explica Paschoal. Melancia, limão, abacaxi, farelo de aveia e água de coco são as indicações da nutricionista. Confira as receitas:
Diuréticos e reguladores do intestino
Suchá verde (mistura de chá verde com fruta)
Ingredientes:
2 colheres de sopa de chá verde (erva)
260 ml de água
1 xícara de água fervente
1 fatia de abacaxi
hortelã a gosto
Preparo:
Faça primeiro o chá verde. Ferva 260 ml de água. Desligue o fogo, coloque as duas colheres de chá verde e tampe a panela. Deixe esfriar por aproximadamente 15 minutos. Bata no liquidificador com o abacaxi e a hortelã e sirva.

Suco de melão, hortelã e biomassa de banana verde
Ingredientes:
1 colher de sobremesa de biomassa de banana verde
100g de melão
3 folhas de hortelã
240ml de água filtrada
Preparo:
Biomassa de banana verde: lave uma unidade de banana verde e coloque, com casca, em uma panela de pressão com água. Deixe cozinhar até formar pressão. Após quinze minutos sob pressão, desligue o fogo e retire, com cuidado, as bananas da panela. Amasse até ficar na consistência de uma massa.
Bata a colher de biomassa de banana verde, juntamente com o melão picado, as folhas de hortelã e a água no liquidificador. Sirva.
Para desinchar a região abdominal
Suco de abacaxi com água de coco e chá de erva-cidreira
Ingredientes:
100g de abacaxi
140ml de água de coco
10g de erva-cidreira
Preparo:
Faça a infusão da erva-cidreira em 100ml de água fervida e leve à geladeira. Depois que estiver gelado, coloque o chá, juntamente com o abacaxi picado e a água de coco. Bata tudo e sirva.
Detox
Suco verde com maçã e gengibre
Ingredientes:
1 folha pequena de couve-manteiga orgânica
½ maçã com casca
Raspas de gengibre
240 ml de água filtrada
Preparo:
Higienize bem os alimentos. Rasgue a couve, pique a maçã, raspe o gengibre e coloque tudo no liquidificador junto com a água. Se quiser, pode acrescentar uma colher de sobremesa rasa de açúcar demerara. Sirva.
Para acelerar o metabolismo
Suco de chá verde com limão e gengibre
Ingredientes:
200ml de infusão de chá verde
100ml de suco de limão
Raspas de gengibre
Preparo:
Coloque tudo no liquidificador e bata. Se quiser, pode acrescentar 1 colher de sobremesa de açúcar demerara. Sirva.

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Cuidado com os alimentos que “dão barriga”
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quinta-feira, 27 de março de 2014

Entrevista com o líder do PCC, Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, ao jornal O Globo.

MEUS CAROS AMIGOS E ALUNOS, LEIAM ESTA REPORTAGEM, VEJAM A ARGUMENTAÇÃO DO SR. CAMACHO. O RAPAZ LÊ MUITO. INFELIZMENTE COMO ELE DIZ "- FAÇO PARTE DE UMA TERCEIRA COISA"
O BRASIL INTEIRO DEVERIA LER ESTA ENTREVISTA

Entrevista com o líder do PCC, Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, ao jornal O Globo.

Estamos todos no inferno. Não há solução, pois não conhecemos nem o problema

O GLOBO: Você é do PCC?

- Mais que isso, eu sou um sinal de novos tempos. Eu era pobre e invisível… vocês nunca me olharam durante décadas… E antigamente era mole resolver o problema da miséria… O diagnóstico era óbvio: migração rural, desnível de renda, poucas favelas, ralas periferias… A solução é que nunca vinha… Que fizeram? Nada. O governo federal alguma vez alocou uma verba para nós? Nós só aparecíamos nos desabamentos no morro ou nas músicas românticas sobre a “beleza dos morros ao amanhecer”, essas coisas… Agora, estamos ricos com a multinacional do pó. E vocês estão morrendo de medo… Nós somos o início tardio de vossa consciência social… Viu? Sou culto… Leio Dante na prisão…

O GLOBO: – Mas… a solução seria…

- Solução? Não há mais solução, cara… A própria idéia de “solução” já é um erro. Já olhou o tamanho das 560 favelas do Rio? Já andou de helicóptero por cima da periferia de São Paulo? Solução como? Só viria com muitos bilhões de dólares gastos organizadamente, com um governante de alto nível, uma imensa vontade política, crescimento econômico, revolução na educação, urbanização geral; e tudo teria de ser sob a batuta quase que de uma “tirania esclarecida”, que pulasse por cima da paralisia burocrática secular, que passasse por cima do Legislativo cúmplice (Ou você acha que os 287 sanguessugas vão agir? Se bobear, vão roubar até o PCC…) e do Judiciário, que impede punições. Teria de haver uma reforma radical do processo penal do país, teria de haver comunicação e inteligência entre polícias municipais, estaduais e federais (nós fazemos até conference calls entre presídios…). E tudo isso custaria bilhões de dólares e implicaria numa mudança psicossocial profunda na estrutura política do país. Ou seja: é impossível. Não há solução.

O GLOBO: – Você não têm medo de morrer?

- Vocês é que têm medo de morrer, eu não. Aliás, aqui na cadeia vocês não podem entrar e me matar… mas eu posso mandar matar vocês lá fora…. Nós somos homens-bomba. Na favela tem cem mil homens-bomba… Estamos no centro do Insolúvel, mesmo… Vocês no bem e eu no mal e, no meio, a fronteira da morte, a única fronteira. Já somos uma outra espécie, já somos outros bichos, diferentes de vocês. A morte para vocês é um drama cristão numa cama, no ataque do coração… A morte para nós é o presunto diário, desovado numa vala… Vocês intelectuais não falavam em luta de classes, em “seja marginal, seja herói”? Pois é: chegamos, somos nós! Ha, ha… Vocês nunca esperavam esses guerreiros do pó, né? Eu sou inteligente. Eu leio, li 3.000 livros e leio Dante… mas meus soldados todos são estranhas anomalias do desenvolvimento torto desse país. Não há mais proletários, ou infelizes ou explorados. Há uma terceira coisa crescendo aí fora, cultivado na lama, se educando no absoluto analfabetismo, se diplomando nas cadeias, como um monstro Alien escondido nas brechas da cidade. Já surgiu uma nova linguagem.Vocês não ouvem as gravações feitas “com autorização da Justiça”? Pois é. É outra língua. Estamos diante de uma espécie de pós-miséria. Isso. A pós-miséria gera uma nova cultura assassina, ajudada pela tecnologia, satélites, celulares, internet, armas modernas. É a merda com chips, com megabytes. Meus comandados são uma mutação da espécie social, são fungos de um grande erro sujo.

O GLOBO: – O que mudou nas periferias?

- Grana. A gente hoje tem. Você acha que quem tem US$40 milhões como o Beira-Mar não manda? Com 40 milhões a prisão é um hotel, um escritório… Qual a polícia que vai queimar essa mina de ouro, tá ligado? Nós somos uma empresa moderna, rica. Se funcionário vacila, é despedido e jogado no “microondas”… ha, ha… Vocês são o Estado quebrado, dominado por incompetentes. Nós temos métodos ágeis de gestão. Vocês são lentos e burocráticos. Nós lutamos em terreno próprio. Vocês, em terra estranha. Nós não tememos a morte. Vocês morrem de medo. Nós somos bem armados. Vocês vão de três-oitão. Nós estamos no ataque. Vocês, na defesa. Vocês têm mania de humanismo. Nós somos cruéis, sem piedade. Vocês nos transformam em superstars do crime. Nós fazemos vocês de palhaços. Nós somos ajudados pela população das favelas, por medo ou por amor. Vocês são odiados. Vocês são regionais, provincianos. Nossas armas e produto vêm de fora, somos globais. Nós não esquecemos de vocês, são nossos fregueses. Vocês nos esquecem assim que passa o surto de violência.

O GLOBO: – Mas o que devemos fazer?

- Vou dar um toque, mesmo contra mim. Peguem os barões do pó! Tem deputado, senador, tem generais, tem até ex-presidentes do Paraguai nas paradas de cocaína e armas. Mas quem vai fazer isso? O Exército? Com que grana? Não tem dinheiro nem para o rancho dos recrutas… O país está quebrado, sustentando um Estado morto a juros de 20% ao ano, e o Lula ainda aumenta os gastos públicos, empregando 40 mil picaretas. O Exército vai lutar contra o PCC e o CV? Estou lendo o Klausewitz, “Sobre a guerra”. Não há perspectiva de êxito… Nós somos formigas devoradoras, escondidas nas brechas… A gente já tem até foguete anti-tanques… Se bobear, vão rolar uns Stingers aí… Pra acabar com a gente, só jogando bomba atômica nas favelas… Aliás, a gente acaba arranjando também “umazinha”, daquelas bombas sujas mesmo. Já pensou? Ipanema radioativa?

O GLOBO: – Mas… não haveria solução?

- Vocês só podem chegar a algum sucesso se desistirem de defender a “normalidade”. Não há mais normalidade alguma. Vocês precisam fazer uma autocrítica da própria incompetência. Mas vou ser franco…na boa… na moral… Estamos todos no centro do Insolúvel. Só que nós vivemos dele e vocês… não têm saída. Só a merda. E nós já trabalhamos dentro dela. Olha aqui, mano, não há solução. Sabem por quê? Porque vocês não entendem nem a extensão do problema. Como escreveu o divino Dante: “Lasciate ogna speranza voi cheentrate!” Percam todas as esperanças. Estamos todos no inferno.

A.J.

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

♥♥♥ DICAS PARA CONTEMPLAR O BELO ♥♥♥

♥♥♥ DICAS PARA CONTEMPLAR O BELO ♥♥♥
Todas as pessoas devem sentir-se bonitas. Não seja escravo do padrão de beleza da mídia. Diga diariamente: eu sou bonito(a)! Pois o feio e o belo são relativos. Beleza está nos olhos de quem contempla...
Contemplar o belo é colocar combustível na felicidade. Cuide de plantas, escreva poesias. Role no tapete com as crianças. Valorize as coisas que são aparentemente insignificantes. Escreva cartas para os amigos. Descubra os filhos. Explore o mundo dos seus pais. Fique dez minutos por dia em silêncio

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Angel e Marcelo - BBB 14 - Talking to the Moon

Angela e Marcelo BBB14 - Nightingale (Demi Lovato)



Publicado em 05/02/2014

Vídeo dedicado aos BBBs Angela Munhoz e Marcelo Zagonel!

Rouxinol

Eu não consigo dormir à noite
Bem acordada e muito confusa
Tudo está em ordem
Mas estou machucada

Preciso de voz para ecoar
De uma luz para me levar para casa
Eu meio que preciso de um herói
É você?

Nunca vi a floresta por entre as árvores
Eu realmente poderia usar sua melodia
Querido, estou um pouco cega
Acho que é hora de você me encontrar

Você pode ser o meu rouxinol?
Cante para mim, sei que você está aí
Você pode ser minha sanidade
Me trazer paz
Cante para eu dormir
Diga que você será meu rouxinol

Alguém fale para mim
Porque estou me sentindo como o inferno
Preciso que você me responda
Estou desarmada

Preciso de uma voz para ecoar
De uma luz para me levar para casa
Preciso de uma estrela para seguir, eu não sei
Nunca vi a floresta por entre as árvores
Eu realmente poderia usar sua melodia
Querido, estou um pouco cega
Acho que é hora de você me encontrar

Você pode ser o meu rouxinol?
Sinto tão perto, sei que você está aí
Você é a minha sanidade
Você me traz paz
Canta para eu dormir
Diga que será meu rouxinol

Não sei o que faria sem você
Suas palavras são como sussurros, sobrevivem
E contanto que você esteja comigo hoje à noite, eu estou bem

domingo, 9 de fevereiro de 2014

ecologia- sexto ano A e B

6º ANO - EXERCÍCIOS SOBRE ECOLOGIA




1) Como se chama, em ecologia, um conjunto de seres da mesma espécie que vivem em um mesmo lugar?

2) Qual a diferença entre hábitat e nicho ecológico?

3) Qual o nome que se dá em ecologia ao conjunto de seres vivos que vivem numa lagoa ou numa floresta?

4) A onça e a capivara têm o mesmo nicho? Justifique sua resposta.

5) Os seres vivos dependem apenas de outros organismos para sobreviver? Explique.
6) Explique o que é ecossistema.

7) Explique o que é biosfera.
 
8) Organize os termos do mais simples para o mais abrangente: comunidade, população, biosfera, ecossistema, organismo.


 Vou responder de maneira bem simples.
R(1) = População

R(2) = Hábitat = meio (lugar) onde determinada espécie vive, seu "endereço". Por exmplo o hábitat do mico-leão- dourado é a mata atlântica. o termo nicho é o conjunto de atividades e comportamento exercidos por uma espécie como por exemplo, seu modo de vida, seu jeito de ser na natureza, como ela desempenha seu papel na natureza.

R(3) = Comunidade (conjunto de seres de diferentes espécies que ocupam um mesmo ambiente)

R(4)= A onça e a capivara possuem nichos ecológicos diferenciados em relação ao seu hábito alimentar (comportamento diferente). As onças são carnívoras e as capivaras são herbívoras.

R(5)= todos os organismos se relacionam estritamente ou não com outros organismos da natureza(relação biótica), porém se relacionam tbm com fatores abióticos (não-vivos)como: temperatura, luz ,água. etc.

R(6)= Ecossistema é uma unidade natural que compreende todas as interações dos seres vivos de uma comunidade, entre si e tbm com os fatores abióticos do ambiente (já exemplificado na resposta anterior).

R(7)= Biosfera seria o conjunto de todos os ecossistemas do nosso planeta.

R(8)= Organismo > População> comunidade> ecossistema> biosfera.

Espero ter ajudado.

Ass: fernanda Silva - Bióloga