sábado, 5 de abril de 2014

A Arte na Grécia Antiga

A Arte na Grécia Antiga
http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/9/97/SFEC_BritMus_Roman_021-2.jpg/250px-SFEC_BritMus_Roman_021-2.jpgO Discóbolo de Míron, uma das mais conhecidas obras da arte grega
Por arte da Grécia Antiga compreende-se as manifestações das artes visuais, artes cênicas, literatura, música e arquitetura daquele país desde o início do período geométrico, quando, emergindo da Idade das Trevas, iniciou-se a formação de uma cultura original, até o fim do período helenístico, quando a tradição grega se dissemina por uma larga área entre a Europa, África e Ásia, abrangendo o intervalo de aproximadamente 900 a.C. até 146 a.C., data em que a Grécia caiu sob o domínio romano. Entretanto, esses limites cronológicos não são um consenso entre os historiadores.
Os exemplos mais conhecidos da arte grega antiga, e os que mais profundamente influenciaram as gerações posteriores, pertencem ao período clássico, quando conheceram apreciável unidade ideológica e morfológica, encontrando os seus alicerces numa filosofia antropocêntrica de sentido racionalista que inspirou as duas características fundamentais deste estilo: por um lado a dimensão humana e o interesse pela representação naturalista do homem e, por outro, a tendência para o idealismo, traduzido na adoção de cânones ou regras fixas que definiam sistemas de proporções e de relações formais para todas as produções artísticas. Porém, a arte da Grécia Antiga não se resume no período clássico, que abrange pouco mais de cem anos de sua longa história, e teve manifestações de grande importância antes e depois dele, cujos ideais e práticas eram bastante distintos. As pesquisas mais recentes revelaram que mesmo durante o classicismo a aplicação prática dos padrões teorizados foi muito mais flexível do que se pensou durante muito tempo, abrindo espaço para infinitas variações e desvios da norma. A partir desta constatação, modernamente a arte da Grécia Antiga já não é vista como um bloco monolítico, mas sim como um corpo de expressões ricamente diversificadas, adaptáveis a contextos regionais, a influências externas e inúmeros outros determinantes.
Contexto e visão geral
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Harmódio (à direita) e Aristogíton (à esquerda), chamados "os tiranicidas". Famoso grupo estatuário celebrando em formas idealizadas modelos de heroísmo e virtude cívica.
O período aqui enfocado testemunhou uma série de modificações profundas na sociedade grega. Partindo de um conglomerado de tribos rurais independentes e frequentemente em guerra entre si, os genos, cujo único elo comum era a língua e a religião, e cuja cultura, dissolvida na Idade das Trevas, começava a ressurgir, os gregos encaminharam-se gradualmente para um modelo de vida urbano, constituindo-se as pólis, dominadas primeiro por uma aristocracia latifundiária, e depois por uma elite de políticos e comerciantes, dentro de uma moldura social mais ou menos democrática, na qual, porém, só tinham voz ativa os detentores do atributo da cidadania, permanecendo estrangeiros e escravos à margem dos processos decisivos, ainda que não dos produtivos e sociais. Esse modelo se difundiu, em sucessivas ondas de colonização, por toda orla do mar Mediterrâneo e trechos do mar Negro. Mais adiante, enfraquecida por guerras internas, a Grécia sofreu o domínio macedônio e posteriormente o romano, extinguindo-se como sociedade independente. Neste intervalo destacou-se entre eles o desejo, de índole racionalista, por um conhecimento mais completo do mundo e do homem. Em vista disso desenvolveram-se diversas ciências como a matemática, a biologia, a medicina, a geometria, a astronomia, a ciência política, a óptica, a geografia, a filosofia, a etnografia, a historiografia, e lançaram-se os fundamentos da psicologia e da psiquiatria. E para disseminar todo esse novo conhecimento, desenvolveu-se também um modelo educativo de largo escopo, conhecido como paideia, consolidado no período clássico, que objetivava em suma a educação integral do indivíduo para o perfeito domínio de si, para o exercício pleno da cidadania e para o desfrute de uma vida mais rica, saudável, harmoniosa e significativa.
Naturalmente, a arte produzida nesse continuum de transformações refletiu-as de variadas maneiras, tanto em termos de estilo quanto de significado e função. Permaneceram mais ou menos constantes, porém, alguns traços comuns, regidos pelo conceito básico da kalokagathia, o qual associava a beleza com as virtudes morais, religiosas e cívicas. A arte não era vista como uma atividade meramente decorativa, mas engajava-se profundamente, como disse Andrew Stewart, na construção e transformação da sociedade e na consagração de ideologias específicas. Por isso, estava sujeita a uma série de convenções que impunham ao artista a criação de produtos socialmente significantes, capazes de, atendendo às formulações da kalokagathia, ao mesmo tempo adornar as cidades mas acima de tudo servir como modelos educativos. Sequer havia naquele tempo uma palavra para designar arte como hoje a entendemos - uma atividade livre de compromissos e nascida em grande medida da criatividade e da iniciativa individuais do artista -, mas falava-se em techné, um termo de difícil tradução que equivale aproximadamente a técnica, habilidade ou tecnologia, que tinha conotações práticas e que podia se aplicar a qualquer atividade. Assim, a arte grega era essencialmente uma criação urbana de características funcionais e de fundo moral, sagrado e/ou político, que elevou o homem a uma condição exaltada. Boa parte do que se criou então foi encomendado pelo Estado - era destinado ao culto, ou era concebido como monumento público, celebrando heróis, atletas e outras figuras por algum motivo notáveis e exemplares. Outras obras perenizavam episódios mitológicos e conquistas coletivas, como eventos históricos importantes ou os sucessos militares recentes, ou declaravam a superioridade cultural dos gregos sobre outros povos, segundo a sua própria visão. Isso, mais a concepção da arte como um instrumento pedagógico, fez com que muito da arte grega tivesse características idealistas em formas austeras, equilibradas e nobres, ao mesmo tempo em que mantinha uma correlação íntima com a realidade concreta na forma de um concomitante interesse pela representação naturalista, uma tendência visível em particular do período clássico em diante, o que criou uma síntese original e de duradoura influência sobre a posteridade do ocidentejá tendo antes, no período arcaico, sido um elemento formativo determinante na arte etrusca e na cultura das regiões colonizadas. No período helenístico, porém, verificou-se uma mudança de ênfase na paideia, passando a privilegiar os aspectos puramente culturais em detrimento dos morais. Também se modificaram as características e objetivos da arte, absorvendo influências de várias partes e tornando-se mais eclética, dramática, prosaica, sofisticada e historicista, passando sua função pública para um lugar secundário e emergindo os interesses individuais ao primeiro plano. Por outro lado, foi a fase em que a arte grega se internacionalizou através das expedições guerreiras de Alexandre Magno, chegando à Índia e ao Egito, e depois, sendo absorvida pela cultura romana, passou a constituir a base de toda a sua própria arte, exercendo grande impacto em uma vasta região da Europa, de onde foi transmitida para os séculos seguintes.
Arquitetura
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Partenon de Atenas.
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As três ordens gregas (dórica, jônica e coríntia).
A arquitetura grega iniciou seu florescimento somente por volta da primeira Olimpíada, em 776 a.C. As habitações eram em geral muito simples e os principais representantes da arquitetura, nesta fase, são os templos em pedra, em especial o mármore. Eles derivam seu desenho de uma arquitetura micênica estruturada com madeira, o mégaron, uma construção retangular caracterizada por uma abertura, um alpendre de duas colunas, e uma lareira mais ou menos centralizada, coberta por um telhado de madeira em duas águas com traves aparentes, tinha as paredes de tijolo cozido ao sol recobertas com estuque e uma base de pedra. A porta era estruturada por duas traves laterais e um lintel, todos em madeira. Os gregos transportaram para a pedra uma réplica bastante aproximada desse modelo, tanto que a arquitetura grega já foi apelidada de "marcenaria em pedra". As primeiras colunas e lintéis dos templos gregos, na verdade, foram de madeira. Pouco depois a pedra começou a substituir todos os outros materiais salvo no telhado, que incorporou também telhas de cerâmica ou mármore. Os gregos concentraram as suas pesquisas estruturais basicamente num único sistema: o trílito, formado por dois pilares de apoio e por um elemento horizontal de fecho, o lintel. Não conheciam o arco nem seus derivados, a cúpula e a abóbada.
O projeto era simples: uma construção de forma padronizada retangular sobre uma base de geralmente três degraus, com colunas no pórtico, na extremidade oposta ou em todos os seus lados, e o entablamento de remate. O núcleo do templo era uma zona fechada, formada por uma ou mais salas, onde eram colocadas a estátua do deus e as oferendas recebidas - o tesouro do templo. Este espaço interno era coberto por um telhado de duas águas, estruturado em madeira e rematado por dois frontões triangulares em pedra, no lado da entrada e na extremidade oposta do edifício. Sendo as cerimônias realizadas ao ar livre, os arquitetos gregos preocuparam-se mais com a sua imagem exterior do que com o espaço interior, reservado aos sacerdotes. As esculturas decorativas nos frisos e frontões, bem como as paredes dos templos, eram muitas vezes pintadas em vivas cores, mas praticamente nada dessa decoração chegou até nós.
Este modelo repercutiu largamente em todo o território grego, assumindo porém muitas variações que dependiam de preferências locais ou do orçamento disponível. Na arquitetura grega foram desenvolvidos três estilos ou ordens: a ordem dórica, a jônica e a coríntia. A ordem dórica era a mais simples, sem ornamentos, dando à edificação um aspecto de grande solidez. A jônica, mais elegante, tinha um capitel decorado por duas volutas. A ordem coríntia, que surgiu somente na época clássica, era ainda mais esbelta e ornamentada, sendo famosa pelo seu alto capitel em forma de sino invertido, decorado com volutas e folhas de acanto. O Partenon e o Templo de Teseu são de estilo dórico. O Erectéion e o Templo de Atena Nike, ambos erguidos em Atenas, são de estilo jônico.
Outra das invenções importantes da arquitetura grega foi o anfiteatro, geralmente construído na encosta duma colina, aproveitando as características favoráveis do terreno para ajustar as bancadas semicirculares. No centro do teatro ficava a orquestra, e ao fundo o palco, decorado com um cenário arquitetônico fixo. Dos muitos teatros construídos pelos gregos destaca-se o famoso Teatro do Epidauro. Além do templo e do anfiteatro os gregos desenvolveram uma série de outras tipologias arquitetônicas para usos específicos. Podem ser citados como exemplo o templo de planta circular, designado por tholos; o prytaneion, semelhante ao templo mas sendo uma grande sala de banquetes e eventos oficiais, contando com uma lareira acesa perpetuamente em honra a Héstia; o bouleuterion ou sala do conselho, uma sala retangular para assembleias, com uma arquibancada em seu interior; o estádio e o hipódromo, para realização de jogos e corridas; o ginásio ou palestra, para o treinamento dos atletas, e as capelas votivas ou tumulares, na forma de templos em miniatura. As residências em geral continuaram sendo modestas ao longo de toda a história da Grécia Antiga, sem qualquer traço decorativo pronunciado. Sua planta básica era aproximadamente quadrada, tendo como característica proeminente uma galeria no interior que atravessava a casa de uma parede a outra, e para onde se abriam os outros aposentos e um pátio rodeado de colunas. Casas de dois andares eram comuns.
Durante muito tempo prevaleceu a ideia de que os gregos utilizavam um sistema de proporções uniforme e estrito para a construção, baseado na Seção Áurea, mas os estudiosos de hoje, segundo disse Ian Jenkins, na medição de inúmeros templos não encontraram evidências físicas suficientes para corroborar a ideia - ao contrário, encontraram uma enorme diversidade de sistemas ou mesmo às vezes nenhum sistema reconhecível. Os principais motivos para tal são a ausência naquele tempo de um sistema métrico padronizado para toda a Grécia, e a preferência pela construção de proporções cumulativamente a partir de uma medida inicial arbitrária. Com isso atualmente se concebe a arquitetura grega como dinâmica, dependente de inúmeras variáveis, ainda que tivesse linhas gerais comuns e que em pelo menos alguns templos tenha sido atestado um uso consistente de proporções definidas.
Música
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Cena de banquete ao som de música de aulos.
O que se sabe da música grega deriva principalmente de fontes literárias e da iconografia. Sobrevivem escassos e fragmentários exemplos de peças musicais anotadas, cujo deciframento ainda é objeto de disputas. Também chegaram aos nossos dias tratados técnicos, o seu sistema teórico de modos, alguns vestígios de instrumentos e algumas melodias foram transmitidas por escritores medievais. A música era onipresente na sociedade grega, decorava os festivais públicos, acompanhava os guerreiros nas batalhas e os pastores nas lides do campo, e entretinha as famílias no recesso do lar. Era além disso parte da educação regular de todo membro da elite. Muitas vezes estava associada à dança e ao teatro. Fazia parte de muitos de seus mitos e desde longa data se firmou uma ideia de que era um poder efetivo, capaz de alterar a disposição do ouvinte para o bem ou para o mal. Foram registradas histórias de uso deliberado da música para influenciar populações inteiras, como no caso do cantor Terpandro, convidado por Esparta para com seu canto apaziguar uma cidade agitada, e de Pitágoras, creditado como criador de uma terapia musical. Mais do que isso, o estudo da música entre os gregos não se resumia a uma fórmula para a produção de melodias, mas era uma descrição matemática e filosófica de como o universo era construído, com os astros vibrando em conjunto no que se chamou de "harmonia das esferas". A música humana deveria refletir a harmonia cósmica. Disso deriva a forte associação da música com a ética e a pedagogia.
Um estilo de música com um perfil original e tipicamente grego já havia se estabilizado em suas formas e sistemas principais desde os tempos Homéricos, quando a récita de poesia acompanhada de um ou poucos instrumentos se tornou o gênero mais cultivado. O acompanhamento geralmente era feito com a lira, mais tarde com a kithara, e com instrumentos de sopro dos quais o mais comum era o aulos. Com o tempo desenvolveu-se um rico instrumental, que incluída diversos tipos de instrumentos de percussão, sopro e cordas, e criaram o antecessor do atual órgão num instrumento chamado hydraulis, movido a água.
Praticamente toda a música grega era monódica e vocal, e dependia diretamente da prosódia poética para se estruturar e desenvolver. O sistema usado pelos gregos era modal, baseado numa célula de quatro notas chamada de tetracorde. A prática foi sistematizada em maior profundidade com o trabalho de Pitágoras, que desenvolveu pesquisas científicas em torno dos efeitos dos sons e de suas combinações, baseado em um sistema de proporções matemáticas, e fortaleceu as antigas e estritas associações de cada modo com determinado ethos. Segundo Platão as regras antigas em seu tempo começaram a sofrer uma dissolução, e os músicos passaram a explorar novidades rítmicas e melódicas sem as fortes associações transcendentes dos primeiros tempos, inovações defendidas por Aristóteles a partir de uma abordagem humanística e psicológica e não tanto religiosa e ética. Entre os principais legados da música da Grécia Antiga estão uma forte influência sobre a música da Roma Antiga, seu sistema de modos adaptado pelos músicos medievais, uma terminologia técnica ainda em uso atualmente, as noções de consonância e dissonância e um sistema de afinação que permaneceu em vigor até o século XV.
Escultura
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Estatueta de guerreiro do período geométrico
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Kouros Anavyssos, c. 530 a.C., período arcaico.
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Policleto: O Doríforo, período clássico.
No primeiro período enfocado, chamado geométrico (c. 900-700 a.C.), a escultura se manifestava discretamente, através de estatuetas votivas de pequenas dimensões em bronze e barro, mostrando formas altamente estilizadas de pessoas e animais, evidenciando uma artesania de considerável habilidade. Não foram encontrados traços de estatuária de grande porte, mas é possível que tenha existido, realizada em materiais perecíveis como a madeira. Outros artefatos como armas, jóias, camafeus e vasos podiam trazer pequenos adornos de caráter escultórico. O propósito e significado dessa produção ainda são obscuros, dada a ausência de inscrições que os descrevam, mas seu achado primariamente em contextos fúnebres leva a crer que tinham funções religiosas.
Em seguida, durante o período dedálico (c.650-600 a.C.), também chamado orientalizante, a escultura recebe influência oriental e egípcia e aumenta suas dimensões, com um estilo caracterizado pela rígida frontalidade, o modelado achatado do corpo e o desenho simplificado da anatomia, que é antes uma abstração do que uma observação da natureza. O rosto é esquemático e triangular, as orelhas podiam ser omitidas e o cabelo cai em grossas madeixas. As pernas são usualmente longas e a cintura é alta e estreita. Nesta fase se inicia a consolidação de dois modelos formais de grande importância para o subsequente período arcaico: a figura masculina (kouros, kouroi no plural) e a feminina (kore, korai no plural). No caso das estátuas femininas elas aparecem com longas túnicas, mas nas masculinas a nudez é a regra. O kouros, com sua anatomia completamente exposta, assumiu uma importância superlativa para o desenvolvimento da escultura grega, já que aquela sociedade só viria a permitir a exposição do corpo feminino desnudo em torno do século IV a.C. Neste mesmo período há registro dos primeiros exemplos de escultura monumental associada à arquitetura, na forma de frisos e frontões em relevo.
O período arcaico (c. 600-500 a.C.) assistiu à progressiva urbanização da Grécia, passando a cultura se concentrar nas cortes das novas cidades, as pólis, que iniciavam também a florescer com total autonomia - daí a formação de escolas artísticas regionais, tendo como principais centros Atenas, Esparta e Corinto. A decoração escultórica arquitetônica se tornou mais comum e apareceram diversos exemplos notavelmente experimentais, testando novas formas de composição em grupo e novas formas de narrativa visual. Entre os materiais, o mármore passou a ocupar um lugar privilegiado, mas a terracota continuou a ser bastante usada. Os kouroi e as korai continuaram sendo as tipologias estatuárias mais destacadas, adquirindo nesta época, em alguns casos, dimensões gigantescas, ainda que o tamanho natural fosse a praxe. Em relação à fase anterior o progresso na técnica do entalhe da pedra é evidente, bem como houve sensíveis avanços em direção a um maior naturalismo na descrição anatômica, sem que isso chegasse a quebrar as rígidas leis da frontalidade e da idealização abstratizante. Mas talvez mais importante tenha sido a formação, nas cortes aristocráticas, de um corpo de conceitos éticos, cívicos e pedagógicos que teriam influência marcante sobre a arte, englobados no conceito da paideia, que em suma associava beleza com virtude e bondade. Os kouroi não eram produzidos meramente com fins estéticos, mas eram oferendas religiosas colocadas em santuários, marcavam a tumba de alguma personalidade ou eram monumentos públicos, e não representavam pessoas individualizadas, sendo antes a corporificação de um ideal de beleza, honra, virtude, piedade ou sacrifício. Os kouroi arcaicos, distinguindo-se da tradição dedálica, exibem um corpo vigoroso já com algum delineamento anatômico, um porte augusto e uma atitude de inabalável confiança e altivez, refletindo os valores da aristocracia. Às vezes podiam representar atletas vencedores dos Jogos, mas mesmo nesses casos não se pode dizer que eram verdadeiros retratos. As korai, por sua vez, adquirem uma feição bastante ornamental e dinâmica, mostradas em atitudes de dança ou oferenda, e sempre cobertas com ricas túnicas e complexos penteados. Com a fundação de diversas colônias gregas na Magna Grécia e nas áreas orientais do Mediterrâneo, a escultura grega se disseminou por uma grande área.
A fase seguinte, conhecida como período severo (c.500-450 a.C.), se define por consistentes avanços na observação da natureza, refletida no rápido abandono da tipologia fixa e hierática do kouros e da kore, acompanhando o declínio da aristocracia e o surgimento de uma forte classe burguesa urbana. A arte adquiriu mais independência de funções religiosas e públicas, sendo praticada, como analisou Arnold Hauser, até certo ponto "pelo seu próprio valor e pela beleza que revela". Os detalhes decorativos foram minimizados, os traços anatômicos principais receberam a maior parte da atenção, e o interesse pela caracterização das emoções e pelo seu potencial narrativo conduziu a uma exploração de suas repercussões sobre a dinâmica corporal. Foi formulado um novo cânone de proporções, mais elegante, alongado e naturalista, se passou a tratar diferentemente deuses e homens, e apareceram representações mais verossímeis da velhice, embora as crianças ainda fossem adultos em miniatura e ainda existisse grande idealização em todas as formas.
Depois da derrota dos persas em 479 a.C. Atenas passou a exercer uma inconteste hegemonia cultural sobre toda a Grécia e deu-se a passagem para o período clássico (c. 450-323 a.C.). Com Péricles iniciou-se um grande programa de obras públicas e reconstrução da Acrópole, cuja direção foi confiada a Fídias, talvez o mais celebrado dos escultores gregos. Ele, junto com Míron e Policleto, este ativo em Argos, foram os principais responsáveis pela formulação de um novo estilo de representação que unia de maneira admirável idealismo e naturalismo, transmitindo uma impressão de atemporalidade, equilíbrio, beleza e harmonia. Policleto é especialmente lembrado por ter elaborado um novo cânone de proporções de larga influência, exemplificado, acredita-se, na figura doDoríforo. O interesse pela representação anatômica fidedigna se tornou dominante, mas também neste período a natureza teve de conciliar-se com o idealismo nas formas e proporções, depurando do natural tudo o que fosse excessivamente idiossincrático e transitório, incluindo aqui a representação das emoções. Desenvolveu-se a técnica do bronze em cera perdida, que passou a ser o material de eleição para a estatuária independente, continuando o mármore a ser usado na escultura arquitetônica. A fase inicial do período clássico se caracterizou por formas majestosas, austeras e impassíveis; na segunda fase se verificou um abrandamento no cânone, aparecendo formas mais humanizadas, graciosas e expressivas, e desenvolvendo-se um interesse pela representação eficaz da estatuária em todos os seus ângulos, sepultando definitivamente os últimos resquícios da frontalidade. Na segunda fase pontificaram Praxíteles, Escopas e Lísipo. Praxíteles ganhou fama principalmente por ter sido o primeiro a representar em tamanho natural a mulher nua, na célebre Afrodite de Cnido. O sucesso da escultura clássica foi imediato e desencadeou um fértil debate teórico entre importantes pensadores da época, como Platão e Aristóteles, que inauguraram com isso um novo ramo filosófico, a Estética. Também foi o estilo que mais duradoura influência exerceu ao longo da história da escultura do ocidente, tornando-se quase um sinônimo para "escultura grega".Pouco da produção clássica original sobreviveu, sendo particularmente dramático o desaparecimento de quase todos os bronzes, e a maior parte do que hoje se conhece são cópias romanas.
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Laocoonte e seus filhos, período helenista.
O período helenístico inicia com a morte de Alexandre, o Grande, em 323 a.C., e se estende até a dominação romana em 146 a.C., mas alguns autores o prolongam até a conquista romana do Egito em 50 d.C., ou até 31 d.C., data da Batalha de Actium, quando Augusto derrotou Marco Antônio e encerrou a dinastia ptolemaica egípcia.[39][40] Foi um período de grande expansão para a arte grega, levada por Alexandre até a Ásia e norte da África, de onde recebeu várias influências. A escultura helenística é cosmopolita, muito mais variada do que a clássica, e em termos técnicos é mais refinada e virtuosística. Desenvolveu-se numa fase em que se deu grande valor à História, assimilando com isso elementos de estilos mais antigos em sínteses novas e ecléticas. Também foi marcante a secularização em todos os domínios da arte, surgiram colecionadores e foram abertas galerias públicas, e popularizou-se a representação da infância e de temas profanos e domésticos. Outros temas, como a morte, o sofrimento, o erotismo, o grotesco, a alegria despreocupada, a velhice, as deidades não-olímpicas, antes pouco explorados, apareceram com frequência, ao mesmo tempo em que apareceram as primeiras representações verossímeis de fisionomias individuais, os primeiros retratos verdadeiros. Entre suas contribuições originais à tradição grega de escultura estão o desenvolvimento de novas técnicas e o aperfeiçoamento da representação da anatomia e da expressão emocional, abandonando-se o genérico em favor do específico. Isso se traduziu no abandono do idealismo clássico de caráter ético e pedagógico, enfocando os aspectos humanos cotidianos e direcionando a produção para fins puramente estéticos e, ocasionalmente, propagandísticos. Seu estilo geral é, em suma, realista, tendendo a enfatizar o drama, o prosaico e o movimento. A escultura helenística foi a base da formação da escultura romana, com seus princípios essenciais permanecendo em vigor ainda por muitos séculos à frente. Também foi importante para a cristalização da iconografia de Buda, no oriente.
Pintura
Da pintura grega antiga não resta hoje mais do que reduzidos vestígios, e dela pouco se sabe com segurança. Isso não significa que não houve produção, ou que tenha sido elementar, ao contrário, fontes literárias da época atestam extenso e refinado cultivo de pintura em várias técnicas desde o período arcaico, com o desenvolvimento de várias escolas distintas, e com artistas que foram celebrados por seus contemporâneos e cuja fama chegou aos nossos dias, como Polignoto, Zeuxis e Apeles. Mas devido à fragilidade dos materiais quase tudo se perdeu, exceto alguns notáveis murais em tumbas dos séculos IV e III a.C., especialmente em Vergina, na Macedônia. Sobrevive, por outro lado, expressiva produção de pintura aplicada à decoração de objetos utilitários, como os vasos.
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Placa de madeira pintada, encontrada em Corinto. Século VI a.C.
Acerca da pintura durante o período arcaico sabe-se muito pouco. São conhecidas algumas referências literárias a poucos pintores, como Cleantes, Ecfantos, Teléfanes, Eumaros e Cimon, mas sua produção perdeu-se completamente. Algumas evidências do período sobrevivem em Thermon e em algumas placas de madeira e cerâmica encontradas em Corinto, que traem a influência da arte egípcia e asiática, mantendo uma similitude com as técnicas de pintura em vasos, sendo em essência um desenho colorido. Outro exemplo importante por sua raridade, embora bastante elementar, são os murais da Tumba do Mergulhador em Paestum, de c. 480 a.C. Outros murais do período arcaico tardio são encontrados em tumbas na Ásia Menor. Também constituem boas evidências os murais etruscos, já que derivaram diretamente da influência grega.
A partir do período clássico a pintura rapidamente adquiriu independência do estilo gráfico típico da cerâmica, passando para um tratamento de fato pictórico das superfícies, com emprego de uma variedade de efeitos visuais, incluindo pontilhismo, chiaroscuro, degradê, ilusionismo tridimensional, escorço e perspectiva, possivelmente por influência da cenografia teatral. Sua temática era basicamente a mitologia e a história, bem como a celebração da grandeza da cidade e de seus heróis e cidadãos exemplares. Destarte, a pintura encontrava utilidade geralmente na decoração de edifícios públicos e templos. Desde então a pintura se tornou ubíqua em toda a área de influência grega, tendo nesta fase Atenas como seu principal pólo irradiador. Entre os nomes célebres do período estão Agatarcos, Mícon e seu irmão Panaenus, Apolodoroe sobretudo Polignoto, o mais importante do período clássico, ativo em Atenas, que aparece na literatura como autor de várias cenas complexas e movimentadas, especialmente batalhas.
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Afresco O Rapto de Perséfone, na Pequena Tumba Real em Vergina
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Afresco na Tumba de Kalanzak
Pouco mais tarde Sicião começou a se tornar também um centro irradiador de influência, favorecendo opathos antes do que o ethose introduzindo novos temas, como cenas domésticas e festejos seculares, e técnicas, como a encáustica. Seu expoente foi Eupompo, seguido por Pânfilo, Melâncio e Páusias. Ao mesmo tempo a pintura conhecia uma grande popularização, multiplicando-se os painéis portáteis pintados sobre madeira para uso privado ou puramente decorativo, e de custo muito menor. Mas, sobretudo, enfatizou-se a busca de um ilusionismo ainda mais acentuado. Outros centros apareceram na Jônia, em especial em Éfeso, formando uma escola distinta que primou pela sutileza do colorido e do sombreado. Os nomes mais célebres deste período foram Zêuxis e Parrásio. O primeiro foi louvado pela delicadeza de seus retratos femininos, pela vivacidade de expressão de suas figuras e pela escolha de temas mitológicos raramente representados. Parrásio ganhou fama como introdutor de um cânone de proporções, como desenhista insuperável e como pintor de retratos cheios de graça e beleza sensual, dando grande atenção aos detalhes. Ao mesmo tempo, teria alcançado grande penetração psicológica no retrato de seus personagens, pintando temas de fúria, melancolia e loucura.
Apeles, talvez o mais ilustre dos pintores da Grécia Antiga, foi um artista de transição entre o classicismo e o helenismo, introdutor de inovações técnicas, autor de um tratado sobre pintura infelizmente perdido, e pintor oficial de Alexandre, o Grande. Nada de sua produção chegou até nós, mas foi descrito como dominando e fundindo os estilos da Escola da Jônia e de Sicião, e autor de obras de beleza e graça insuperáveis, conseguidas pelo uso virtuosístico de um cromatismo sutil, um desenho requintado e nobres formas. Dos contemporâneos de Apeles devem ser citados Protógenes, Écion, Antifilo e Téon. Entre os exemplos concretos da transição do período clássico tardio para o helenismo estão os importantes e sofisticados afrescos das Tumbas Reais de Vergina, compostos por uma grande cena de caça ao leão e pelo Rapto de Perséfone, de grande maestria no desenho e liberdade nas pinceladas; o bem conhecido Sarcófago das Amazonas, achado em Tarquinia mas provavelmente produzido por um pintor da Magna Grécia, e afrescos da Grande Tumba de Lefkádia, que incluem surpreendentes métopes pintadas imitando ilusionisticamente as métopes em relevo do Partenon.
Durante o helenismo a pintura grega se internacionalizou ainda mais, sendo levada por Alexandre até a Ásia e o norte da África, e desta fase os exemplos originais são um pouco mais numerosos, sendo especialmente importantes os da Tumba do Soldado em Alexandria, e variados fragmentos em tumbas, palácios e residências de Demétrias, Sídon, Atenas, Cnido, Pella, Delos e Pérgamo, entre outras cidades. Um grande exemplo mural está em uma tumba principesca da necrópole de Kalanzak, hoje um Patrimônio Mundial. No helenismo o ilusionismo tridimensional permaneceu como o principal interesse na pintura, mas os temas populares se tornaram largamente apreciados, entre eles a natureza-morta, a paisagem e as cenas domésticas, que se encontravam até em miniaturas. Ao mesmo tempo, os produtores de mosaicos começavam a imitar efeitos tipicamente pictóricos. Entre os pintores se destacou Peiraeicus, criador de obras mostrando interiores detalhados de barbearias, estábulos, lojas e outros estabelecimentos do povo, e entre os mais eruditos desta fase, mantendo viva uma tradição mais antiga em composições mitológicas e históricas, pode ser citado Timômaco, cuja obra Ajax e Medéia foi adquirida por Júlio César pela fortuna de oitenta talentos.
A pintura grega foi essencial para a formação do estilo da pintura da Roma Antiga, e o desenvolvimento de grandes novas capacidades para a representação figurativa e o impacto da produção da época entre seu público fez com que a pintura contribuísse, junto com a escultura, para o florescimento de um rico debate teórico a respeito da ética na arte, sobre os seus fundamentos científicos, suas capacidades pedagógicas e sua utilidade cívica, e sobre a natureza, o caráter e a função da mímese, um debate que ganhou entre seus contendores homens notáveis como Anaxágoras, Demócrito, Sócrates, Platão e Aristóteles.
Pintura de vasos
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Detalhe de ânfora monumental do período geométrico
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Fundo de cálice em figura vermelha, com cena de Ajax e Cassandra, c. 440-430 a.C.
A produção de vasos decorados foi uma das poucas manifestações artísticas que não sofreram interrupção na Idade das Trevas grega, havendo pois uma tradição contínua que remonta a tempos imemoriais. Interessa-nos, porém, a produção a partir do período geométrico. Nesta fase a decoração é bastante elementar, resumida a linhas e padrões geométricos abstratos - de onde vem o nome do período - distinguindo-se da preferência por padrões derivados do círculo da fase anterior. Embora aparentemente simples, era uma arte sofisticada, obedecendo a uma série de convenções precisas, e alguns de seus exemplos se contam entre as melhores criações da arte grega de todos os tempos. Figuras começaram a aparecer em torno de 850 a.C., com faixas de animais e pessoas de perfil simplificado, acompanhando a diversificação dos padrões abstratos. Na fase final começaram a surgir cenas mitológicas.
No período orientalizante houve grande intercâmbio cultural com a Ásia, recebendo dali influências que se traduziram na diversificação dos formatos dos vasos, tendo Corinto como o principal centro de produção. A decoração incluía motivos geométricos, florais e uma vasta população de animais fantásticos como esfinges, sereias e quimeras. Por outro lado, a presença de figuras humanas diminuiu. Em Corinto se formulou pela primeira vez um estilo decorativo de larga influência chamado de figura negra que, como o nome indica, trazia os desenhos em negro contra um fundo vermelho, com alguns detalhes em branco. Tendo iniciado essa tradição em Corinto, foi entretanto em Atenas que ela chegou a um alto grau de refinamento, no início do período arcaico. Vários pintores de figura negra se tornaram famosos, como Exéquias, Kleitias, Ergotimos, Nearcos e o Pintor de Amásis. Também a Atenas se deve um outro desenvolvimento na técnica, que levou à formação do estilo em que as cores foram invertidas, chamado figura vermelha, tendo o negro como fundo. Essa novidade permitiu uma liberdade muito maior para o trabalho dos pintores, que passaram a se deter em detalhamentos anatômicos e cenários. O estilo figura vermelha gradualmente veio a suplantar o figura negra em torno de 500 a.C. Mestres famosos foram Douris, Brygos e Onésimo.
No período clássico a produção de cerâmica decorada experimentou um declínio cuja causa ainda não é bem compreendida, mas aparentemente o meio de expressão já havia se esgotado como campo de experimentos e inovações. Uma exceção foi o aparecimento do estilo fundo branco, que possibilitou ampliar a paleta de cores usadas nas figuras, mas cujo efeito final é pouco expressivo. No período helenista o declínio continuou, mas é de citar o surgimento de vasos com novas formas imitando os vasos de bronze, decorados com relevos, e de um estilo chamado "encosta oeste", por ter sido descoberto em escavações na encosta oeste da Acrópole de Atenas. Estes vasos têm uma coloração mista de marrom, branco e negro, com detalhes em relevo, incisões e uma iconografia simplificada.
Pintura de estatuária e arquitetura
Uma outra aplicação da pintura entre os gregos era na decoração da estatuária e da arquitetura. Até há pouco tempo não havia, por falta de conhecimentos, um consenso sobre a extensão desta prática, e este fato só recentemente vem recebendo maior divulgação entre o grande público. Entretanto, a partir de pesquisas recentes se sabe que a pintura de superfície na escultura e arquitetura era uma praxe disseminada, e um dado fundamental no estilo grego como um todo. Mestres escultores como Praxiteles deixaram registrado que só consideravam suas obras acabadas depois de recobertas com tinta, o que por certo lhes emprestava uma aparência muito diversa da que hoje mostram nos museus do mundo. Em 2003 a Gliptoteca de Munique organizou uma exposição itinerante, intitulada Bunte Götter(Os Deuses Coloridos), com réplicas de obras importantes decoradas segundo o que se descobriu sobre sua policromia, com resultados surpreendentes.
Mosaico
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Mosaico dos caçadores do veado, Pella, século IV a.C.
Não se sabe de onde os gregos derivaram sua técnica de mosaico. Supõe-se que suas origens remontem a práticas da Suméria e Assíria, mas é certo que desde o Neolítico o mosaico se fez presente na Grécia. Nesses tempos primitivos o mosaico desenhava padrões abstratos simples e era realizado com seixos rolados de tamanhos irregulares. Os primeiros exemplos de mosaico decorado com figuras datam do período clássico, havendo relíquias em vários locais, impossibilitando a identificação de um centro irradiador. A técnica nesta altura havia evoluído sensivelmente, com o uso de peças menores, capazes de fornecer maior detalhamento, e empregando cores mais variadas, iniciando-se mesmo a exploração de efeitos de sombreado, como se pode constatar nos mosaicos de Pella. Em vários casos são visíveis símbolos como a suástica, o machado duplo, letras avulsas, círculos e rodas que possivelmente representam a roda da fortuna, sugerindo que esse tipo de desenhos podia ter funções mágicas de atrair a boa sorte e repelir más influências. Sua estrutura geralmente mostra uma moldura larga emoldurando uma composição figurativa central, no esquema do círculo inscrito no quadrado. Ocasionalmente nos cantos se colocavam composições secundárias. Um dos mais finos exemplos do classicismo está na Casa dos Mosaicos em Erétria, com uma série de painéis em várias formas e esquemas compositivos, e em Sicião se encontra um pavimento inteiramente decorado com o motivo da onda entrelaçada em torno de uma rosácea central, de grande efeito plástico.
Durante o helenismo a técnica se sofisticou ainda mais, explorando-se a criação de texturas diferenciadas na mesma composição e empregando-se peças ainda menores, de formato regular, que possibilitou um maior controle no desenho e um fino detalhamento. Um desenvolvimento ulterior deu origem ao chamado opus vermiculatum, onde as peças são tão pequenas que mal se distinguem como entidades separadas, chegando a apenas 4 mm², o estágio de mais alto refinamento e complexidade do mosaico, possibilitando a obtenção de efeitos que se aproximam da pintura. Neste mesmo período a técnica grega se expandiu por uma larga região, chegando até ao Afeganistão, e passou a incorporar outros materiais além da pedra, como o vidro e a madrepérola, criando efeitos de grande riqueza plástica. Os romanos foram grandes apreciadores dos mosaicos gregos, imitando-os em seus palácios e edifícios públicos e levando a técnica para toda a área de influência do Império.
Literatura e teatro
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Busto de Homero
Segundo Tim Whitmarsh, na Grécia Antiga não havia o hábito da leitura como hoje em dia, em que ele se caracteriza primariamente como uma atividade individual exercitada em horários de ócio. Antes, era uma atividade engajada e ideologicamente orientada, fazendo parte integral da vida da pólis e desejando excitar debate e reflexão socialmente significativos. O povo se reunia nos festivais e cerimônias públicas para ouvir a récita dos poetas ou dos espetáculos teatrais, cujos textos eram escritos também em versos e cujo conteúdo tinha raízes tradicionais e trazia a todos uma mensagem coletiva. Muitas vezes tais récitas eram acompanhadas de música e dança, um traço que permaneceu constante ao longo da história grega. A circulação privada de livros, descontando-se a produção específica dos filósofos e cientistas, sem caráter artístico e restrita ao seu círculo de estudantes, e que não será abordada aqui, só começou em torno do século IV a.C., e nesse tempo adquiriu um caráter elitista, pois livros eram manuscritos raros e caros.
A tradição literária grega iniciou com Homero, uma figura cuja historicidade é motivo de conjetura mas que é considerado muitas vezes o pai da literatura ocidental. Em seus dois grandes poemas épicos, a Ilíada e a Odisséia, lançou as bases dos desenvolvimentos futuros. Eles coletam tradições antigas respectivamente sobre a Guerra de Tróia e a viagem de Odisseu de volta para casa, e embora se apresentem como poemas históricos, grande parte da sua atenção é devotada à descrição das intervenções dos deuses na vida humana. Por outro lado, traçam um vasto panorama da sociedade grega do período anterior, especialmente retratando a classe aristocrata, com seus costumes, suas crenças, suas motivações, seu perfil psicológico, suas relações com os estrangeiros e sua organização social. Da mesma época são alguns hinos também atribuídos a Homero, sem qualquer certeza, embora exibam um estilo similar.
No período arcaico surgiu uma literatura poética mais diversificada, mais afeita à realidade cotidiana, descrevendo as lutas de classes, penetrando em temáticas filosóficas, humanísticas e científicas, e tendo a experiência individual do poeta um papel mais importante na sua definição ideológica e estética. Nesta fase destaca-se Hesíodo que, ao contrário de Homero, abordou uma temática mais popular. Entre várias criações atribuídas ao poeta, sobrevivem duas obras importantes: Os Trabalhos e os Dias, uma narrativa que mescla História e os afazeres da vida no campo dentro de uma moldura ética, e uma cosmogonia mitológica, intitulada Teogonia. Também merece nota a emergência no período arcaico de uma poesia mística derivada principalmente do Orfismo, apresentando um modelo de vida ideal de grande pureza e enorme apelo popular, prometendo uma recompensa pós-morte aos virtuosos, que possivelmente refletia compensatoriamente o estado de desordem cívica e as incertezas e agruras da vida real. Outras correntes cultivaram os gêneros lírico e elegíaco com grande originalidade e sensibilidade, baseados em tradições populares mas de veia individualista, e também de grande circulação entre o povo. Ativos nessas linhas foram Anacreonte, Mimnermo, Tyrtaios, Teógnis e a poetisa Safo, de grande fama, entre muitos outros. Nos gêneros da poesia filosófica e crítica, podem ser citados Xenófanes e Epimênides. Ainda neste período iniciou o desenvolvimento da poesia dramática, que acabou dando origem à tragédia e à comédia. Ambas nasceram de uma forma de hino coral, o ditirambo, cantado em honra de Dionísio, tendo um líder, o corifeu, a dividir versos com um coro. Diz a tradição que o primeiro a fixar a forma do ditirambo foi Árion. Téspis, figura de transição, introduziu a figura do hypocrites (aquele que responde, um interlocutor), criando os primeiros diálogos dramáticos e sendo por isso considerado o pioneiro da tragédia. A comédia, por sua vez, surgiu como um entretenimento intercalado nas tragédias, tendo como seu iniciador Choerilus.
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Um teatro grego típico com a designação de suas várias partes.
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Fragmento de papiro com o poema Aetia, de Calímaco
Porém, foi no período clássico que a poesia dramática chegou à sua fase dourada, quando sua apresentação passou a se dar em grandes anfiteatros, estruturas concebidas especificamente para este fim. O principal centro de interesse temático da tragédia grega clássica, na apreciação de Ian Johnston, foi o conflito entre o homem e as inelutáveis forças do destino, buscando entender os desígnios dos deuses, conhecer até onde vai o livre-arbítrio e discernir qual a mais adequada resposta humana aos desafios apresentados. No pensamento grego até mesmo os deuses eram sujeitos ao destino, mas na tragédia o herói se destaca como aquele que dá o melhor de si, mesmo à custa de sua própria vida, para enfrentar um contexto desfavorável dentro do âmbito da justiça, com isso provando sua excelência pessoal e tornando-se um modelo para sua comunidade.
Ésquilo, o primeiro grande tragediógrafo, chamou um segundo interlocutor, tornando o desenvolvimento dramático mais dinâmico, a ponto de o diálogo entre os protagonistas suplantar em importância as intervenções do coro, que até então levava a cabo a maior parte da narrativa. O coro, a partir de então, passou a comentar a ação principal, incentivando ou censurando os protagonistas e estabelecendo atmosferas sugestivas, que emolduravam ou coloriam o diálogo. Sobrevivem sete das dezenas de tragédias de Ésquilo, ainda hoje integrando o repertório teatral, entre elas Sete contra Tebas e a tetralogia da Oresteia. Sófocles foi outro grande nome no gênero, autor de diversas obras-primas de profunda penetração psicológica e elevada espiritualidade, destacando-se Édipo Rei, Electra e Antígona, dentre as mais de cem a ele creditadas, quase todas perdidas. O terceiro tragediógrafo a ser lembrado é Eurípides, influenciado pelos sofistas e original por explorar temas até então pouco trabalhados no ambiente dramático, como a filosofia, o romantismo e a sensibilidade feminina, além de lançar críticas à religião e ser conhecido como o mais trágico dos trágicos. Das muitas peças que escreveu chegaram a nós dezessete, entre elas Medeia, As Troianas, Ifigênia em Áulis e As Bacantes. Todos eles também foram autores de comédias, embora este gênero tenha demorado mais a amadurecer. Seu mais notável representante foi Aristófanes, cujas peças são ácidas e vivazes críticas da vida social, política, intelectual e moral ateniense. São conhecidas onze de suas comédias, podendo ser citadas Lisístrata, As nuvens e As rãs.
A literatura em prosa também teve um florescimento relativamente tardio, já que a poesia supria a necessidade de informação narrativa, e só veio a evidenciar maturidade no período clássico, depois de ensaios anteriores de escritores como Ferécides, Anaxágoras e Hecateu, com um trabalho principalmente na forma de epigramas ou trechos breves de conteúdo mitológico, filosófico, geográfico ou histórico, sem grande coesão interna. Mas foi o fabulista Esopo o primeiro escritor que explorou a prosa como literatura artística por direito próprio, elevando-a a um alto patamar de qualidade. Suas fábulas são alegorias morais, onde muitas vezes deu voz aos animais. No período clássico a principal literatura em prosa não tem caráter artístico, mas não pode passar sem ser citada a notável contribuição para o refinamento estilístico da prosa e da retórica deixada pelos filósofos, como Xenofonte, Platão e Aristóteles, por historiadores como Heródoto e Tucídides, por cientistas como Hipócrates e por oradores como Demóstenes e Ésquines, cujas obras são referência até os dias de hoje. Ao mesmo tempo, surgiu um considerável grupo de comentaristas desses autores citados, que também ajudaram a sedimentar e enriquecer a prosa grega.
As mudanças políticas e sociais ocorridas no período helenístico - passando de uma sociedade centrada na pólis democrática para um mundo de monarquias cosmopolitas com uma etnicidade muito mais heterogênea, e com a cidadania acessível a uma parcela muito maior da população - se traduziram em uma literatura muito mais diversificada, muitas vezes com o propósito de simples entretenimento privado ou cortesão. Em função disso, os livros começaram a se tornar mais comuns e a literatura em geral deixou de buscar primeiramente a educação ética do público, e se preocupou mais com o puro deleite estético. Como disse Kathryn Gutzwille, enquanto a literatura anterior fascina e comove pela sua grandiosidade e sua transcendência, a helenística encanta pelo seu caráter imediatista e realista, numa complexa e sofisticada fusão de uma imensa e eclética virtuosidade literária, conquistada após séculos de prática, com uma atenta observação da natureza e da vida humana em seus detalhes mais prosaicos. Os principais sujeitos dos períodos anteriores, os heróis e os deuses, permanecem em cena, mas sua presença não é dominante, nem opressiva, chegando a se aproximar muito do caráter das pessoas comuns. Esse rebaixamento, já prefigurado em Eurípides e também no comediógrafo Menandro, se tornou o habitual durante o helenismo, sem entretanto decair para uma mera paródia. Também continuaram comuns os gêneros da poesia lírica, épica e dramática, como na obra de Calímaco e de Apolônio, mas nos vários novos centros que começaram a se destacar por sua produção literária, especialmente na Ásia Menor e Egito, foram desenvolvidas formas inovadoras, como o mime, cultivado por Herodas; a écloga, representada por exemplo por Teócrito; a epília, um gênero épico de pequena envergadura, e a poesia didática, com expoentes em Nicandro e Arato, além de o gênero do epigrama ressuscitar de modo triunfal, sendo cultivado por praticamente todos os poetas do período.[94] Ao mesmo tempo, desenvolveu-se em prosa um gosto apaixonado pela crítica literária, pela narrativa ficcional e fantástica, pela retórica e pela história da arte, e, talvez mais importante, foram compiladas coletâneas de poetas de períodos anteriores e se multiplicaram as bibliotecas, como a famosa de Alexandria, com o que pôde ser preservado para a posteridade um grande corpo literário que de outra forma poderia ter-se perdido.
Dança
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Dançarinos arcaicos em vaso pintado
Sobre a dança grega sabe-se pouco e especula-se muito, dificuldade nascida da ausência de evidências diretas. Tudo que se pôde conhecer deriva de descrições literárias e registros visuais em pinturas, relevos, gemas e estatuária, muitas vezes genéricos e imprecisos. Entretanto, parece haver um consenso de que a dança era tão apreciada e disseminada quanto as outras artes, estando presente em toda a vida social grega, frequentemente associada à música, à poesia, ao teatro, ao entretenimento privado e a festividades religiosas e cívicas. Aparentemente esta arte alcançou um elevado grau de sofisticação, veiculando símbolos, evocando mitos e ilustrando eventos históricos, e a habilidade na dança era tão prestigiada como a capacidade guerreira. Aliás, a dança fazia parte da educação dos soldados e se estruturava por uma consistente normatização de movimentos, cujo rigor se comparava às manobras militares coletivas. Vários tipos de danças militares foram descritos na literatura, incluindo aquelas que se valiam de manipulação de armas e as que imitavam os movimentos dos animais. Danças deste último tipo também eram praticadas em rituais religiosos, principalmente nos cultos de mistério, onde se destacavam as danças orgiásticas executadas pelas mênades nos ritos de Dionísio. Outras formas incluíam as danças específicas para matrimônios, que tinham em geral um caráter processional ou desenhavam círculos e giros, acompanhadas de palmas e gesticulação, e as danças fúnebres, em geral procissões dinamizadas por uma gestualidade dramática, com mãos cruzadas sobre o peito, rasgamento de roupas, arranhamento da face, abraços. No teatro a dança era invariavelmente conduzida pelo coro, fazendo uso de figurinos apropriados e realizando movimentos solenes de caráter processional.
Artes decorativas e aplicadas
A criatividade dos antigos gregos não se limitou às assim chamadas artes maiores: a arquitetura, a escultura e a pintura, que como se viu conheceram um extraordinário florescimento, mas cultivaram uma variedade de outras técnicas cujos produtos não causam talvez tanto impacto imediato por suas dimensões reduzidas, mas que dentro de seu âmbito igualmente atingiram altos níveis de sofisticação. Os pequenos bronzes, por exemplo, algumas vezes decorados com aplicações de ouro e prata, também abundam em todas as fases, e embora muitos deles possam se enquadrar na classificação de escultura, outros como os vasos, as armas, os espelhos e objetos domésticos também amiúde receberam um tratamento que vai além do imprescindível para cumprirem sua função utilitária e se elevaram ao nível de objetos de arte. A joalheria igualmente atingiu uma qualidade excepcional, com uma ampla variedade de artefatos como colares, brincos, camafeus e coroas.
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Elmo
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A Kratera Vix, em bronze

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Coroa de ouro

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Camafeu com a efígie de Alexandre

Legado
É difícil enfatizar demais a importância da arte grega, em particular a dos períodos clássico e helenista, pois ela constitui a base da arte de todo o ocidente. Seu legado foi assimilado em larga escala pela Roma Antiga e dali se transmitiu à posteridade, tornando-se redivivo em especial durante o Renascimento e o Neoclassicismo, embora ao longo de todo o intervalo até a contemporaneidade ele tenha se feito notar ininterruptamente, de formas mais ou menos óbvias. Chegou a extrapolar os limites ocidentais para influenciar culturas tão distantes como as do Japão, Índia e China. Entre suas múltiplas contribuições fundamentais para a cultura ocidental podem ser citadas a concepção de planejamento urbano integrado, os modelos do templo, do teatro, do ginásio, a ideia de monumento cívico, cânones de proporções para representação naturalista do corpo humano, a representação dos deuses sob forma humana, o retrato individual, a criação da perspectiva, do sombreado e outros recursos ilusionísticos na pintura, a descoberta da encáustica, a formulação de um modelo de epopeia, de literatura dramática e de poesia lírica, e a exploração visual e literária da psique humana.
Seu estudo adquiriu linhas mais científicas a partir do fim do século XVIII, principalmente através do trabalho de Johann Joachim Winckelmann, um entusiasta da arte grega e o maior teórico do Neoclassicismo. Ele definiu para ela um perfil cronológico-estilístico à maneira de um ciclo vital, com suas fases de formação, apogeu e declínio, centrado na obra dos principais artistas, que se tornou canônico até o início do século XX, e que colocou a arte do período clássico acima de todas. Entretanto, hoje o estudo da arte grega é mais abrangente e procura dar valor a todas as fases, analisando-as contra seus contextos e enfatizando suas peculiaridades. Essa nova abordagem levou à compreensão de que não existe uma "arte grega" como um bloco unificado, mas sim um feixe de manifestações artísticas diferenciadas, muitas vezes fortemente coloridas por tradições regionais, que se desenvolveram e transformaram ao longo de muitos séculos e que refletem o mosaico cultural que constituía o que chamamos de Grécia Antiga.
 Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Arte na Grécia antiga: Período helenístico (cerca de 323 a.C. a 30 a.C.) Assunto: artes, Grécia Antiga
Valéria Peixoto de Alencar*
Especial para a Página 3 Pedagogia & Comunicação
Você sabe qual a diferença entre helênico e helenístico? Helênico é um adjetivo que os gregos da antigüidade usavam para se referirem a eles mesmos. Eles se autodenominavam helenos, assim como a Grécia era chamada Hélade.
Reprodução
Laocconte e seus filhos
Helenístico é um adjetivo moderno utilizado para descrever o período que vai da morte de Alexandre (323 a.C.) à conquista final do mundo helênico por Roma (30 a.C).

As mudanças nas concepções artísticas no período, em relação aos precentes, são evidentes na representação da figura humana. A habilidade técnica e os ideais de beleza estabelecidos são aplicados à representação de figuras que sugerem movimento, por vezes quase teatrais, que toma o lugar da serenidade formal.

Em "Laocoonte e seus filhos", conjunto de esculturas que representam uma lenda da época da Guerra de Tróia, podem-se observar os esforços de representar o corpo de maneira realista e a dramaticidade na ação, reforçadas pela presença das serpentes, nos detalhes da roupa e na sensação de sofrimento transmitida pela obra.

Todo esse desenvolvimento da habilidade para representar a figura humana fez o ideal de beleza construído pelos gregos perdurar até nossos dias. São apenas os artistas modernos, as vanguardas européias no início do século 20 que irão contestar esse padrão, 2.500 anos depois.

Fonte: http://educacao.uol.com.br


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cubismo- picasso e outros artistas♥


Picasso






Guernica - Picasso

Atelier de Cezanne

Femme - Cezanne

Mulher no Balcão - Carras

Trem Blindado




Picasso


Picasso
Maçã Pera Uva
Baigneuses
Cezanne
Funeral Anarquista - Carra
Cubismo - Picasso
Trem Suburbano Paris
Picasso
Picasso
Picasso
Trem Suburbano Paris
Picasso
Picasso
Picasso




Picasso



CUBISMO
Movimento artístico personificado em Pablo Picasso e Georges Braque, em Paris entre os anos de 1907 e 1914, principalmente, que tinha por fim "descompor e recompor a realidade". O estilo cubista das artes plásticas rejeitou as técnicas tradicionais de perspectiva bem como a ideia de arte como imitação da natureza e privilegiou a bidimensionalidade e a fragmentaridade dos objectos. O nome cubismo tem uma história conhecida: o pintor francês Henri Matisse fez parte de um júri da exposição do Salão de Outono de Paris (1908), onde estava exposto o quadro de Braque Maisons à l'Estaque, que lhe mereceu o qualificativo de "caprichos cúbicos". O quadro que definitivamente afirmou o estilo cubista foi, no entanto, Les Demoiselles d'Avignon (1907), de Picasso. O período de 1910 a 1912 é conhecido por cubismo analítico, porque os quadros entretanto revelados analisam abstractamente, desafiando todos os cânones, a forma dos objectos e das figuras humanas. O movimento fica consolidado com duas obras teóricas: Du cubisme (1912), de Albert Gleizes e Jean Metzinger, e Les peintres cubistes (1913), de Guillaume Apollinaire. A fase seguinte é conhecida por cubismo sintético, porque se busca uma síntese das formas, apoiadas por cores fortes, e figuras mais decorativas e amplas, aproveitando também colagens de vários materiais como jornais, fotografias, ou invólucros de tabaco. Estava aberto o caminho para a anulação do limite do real na pintura.
            O cubismo pictórico estendeu-se a outras artes como a escultura (Alexander Archipenko, Raymond Duchamp-Villon e Jacques Lipchitz, a arquitectura (Le Corbusier) e a literatura. Neste campo, vários escritores se associam ao movimento plástico, como Max Jacob, André Salmon e sobretudo Apollinaire. O cubismo literário afirma-se a partir de um artigo de Georges Polti, aparecido na revista Horizon (15-11-1912) e durará até 1920, sendo divulgado em várias revistas literárias. Tornam-se obras de referência do cubismo literário títulos como Le Cornet à dés (1917), de Max Jacob, Espirales (1918), de P. Dermée, Calligrames (1918), de Apollinaire, e Le Cap de Bonne-Espérance (1919), de J. Cocteau.
Em Portugal (mas vivendo em Paris), Santa-Rita Pintor descobre a nova estética expondo o seu quadro O Silêncio num Quarto sem Móveis, no Salão dos Independentes em Paris. Mário de Sá-Carneiro, companheiro de Santa-Rita em Paris,  é o primeiro a atentar no cubismo literário e artístico, escrevendo alguns versos segundo os preceitos desta estética. A primeira vez que se lhe refere é numa carta a Fernando Pessoa: "No entanto, confesso-lhe, meu caro Pessoa, que, sem estar doido, eu acredito no cubismo. Quero dizer: acredito no cubismo, mas não nos quadros cubistas até hoje executados. Mas não me podem deixar de ser simpáticos aqueles que, num esforço, tentam em vez de reproduzir vaquinhas a pastar e caras de madamas mais ou menos nuas — antes, interpretam um sonho, um som, um estado de alma, uma deslocação de ar, etc. Simplesmente levados a exageros de escola, lutando com as dificuldades duma ânsia que, se fosse satisfeita, seria genial, as suas obras derrotam, espantam, fazem rir os levianos. Entretanto, meu caro, tão estranhos e incompreensíveis são muitos dos sonetos admiráveis de Mallarmé. E nós compreendemo-los. Porquê? Porque o artista foi genial e realizou a sua intenção. Os cubistas talvez ainda não a realizassem. Eis tudo." (Cartas a Fernando Pessoa, vol.I, Ática, Lisboa, 1978, p.80). Fica ainda o registo do célebre comentário de Sá-Carneiro à catedral da Sagrada Família, em Barcelona, que classifica como uma "Catedral Paúlica (...) Sim! Pleno paulismo — quase cubismo até". Sá-Carneiro deixou-nos em Indícios de Oiro alguns versos que são já verdadeira poesia cubista, como o poema "Cinco Horas" que contém quadras como estas:
Minha mesa no Café,
Quero-lhe tanto... A garrida
Toda de pedra brunida
Que linda e que fresca é!
Um sifão verdade no meio
E, ao seu lado, a fosforeira
Diante ao meu copo cheio
Duma bebida ligeira.
(Eu bani sempre os licores
Que acho pouco ornamentais:
Os xaropes têm cores
Mais vivas e mais brutais).
Em comentário a este poema, Alfredo Margarido nota que "não é difícil reconhecer a analogia com a pintura cubista, que fez do café, do seu mobiliário e dos objectos que aí circulam o centro vital da sua busca plástica. Por outro lado, o poema de Sá-Carneiro pertence a um registo inteiramente visual, como se o poeta estivesse a elaborar um desenho onde o carvão fosse alegrado pelas cores dos xaropes" (1990, p.101).
Fernando Pessoa esteve igualmente atento a este nova estética, embora sem a adoptar como modelo de escrita. Registam-se apenas alguns comentários e raros versos soltos próximos do cubismo. Em 1915, Pessoa escreve um "Manifesto", onde regista as diferenças entre "cubismo", "interseccionismo" e "futurismo": "Intersecção do Objecto consigo próprio: cubismo. (Isto é, intersecção dos vários aspectos do mesmo Objecto uns com os outros). Intersecção do Objecto com as ideias objectivas que sugere: Futurismo. Intersecção do Objecto com a nossa sensação d'ele: Interseccionismo, propriamente dito; o nosso." (in Pessoa Inédito, orientação, coordenação e prefácio de Teresa Rita Lopes, Livros Horizonte, Lisboa, 1993). Álvaro de Campos, num dos poemas dedicados a Walt Whitman, "Futilidade, irrealidade, (...) estática de toda a arte" (s.d.), esboça um poema de inspiração cubista:
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Poema que esculpisse em Móvel e Eterno a escultura,
Poema que (...)se palavras
Que (...) ritmo o canto, a dança e (...)
Poema que fosse todos os poemas,
Que dispensasse bem outros poemas,
Poema que dispensasse a Vida.
Irra, faço o que quero, estorça o que estorça no meu ser central,
Force o que force em meus nervos industriados a tudo,
Maquine o que maquine no meu cérebro furor e lucidez,
Sempre me escapa a coisa em que eu penso,
Sempre me falta a coisa que (...) e eu vou ver se me falta,
Sempre me falta, em cada cubo, seis faces,
Quatro lados em cada quadrado do que quis exprimir,
Três dimensões na solidez que procurei perpetuar...
Sempre um comboio de criança movido a corda, a corda,
Terá mais movimento que os meus versos estáticos e lidos,
Sempre o mais verme dos vermes, a mais química célula viva
Terá mais vida, mais Deus, que toda a vida dos meus versos,
Nunca como os duma pedra todos os vermelhos que eu descreva,
Nunca como numa música todos os ritmos que eu sugira!
Nunca como (...)
Eu nunca farei senão copiar um eco das coisas,
O reflexo das coisas reais no espelho baço de mim.
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 (Álvaro de Campos - Livro de Versos, edição crítica de Teresa Rita Lopes, Estampa, Lisboa, 1993)
De uma forma geral, a literatura cubista entende o poema como um objecto artisticamente autónomo, evitando o descritivo e privilegiando as descontinuidades e a fragmentaridade das ideias e dos versos. Não ordena os registos da memória, não narra o contínuo histórico, não opta por lirismos fáceis, não escreve sobre sentimentalismo amorosos. Graficamente, desafiam as convenções da escrita, não respeitam a gramática nem a prosódia, preferem a paródia da representação tradicional dos objectos.
http://www.fcsh.unl.pt/edtl/bullet3c.gifCALIGRAMA; COLAGEM; CREACIONISMO;  FUTURISMO; MODERNISMO
Bib.: Alfredo Margarido: "O cubismo apaixonado de Mário de Sá-Carneiro", Colóquio-Letras, 117-118 (1990); Annette Thau: "Max Jacob and Cubism", La Révue des Lettres Modernes, 474-478 (1976); Blas Matamoro: "Apollinaire, Picasso y el cubismo poetico", Cuadernos Hispanoamericanos: Revista Mensual de Cultura Hispánica, 492 (1991); C. Gray: Cubist Aesthetic Theories (1953); Cubisme et littérature, número especial de Europe: Revue littéraire mensuelle, nº638-39 (1982); E. Frye: Cubism (1978); Germana Orlandi Cerenza: "Cubismo letterario", in Letteratura francese contemporanea: Le correnti d'avanguardia, ed. por Anjel Jannini Pasquale e Aldo Bertozzi Gabriele (1982); G. Lemaître: From Cubism to Surrealism in French Literature (1941); G. Kamber: Max Jacob and the Poetics of Cubism (1971); G. de Torre: Guillaume Apollinaire. Su vida y su obra y las teorías del cubismo (1946); Jennifer Pap: "The Cubist Image and the Image of Cubism", in The Image in Dispute: Art and Cinema in the Age of Photography ed. por Andrew Dudley (1997); Jeremy Gilbert Rolfe:  "Irreconcilable Similarities: The Idea of Nonrepresentation", in Signs of Change: Premodern, Modern, Postmodern, ed. por Barker Stephen (1996); Leland Guyer: "Fernando Pessoa and the Cubist Perspective", Hispania: A Journal Devoted to the Interests of the Teaching of Spanish and Portuguese, Greeley, CO, 70, 1 (1987); Peter Nicholls: "From Fantasy to Structure: Two Moments of Literary Cubism", Forum for Modern Language Studies, 28, 3 (1992); R. Admussen: "Nord-Sud and Cubist Poetry, JAAC, 27 (1968); Stephen Scobie: "Apollinaire and the Naming of Cubism", Canadian Review of Comparative Literature/Révue Canadiénne de Littérature Compareé, 5 (1978); Uta Margarete Saine: "The Collage in Cubist, Dada, and Surrealist Art and Literature: Toward an Interdisciplinary Aesthetic", Yearbook of Interdisciplinary Studies in the Fine Arts, 1 (1989); W. Bohn: The Aesthetics of Visual Poetry (1914-1928) (1986); W. Sypher: From Rococo to Cubism in Art and Literature (1960).
Carlos Ceia
www.fcsh.unl.pt 
Definição
Movimento artístico cuja origem remonta à Paris e a 1907, ano do célebre quadro de  Pablo Picasso (1881 - 1973), Les Demoiselles d'Avignon. Considerado um divisor de águas na história da arte ocidental, o cubismo recusa a idéia de arte como imitação da natureza, afastando noções como perspectiva e modelagem, assim como qualquer tipo de efeito ilusório. "Não se imita aquilo que se quer criar", dirá Georges Braque (1882 - 1963), outro expoente do movimento. A realidade plástica anunciada nas composições de Braque leva o crítico Louis Vauxcelles a falar em realidade construída com "cubos" no jornal Gil Blas, 1908, o que batiza a nova corrente. Cubos, volumes e planos geométricos entrecortados reconstroem formas que se apresentam, simultaneamente, de vários ângulos nas telas. O espaço do quadro - plano sobre o qual a realidade é recriada - rejeita distinções entre forma e fundo ou qualquer noção de profundidade. Nele, corpos, paisagens e sobretudo objetos como garrafas, instrumentos musicais e frutas, têm sua estrutura cuidadosamente investigada nos trabalhos de Braque e Picasso, tão afinados em termos de projeto plástico que não é fácil distinguir as telas de um e de outro. Mesmo assim, nota-se uma ênfase de Braque nos elementos cromáticos e, de Picasso, em aspectos plásticos. A ruptura empreendida pelo cubismo encontra suas fontes primeiras na obra de Paul Cézanne (1839 - 1906) - e em sua forma de construção de espaços por meio de volumes e da decomposição de planos - e também na arte africana, máscaras, fotografias e objetos. Alguns críticos chamam a atenção para o débito do movimento em relação a Henri Rousseau (1844 - 1910), um dos primeiros a subverter as técnicas tradicionais de representação: perspectiva, relevo e relações tonais.
O cubismo se divide em duas grandes fases. Até 1912, no chamado cubismo analítico, observa-se uma preocupação predominante com as pesquisas estruturais, por meio da decomposição dos objetos e do estilhaçamento dos planos, e forte tendência ao monocromatismo. Em 1912-1913, as cores se acentuam e a ênfase dos experimentos é colocada sobre a recomposição dos objetos. Nesse momento do cubismo sintético, elementos heterogêneos - recortes de jornais, pedaços madeira, cartas de baralho, caracteres tipográficos, entre outros - são agregados à superfície das telas, dando origem às famosas colagens, amplamente utilizadas a partir de então. O nome do espanhol Juan Gris (1887 - 1927) liga-se a essa última fase e o uso do papel-colado torna-se parte fundamental de seu método. Outros pintores se associaram ao movimento: Fernand Léger (1881 - 1955), Robert Delaunay (1885 - 1941), Sonia Delaunay-Terk (1885 - 1979), Albert Gleizes (1881 - 1953), Jean Metzinger (1883 - 1956), Roger de la Fresnaye (1885 - 1925) etc. Na escultura, por sua vez, a pauta cubista marca as obras de Alexander Archipenko (1887 - 1964), Pablo Gargallo (1881 - 1934), Raymond Duchamp-Villon (1876 - 1918), Jacques Lipchitz (1891 - 1973), Constantin Brancusi (1876 - 1957), entre outros. O ano de 1914 remete ao fim da colaboração entre Picasso e Braque e a uma atenuação das inovações cubistas, embora os procedimentos introduzidos pelo movimento estejam na base de experimentos posteriores como os do futurismo, do construtivismo, do purismo e do vorticismo. Desdobramentos do léxico cubista alcançam não apenas as artes visuais, mas também a poesia, com Guillaume Apollinaire (1880 - 1918) e a música, nas criações de Stravinsky.
O cubismo pode ser considerado uma das principais fontes da arte abstrata e suas pesquisas encontram adeptos no mundo todo. No Brasil, influências do cubismo podem ser observados em parte dos artistas reunidos em torno do modernismo de 1922, em alguns trabalhos de Vicente do Rego Monteiro (1899 - 1970), Antonio Gomide (1895 - 1967) e sobretudo na obra de Tarsila do Amaral (1886 - 1973). O aprendizado com André Lhote (1885 - 1962), Gleizes e, sobretudo, com Léger reverbera nas tendências construtivas da obra de Tarsila, em especial na fase pau-brasil. A pintora vai encontrar em Léger, especialmente em suas "paisagens animadas", motivos ligados ao espaço da vida moderna - máquinas, engrenagens, operários das fábricas etc. - e o aprendizado de formas curvilíneas. Emblemáticas do contato com o mestre francês são as telas criadas em 1924, como Estrada de Ferro Central do Brasil e Carnaval em Madureira. Não se pode mencionar o impacto do cubismo entre nós sem lembrar ainda de parte das produções de Clóvis Graciano (1907 - 1988) e de um segmento considerável da obra de Candido Portinari (1903 - 1962), evidente em termos de inspiração picassiana.
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O CUBISMO

O Cubismo foi uma tendência artística moderna, surgida em 1906, segundo a qual, o quadro (ou escultura) devem ser considerados como factos plásticos independentes da imitação directa das formas da Natureza.
A denominação de Cubisme tem origem numa observação feita por Matisse junto de um quadro de uma paisagem de Georges Braque no Salão de Outono de 1908. Cézanne, que nunca renunciara completamente ao uso da perspectiva tradicional, nem a pintar de outro modo que não fosse a partir da Natureza, tinha como princípio que tudo na Natureza podia ser traduzido (abstraído) pelas formas geométricas básicas, como o cilindro, a esfera e o cone. Georges Braque inspirara-se neste princípio, para se exprimir no seu quadro, através de planos fortemente acusados e sem recorrer à técnica do modelado. Matisse referira-se a “petits cubes”, junto ao crítico de arte Louis Vauxcelles, que, viria a utilizar num artigo o termo Cubisme, pela primeira vez.
Pablo Picasso, por seu lado, havia pintado desde 1906/7, sob influência da Arte Negra, Les Demoiselles d’Avignon, uma pintura de simplificações violentas e elementares. (A Arte Negra havia sido descoberta por Maurice Vlaminck e propagandeada pelos Fauves.)

A Origem do Cubismo:

Grupe du Bateau-Lavoir”, o grupo de artistas do Bateau-Lavoir (o lavadouro-flutuante) constituiu-se numa casa da praça Ravignan, em Paris, no bairro de Montmartre, tinha uma escadaria em madeira e no interior algumas particularidades que lhe valeram este nome.
Picasso tinha-a alugado desde 1904.
Picasso, Braque, Juan Gris, Max Jacob e Van Dongen habitaram esta casa onde se deu a invenção do Cubismo.
Fernand Leger juntou-se ao grupo em 1908.
De 1908 a 1914 aí se encontravam também os poetas e os artistas amigos de Guillaume Apollinaire. Guillaume Apollinaire, 1880/1918, foi um poeta e escritor francês que publicou revistas, livros e romances, e ensaios e críticas sobre pintura como les Peintres cubistes em 1913. Publicara em 1911, o “Cortège de Orphée”.
Apollinaire esteve á cabeça das vanguardas do cubismo literário e do cubismo artístico. Introduziu algumas audacias formais, como a supressão da pontuação nos seus poemas e adoptou curiosas disposições tipográficas. Viria a ser precursor do Surrealismo. É considerado o primeiro dos poetas modernos franceses, tendo as suas obras influenciado profundamente a poesia moderna.

Princípios Estéticos:

No Cubismo pretende-se representar os objectos retirando-lhes, abstraindo, a sua “aparência imediata”; a aparência das coisas, e, como adversários da representação directa dos objectos, pretendiam partindo da ciência e dos seus métodos, criar uma arte inteiramente nova, que se dirigisse especialmente á inteligência e ao espírito.
(O Cubismo rejeita os efeitos pictóricos sedutores e a representação de sensações ao modo Impressionista).
O pintor Cubista, representa simultaneamente na tela, vários aspectos de um mesmo objecto, (Simultaneísme: a representação de vários aspectos de um objecto na mesma tela; forma de expressão poética que procura exprimir a multitude fazendo falar ao mesmo tempo, no poema, várias vozes misturadas com os ruídos do mundo; é também uma técnica cinematográfica e de romance), ou seja, representa aquilo que conhece ou entende ser o objecto, e não apenas a imagem óptica desse objecto.
O Cubismo rejeita a representação num espaço pictórico projectado para além do plano do quadro, (como a perspectiva Renascentista, que se baseava num espaço ilusionista para lá do plano da tela), em vez disso, cria um espaço “estreito”, um campo pictórico que aceita a materialidade objectiva da tela, e nesta desenvolve uma superfície onde os objectos plásticos se situam e se interrelacionam. Esta característica virá a marcar profundamente a Arte de todo o século XX.
Em 1912 surge a técnica inovadora da collage, tentando demonstrar que o quadro pode ser um objecto capaz de sensibilizar o observador, apenas pela simples disposição, (com uma certa ordem determinada pelo artista), dos elementos materiais que o compõem; e que, por outro lado, não é necessário que estes elementos tenham qualquer afinidade entre si (areia, vidro, espelho, tecido, etc.), podendo mesmo ser objectos do quotidiano (fragmentos de papel de jornal, papel de parede, etc.), agora investidos com um valor estético.
As letras e os números, quer pintados sobre a tela, quer impressos, bem como as texturas, aparecem como elementos meramente estéticos ou formais, ou ainda como evocadores de outras realidades, literárias, jornalísticas, sociais, etc.
O fundamental é a criação de um “facto plástico”, um Object d’Art, uma situação estética concreta, independente de toda a intenção de imitação.
Após ter início com Braque e Picasso, vieram a aderir ao Cubismo, Fernand Léger em 1908; Robert Delaunay, Gleizes, Le Fauconier, Metzinger, Francis Picabia e o escultor russo Archipenko em 1909; Roger La Fresnaye, Marcoussis, Jacques Villon (Gaston Duchamp) e seu irmão Marcel Duchamp em 1910; a adesão de Juan Gris e a fundação do “Salon de la Section d’Or”, em 1911.
Em 1912, Gleizes e Metzinger publicam o livro Du cubisme e em 1913 Apollinaire publica les Peintres cubistes, méditations esthétiques.
A partir de 1913, o Cubismo difunde-se pela Europa e pela América.
O Cubismo foi um movimento em pintura e escultura, e a sua acção influenciou consideravelmente o gosto e a moda, a partir de 1920, especialmente nas Artes Decorativas.
O Cubismo é um Movimento Abstracionista, ou um Abstracionismo, e não uma Arte figurativa, visto já não se basear directamente na imitação da Natureza, mas, também não será ainda uma Arte Abstracta, porque a Arte do Cubismo se refere ainda a objectos reais, quer formalmente, quer nos próprios títulos que os artistas atribuíram ás suas obras.
O Cubismo está pois a meio caminho entre a Arte Figurativa e a Arte Abstracta, a isso se atribui o termo de Abstracionismo. O Abstracionismo é pois, uma “tendência para a arte não figurativa”.
O Cubismo como movimento de Avant-Garde, dura de 1910 a 1914, e podemos distinguir as seguintes fases:
- Pré-Cubismo ou Fase Cézaniana 1907/9. Influência da obra final de Cézanne, especialmente as suas paisagens na obra de Picasso e Braque, (“les petits cubes”). Esta fase é anterior ao Movimento Cubista.
1º- Cubismo Analítico 1910/13. Vistas simultâneas em várias posições dos objectos, fragmentação dos objectos; cores escuras, cinzentos e castanhos pintados em planos angulosos; experimentalismo, introdução de letras e números, inicialmente pintados e mais tarde em papeis colados sobre a tela, o papier collé em 1912 (a invenção desta técnica deve-se a Matisse); mais tarde introdução de outros materiais e texturas, a collage.
2º- Cubismo Sintético 1913/14. A pintura perde o caracter fragmentário para que as várias partes e texturas se submetam a uma composição global, reintrodução da cor.
Período Azul:
Logo após chegar a Paris vindo de Barcelona, Picasso começa a pintar telas em que o tom azul é dominante ou surge espalhado pela tela. Este pigmento evoca um ambiente sombrio, que foi provocado pelo suicidio do seu amigo Casagemas. O período azul é muito sentimental, mas Picasso não tinha ainda vinte anos, encontrava-se longe de casa pela primeira vez e vivia com dificuldades
Período Rosa:
Em 1905-6 a paleta de Picasso torna-se muito mais clara, tomando um distintivo tom rosa ou bege. Os temas são menos sombrios e depressivos. Aparecem aqui as primeiras pinturas com artistas de circo e palhaços que virão a reaparecer esporadicamente ao longo de toda a carreira do pintor.
Cubismo Analítico:
Em 1910, Picasso e Braque desenvolvem o Cubismo como um modo de expressão inteiramente novo. Na fase inicial, conhecida como Cubismo Analítico, os objectos são desmontados nos seus componentes. Nalguns casos, isto era um modo de representar vários pontos de vista simultaneamente; noutras obras, era um modo de visualmente representar os factos relativos ao objecto, em vez da sua limitada representação mimética. O objectivo do Cubismo Analítico era o de produzir uma imagem conceptual de um objecto em vez da sua imagem perceptiva ou visual. No seu ponto mas alto, atingiu níveis de expressão que ameaçam ultrapassar a compreensão do observador, “contemplando o abismo da abstracção”, Picasso, piscou os olhos... e recomeçou a colocar as peças no sítio.
Cubismo Sintético:
Em 1912, Picasso leva a representação conceptual do Cubismo á sua conclusão lógica, através da incorporação de um bocado de pano na tela. Isto foi um momento capital para a arte moderna. Através da inclusão do mundo real na pintura, Picasso e Braque abriram o caminho para uma exploração do significado da Arte que marcaria todo o século.
Entre as guerras:
Com a Primeira Grande Guerra a colaboração entre Picasso e Braque termina. Após a Guerra, Picasso reflectindo a desilusão e o choque da sociedade com os seus horrores tecnológicos, retoma um modo de representação classicista. Ao mesmo tempo, no entanto, continua a explorar os caminhos do Cubismo. Nos anos trinta Picasso aproxima-se do Movimento Surrealista, mas apesar do convite de André Breton, Picasso manter-se-á afastado durante a sua vida, de qualquer movimento organizado de avant-garde.
Picasso, um mito:
Nos finais dos anos 30, Picasso é o mais famoso pintor do mundo. Pinta a brutalidade da agressão Fascista na guerra Civil Espanhola na sua monumental “Guernica” e as mulheres de Picasso marcam fortemente a sua presença na sua obra.
Obras finais:
Nas duas ultimas décadas da sua longa carreira, Picasso torna-se muito produtivo, executando várias obras no mesmo dia que indica com o dia e o mês e um numero (I, II, III, etc.). O período final de Picasso caracteriza-se por uma expressão artística pessoal conseguida quase sem esforço, mas executando obras de grande qualidade. Veja-se o seu ultimo auto-retrato como um tremendo comentário á nossa própria mortalidade.

Influencias do Cubismo em França:

- Orfismo ou Cubismo Orfico, Simultanéisme, fundado por Sónia e Robert Delaunay em 1912/14.
- Section d’Or, em Paris, 1911. A Section d’Or foi um movimento cubista que expôs pela primeira vez em 1912, incluindo Robert Delaunay, mas não os dois fundadores do Cubismo, Picasso e Braque. Os seus principais intérpretes foram Gleizes e Metzinger. O titulo foi sugerido por Jacques Villon, “Secção de Ouro” a partir de um tratado de pintura do século XVI.
- Purismo, movimento de cubismo sintético fundado em 1915 pelos pintores Amédée Ozenfant e Charles Edouard Jeanneret (mais conhecido como arquitecto sob o pseudónimo de Le Corbusier). Publicaram um manifesto intitulado Après le Cubisme em 1918. O Purismo foi uma tentativa de reformar uma fase mais tardia do Cubismo, mais decorativista, pelo retorno a uma linguagem formal mais simples e utilizando formas básicas extremamente genéricas.
- École de Paris, a designação de Escola de Paris refere-se geralmente aos pintores pós-cubistas que assimilaram este estilo, e que sendo de origem estrangeira se fixaram em Paris. É uma designação geracional e não estilística. Atribui-se algumas vezes ao seu estilo o nome de Abstraccionismo lírico. Arpad Szenes e Vieira da Silva pertencem á Escola de Paris.

Influencias do Cubismo na Europa e nos E.U.A.:

- Futurismo, movimento fundado em 1909/16 pelo poeta Italiano Filippo Marinetti, que incluía Umberto Boccioni, Carlo Carrà, Luigi Russolo, Giacomo Balla, Gino Severini e o arquitecto Sant-Elia (A influência Cubista é importante apenas numa primeira fase).
- Cubo-Futurismo, movimento Futurista Russo fundado por Mikhail Larionov, Natalia Goncharova e Kasimir Malevich (mais tarde Vladimir Tatlin) em 1911/14. Tem origem no grupo "Valete de Ouros" (do russo Bubnovii Valet), fundado em Moscovo e que expôs pela primeira vez em 1910 e onde se incluíam obras de Delaunay e Léger.
- Escola de Nova Iorque, os artistas americanos deste grupo foram bastante influenciados pela obra de Picasso. É de notar que a sua busca de um espaço pictórico estreito e o entendimento da obra de arte como uma existência própria, autónoma e material, para lá da sua essência, é herdada do Cubismo.
- Abstracção Lírica: Após 1945, e especialmente em França, a Abstracção Geométrica que toma o nome de l'Art Concret virá a confrontar-se com uma nova corrente que vai ter variadas denominações dadas pelos  críticos: l'abstraction lyrique, tachisme, l'art informel, matérisme, un art outre, estes artistas praticam uma pintura de abstracção expressiva que se tornará dominante internacionalmente a partir de 1955. Genericamente poderemos dizer que a Abstracção lírica é uma forma de Expressionismo Abstracto onde os valores formais e propriamente pictóricos (e portanto a herança Cubista) se sobrepõem aos valores Gestualistas. Os seus praticantes são geralmente Europeus.

Influencias do Cubismo em Portugal:


- Em Portugal a influência Cubista enquadra-se no chamado Primeiro Modernismo (ver texto sobre o Modernismo em Portugal).


  • E. S. J. O. HA Prof. Melo