sábado, 5 de abril de 2014

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Avaliar para ensinar melhor

Da análise diária dos alunos surgem maneiras de fazer com que todos aprendam

Denise Pellegrini (dpellegrini@fvc.org.br)
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Observação atenta e constante: bases para uma avaliação que privilegia a aprendizagem e leva em conta o ritmo de cada estudante. Foto: Gilvan Barreto
Observação atenta e constante: bases para uma avaliação que privilegia a aprendizagem e leva em conta o ritmo de cada estudante
Quem procura um médico está em busca de pelo menos duas coisas, um diagnóstico e um remédio para seus males. Imagine sair do consultório segurando nas mãos, em vez da receita, um boletim. Estado geral de saúde nota 6, e ponto final. Doente nenhum se contentaria com isso. E os alunos que recebem apenas uma nota no final de um bimestre, será que não se sentem igualmente insatisfeitos? Se a escola existe para ensinar, de que vale uma avaliação que só confirma "a doença", sem identificá-la ou mostrar sua cura?

Assim como o médico, que ouve o relato de sintomas, examina o doente e analisa radiografias, você também tem à disposição diversos recursos que podem ajudar a diagnosticar problemas de sua turma. É preciso, no entanto, prescrever o remédio. "A avaliação escolar, hoje, só faz sentido se tiver o intuito de buscar caminhos para a melhor aprendizagem", afirma a consultora Jussara Hoffmann.

Ênfase no aprender
Não é de hoje que existe esse modelo de avaliação formativa. A diferença é que ele é visto como o melhor caminho para garantir a evolução de todos os alunos, uma espécie de passo à frente em relação à avaliação conhecida como somativa.

Para muitos professores, antes valia o ensinar. Hoje a ênfase está no aprender. Isso significa uma mudança em quase todos os níveis educacionais: currículo, gestão escolar, organização da sala de aula, tipos de atividade e, claro, o próprio jeito de avaliar a turma.

O professor deixa de ser aquele que passa as informações para virar quem, numa parceria com crianças e adolescentes, prepara todos para que elaborem seu conhecimento. Em vez de despejar conteúdos em frente à classe, ele agora pauta seu trabalho no jeito de fazer a garotada desenvolver formas de aplicar esse conhecimento no dia-a-dia.

Na prática, um exemplo de mudança é o seguinte: a média bimestral é enriquecida com os pareceres. Em lugar de apenas provas, o professor utiliza a observação diária e multidimensional e instrumentos variados, escolhidos de acordo com cada objetivo.

A avaliação formativa não tem como pressuposto a punição ou premiação. Ela prevê que os estudantes possuem ritmos e processos de aprendizagem diferentes. Por isso, o professor diversifica as formas de agrupamento da turma.

Conhecer o aluno
A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), aprovada em 1996, determina que a avaliação seja contínua e cumulativa e que os aspectos qualitativos prevaleçam sobre os quantitativos. Da mesma forma, os resultados obtidos pelos estudantes ao longo do ano escolar devem ser mais valorizados que a nota da prova final.

"Essa nova forma de avaliar põe em questão não apenas um projeto educacional, mas uma mudança social", afirma Sandra Maria Zákia Lian Sousa, da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo. "A mudança não é apenas técnica, mas também política." Tudo porque a avaliação formativa serve a um projeto de sociedade pautado pela cooperação e pela inclusão, em lugar da competição e da exclusão. Uma sociedade em que todos tenham o direito de aprender.

Para que a avaliação sirva à aprendizagem é essencial conhecer cada aluno e suas necessidades. Assim o professor poderá pensar em caminhos para que todos alcancem os objetivos. O importante, diz Janssen Felipe da Silva, pesquisador da Universidade Federal de Pernambuco, não é identificar problemas de aprendizagem, mas necessidades.
Teoria
Quando a LDB estabelece que a avaliação deve ser contínua e priorizar a qualidade e o processo de aprendizagem (o desempenho do aluno ao longo de todo o ano e não apenas numa prova ou num trabalho), usa outras palavras para expressar o que o jargão pedagógico convencionou chamar de avaliação formativa. O primeiro a usar essa expressão foi o americano Michael Scriven, em seu livro Medotologia da Avaliação, publicado em 1967. Segundo ele, só com observação sistemática o educador consegue aprimorar as atividades de classe e garantir que todos aprendam.

Muitos vêem a avaliação formativa como uma "oposição" à avaliação tradicional, também conhecida como somativa ou classificatória. Esta se caracteriza por ser realizada geralmente ao final de um programa, com o único objetivo de definir uma nota ou estabelecer um conceito - ou seja, dizer se os estudantes aprenderam ou não e ordená-los. Na verdade as duas não são opostas mas servem para diferentes fins. A avaliação somativa é o melhor jeito de listar os alunos pela quantidade de conhecimentos que eles dominam - como no caso do vestibular ou de outros concursos. A formativa é muito mais adequada ao dia-a-dia da sala de aula.
O aluno como parceiro
Se seu objetivo é fazer com que todos aprendam, uma das primeiras providências é sempre informar o que vai ser visto em aula e o porquê de estudar aquilo. Isso é parte do famoso contrato pedagógico ou didático, aquele acordo que deve ser estabelecido logo no início das aulas entre estudantes e professor com normas de conduta na sala de aula.

A criança deve saber sempre onde está e o que fazer para avançar. Assim, fica mais fácil se envolver na aprendizagem. E dá para fazer isso até na pré-escola, desde que a maneira de dizer seja adequada à idade e ao nível de desenvolvimento da turma.

Quando o educador discute com os estudantes os objetivos de uma atividade ou unidade de ensino, dá meios para que eles acompanhem o próprio desenvolvimento.

E isso pode ser feito por meio da auto-avaliação (leia o texto ao lado). "Se o professor quer que os alunos se avaliem, deve explicitar por que e para que fazer isso. Ele precisa perceber como essa prática ajuda a direcionar todo o processo de aprendizagem", diz Janssen Felipe da Silva.

As conclusões da auto-avaliação podem servir tanto para suscitar ações individuais como para redefinir os rumos de um projeto para a classe como um todo. Esse processo pode ir além da análise do domínio de conteúdos e conceitos e mostrar como está a relação entre os colegas e com o professor.

A melhor maneira de pô-la em prática, na opinião de Janssen, é dizer à turma em que aspecto cada um deve se auto-avaliar. Uma lista de pontos trabalhados em sala pode ser apresentada aos alunos para que eles digam como se desenvolveram em relação a cada item.

Durante o processo de auto-avaliação, é importante que todos possam expor sua análise, discutir com o professor e os colegas, relatar suas dificuldades e aquilo que não aprenderam. "Nada garante que o olhar de uma criança vá ser igual ao do colega ou do professor", explica Sandra Maria Zákia Lian Sousa.

Além de ser mais um instrumento para melhorar o trabalho docente, a auto-avaliação é uma maneira de promover a autonomia de crianças e dos adolescentes. Para que isso realmente aconteça, o processo necessita ser democrático. "O aluno deve dizer sem medo de ser punido o que sabe e o que não sabe. Se ele percebe que não há punição nem exclusão, mas um processo de melhoria, vai pedir para se avaliar", garante Janssen.
Um alerta

O professor que se atém ao comportamento do estudante e o rotula acaba tendo uma atitude prejudicial. O agressivo e conversador sempre tende a ser visto dessa maneira. Assim como o atencioso e comportado. Por isso, não classifique seus alunos como se eles fossem sempre do mesmo jeito, com hábitos imutáveis - e, o mais importante, incapazes de se transformar. O ideal é tentar entender por que se comportam de determinada forma diante de uma situação. Rotular não leva a nada.
Maria de Lourdes: envolvendo os alunos na própria avaliação
No Colégio Cenecista José Elias Moreira, em Joinville, interior de Santa Catarina, a avaliação vai além de provas, trabalhos e outras atividades formais. Em dois aspectos, pelo menos, a análise do professor se completa: na observação multidimensional e na auto-avaliação dos alunos.

Maria de Lourdes Montemor Picheth, que leciona Língua Portuguesa para a 4ª série, atua assim há quatro anos. Ela começa com um diagnóstico das capacidades de escrita e de comunicação dos alunos. Depois dá um retorno a cada um. "Mostro no que deve melhorar a produção, que aspectos vamos trabalhar", explica. A seguir, os principais passos do trabalho.
Fotos: Suzete Sandin
Fotos: Suzete Sandin
1. Maria de Lourdes acredita na importância de sempre manter os alunos informados sobre o que será desenvolvido em aula e o que espera deles. Diariamente ela coloca a agenda no quadro, relatando conteúdos a serem trabalhados, atividades e objetivos da aula. "Dessa maneira, eles reconhecem progressos e dificuldades", explica.
Fotos: Suzete Sandin
2. As auto-avaliações são de dois tipos: orais e escritas. As orais são feitas quinzenalmente. Em grupo, as crianças verificam no caderno o que foi trabalhado e se realmente aprenderam aquilo. "Eles são muito sinceros e dizem se não estão bem firmes no assunto, se têm dúvidas ou se não se lembram", descreve a professora. Já a escrita acontece no final do trimestre e diz respeito a todas as disciplinas. A aluna Laís Boaventura, por exemplo, admitiu que não gostava de falar e se sentia insegura. Trabalhadas as dificuldades, a situação mudou: "Hoje sinto que sou capaz de realizar atividades que pareciam muito difíceis".

Terminada a aula, Maria de Lourdes compara a auto-avaliação das crianças com seus registros. "Se a diferença for gritante, posso não estar olhando para a criança como deveria", reflete. As questões que, na opinião da turma, não foram aprendidas são retomadas em atividades diferenciadas. Os que já atingiram determinado objetivo também participam com interesse.
Fotos: Suzete Sandin
3. Para Maria de Lourdes, conhecer o aluno em outros aspectos que não apenas os relacionados aos objetivos alcançados é essencial. Por isso ela procura sempre ouvi-los. A professora conta ainda com a possibilidade de consultar o histórico do estudante, mantido pela escola. Lá estão os relatórios dos anos anteriores.
Fotos: Suzete Sandin
4. Quem apresenta comportamento diferenciado passa por entrevista com a orientadora Sílvia do Valle Nogueira. Depois os pais são ouvidos. Um dos alunos, Vanderson dos Santos, chegou ao Elias Moreira na 4ª série, mas com sérios problemas de alfabetização. Nas entrevistas, surgiu a informação de que o garoto havia passado por várias escolas e não tinha nenhum professor como referência. "Conhecendo a história dele, pude perceber não o que ele não sabia, mas o que não tinha tido oportunidade de conhecer", comenta Maria de Lourdes.

Com base nessas informações, a professora organizou um programa para Vanderson, que também foi encaminhado ao apoio pedagógico e teve aulas extras, fora do horário regular. "Ele cresceu dois anos em um e passou normalmente para a 5ª série", comemora Maria de Lourdes. "Se tivesse avaliado apenas sua capacidade de leitura, escrita e oralidade, constataria que ele não estava alfabetizado e que deveria ser reprovado."
Trocando em miúdos
No trabalho de Maria de Lourdes, a avaliação visa à melhoria da aprendizagem porque...

. a professora compartilha os objetivos do trabalho com a turma;

. os alunos avaliam a si próprios e aos colegas, analisam os próprios progressos, sentem-se motivados a avançar e vêem limitações como algo a ser superado, não punido;

. a professora observa o aluno sob vários aspectos — temperamento, expectativas, experiências de vida — , identificando necessidades e não "problemas" de aprendizagem;

. os alunos sentem-se incluídos no grupo, têm diminuído seu sentimento de frustração por não acompanhar as atividades e passam a participar mais das aulas.
 "É difícil mudar, mas compensa"
Se você acha que é difícil mudar a maneira de avaliar, veja como a consultora Jussara Hoffmann responde às principais dúvidas dos professores.

É possível alterar o paradigma da avaliação diante das exigências burocráticas do sistema? Não é melhor começar por alterá-las?
As exigências maiores do sistema são justamente uma avaliação contínua, o privilégio aos aspectos qualitativos e aos regimes não seriados. É isso o que diz a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. No entanto, não são os estatutos que levam o professor a tomar consciência do significado de qualquer mudança.

O professor não acaba responsabilizado pelo fracasso de alunos desinteressados e desatentos?
O professor não deve ser responsável pelos alunos, mas comprometido com a aprendizagem. Isso ele só faz se estiver atento nas respostas, nas dificuldades e nos interesses de cada um, não se baseando na média do grupo.

Como é possível alterar a prática considerando a existência de classes numerosas e o reduzido tempo do educador com as turmas?
Por meio de experiências educativas em que os alunos interajam. Isso inclui sistemas de monitorias, trabalhos em duplas ou em grupos diversificados. Durante as atividades coletivas, ele circula, insiste na participação de um e de outro. Se a experiência interativa for significativa, o reflexo será percebido nas atividades individuais. O que ele não pode é querer dar uma aula particular a cada um dos 40 alunos.

Um professor desenvolveu um conteúdo e 70% dos alunos aprenderam. Se continuar trabalhando com os 30% restantes ele vai atrasar a maioria?
Não! Se o professor organizar uma atividade suficientemente rica e desafiadora, os 70% estarão sempre evoluindo e ampliando conhecimentos, enquanto os demais poderão construir o entendimento.

Em que medida é possível formar alunos competentes sem uma prática avaliativa exigente e classificatória, isto é, competitiva?
O modelo que vem pautando a escola é o do vestibular, que exacerba a competitividade entre os alunos. Esse modelo só favorece dois ou três numa sala de aula, porque todos os outros são "menos" que esses. A formação de um profissional competente está atrelada à autonomia moral, ao desenvolvimento intelectual, a uma auto-estima elevada. E a competição na escola não favorece isso.

Dá certo substituir as notas por relatórios ou pareceres?
Respondo com outra pergunta. Dá certo relatar a aprendizagem de um aluno por meio de números? Eles são subjetivos e genéricos e não refletem com precisão muitas situações de aprendizagem que ficam claras em pareceres (leia o texto ao lado). Considero a avaliação o acompanhamento do processo de construção de conhecimento. E as médias não permitem isso.
Roberta: relatos da avaliação na forma de pareceres
Nada de notas. Desde o ano passado, a professora Roberta Rodrigues, da Escola Municipal dos Coelhos, no Recife, relata as avaliações em forma de pareceres. A medida é parte da mudança na proposta pedagógica implantada na rede que instituiu os ciclos. Agora, em vez de calcular médias, ela redige relatórios sobre cada aluno do 2º ano do 2º ciclo.

"Eu já não me prendia só às provas e às notas. Me guiava pelo que o aluno apresentava em sala de aula", lembra-se. Só que antes ela atribuía notas de 0 a 10. "Agora sei que o 8 do João não era igual ao 8 da Maria. Eles eram diferentes, embora tivessem a mesma nota." Roberta está animada com a nova maneira de trabalhar, apesar de ter mais tarefas. "É preciso registrar tudo o que acontece com as crianças, mas é compensador." Assim ela consegue resgatar o aluno que estava no cantinho da sala e que, no sistema seriado, seria reprovado. "É muito melhor ensinar a ler, a resolver problemas, a ter uma visão crítica de mundo do que dar uma nota que só serve para aprovar ou reprovar." Confira a seguir os principais passos do trabalho de Roberta.

1. Na sala de aula, as carteiras ficam na maior parte do tempo em "U", para que a professora esteja próxima de todos. Além da observação, ela utiliza instrumentos de avaliação diversificados. Cada um deles se adapta ao conteúdo estudado ou a seu objetivo no momento. Nos debates e nas intervenções das crianças durante as aulas, Roberta fica atenta na expressão oral. Nos exercícios escritos, na coerência e coesão dos textos ou no raciocínio em Matemática, por exemplo. Nos trabalhos em grupo, na solidariedade.

2. Roberta corrige em classe as atividades de cinco crianças, em média, por dia. Estabelecendo um rodízio, por sorteio, avalia todos com o mesmo objetivo, porém em atividades diferentes. Na hora da correção, vai perguntando os caminhos que cada um utilizou e pensa nas estratégias para fazê-los evoluir. Tudo é anotado.

3. Após as aulas, Roberta reorganiza as conclusões dessas conversas num caderno de apoio. Também coloca ali os pontos observados no decorrer da aula e que foram anotados precariamente numa tabelinha. Os registros oficiais são feitos na caderneta da escola, em que não há lugar para notas, mas para os conteúdos trabalhados, as competências desenvolvidas e as estratégias utilizadas. Os relatórios são construídos durante todo o ano e servem de base para o planejamento diário. As dificuldades percebidas são trabalhadas, por exemplo, em monitorias e atividades em grupo. As crianças mais adiantadas auxiliam os colegas que ainda não compreenderam determinados conteúdos. Para os próximos professores esses registros serão valiosos. "Eles saberão exatamente com quem vão trabalhar", resume Roberta.
Trocando em miúdos
No trabalho de Roberta, a avaliação visa à melhoria da aprendizagem porque...

. a professora usa a avaliação para investigar como os alunos estão aprendendo e o que deve ser feito para melhorar;

. os alunos percebem que a avaliação tem como objetivo fazer todos aprenderem e vêem o trabalho em sala ganhar sentido;

. a professora observa os estudantes individualmente, procurando sanar as dificuldades específicas de cada um;

. os alunos têm a oportunidade de desenvolver atividades que objetivam resolver suas dúvidas e progredir.
Instrumentos diversificados
Na avaliação formativa nenhum instrumento pode ser descrito como prioritário ou adotado como modelo. A diversidade é que vai possibilitar ao professor obter mais e melhores informações sobre o trabalho em classe (leia o texto ao lado). "A avaliação precisa ser processual, contínua e sistematizada", diz Janssen Felipe da Silva. Nada pode ser aleatório, nem mesmo a observação constante. Ela só será formativa para o aluno se ele for comunicado dos resultados.

Janssen explica ainda que os instrumentos utilizados devem ter coerência com a prática diária. "Não é possível ser construtivista na hora de ensinar e tradicional na hora de avaliar", explica. Outro ponto a ser lembrado por todo professor: cada conteúdo ou matéria exige uma forma diferente de ensinar e também de avaliar. "Não posso fazer uma prova e perguntar: você é solidário?", exemplifica. "É preciso criar uma situação em que seja possível verificar isso."

Os instrumentos devem contemplar também as diferentes características dos estudantes. "Quem avalia sempre por meio de seminários prejudica aquele que tem dificuldades para se expressar oralmente", exemplifica. A viabilidade é outro ponto essencial. Ao planejar um questionário, deve-se evitar textos ambíguos e observar o tempo que será necessário para respondê-lo adequadamente.

Qualquer que seja o instrumento que adote, o professor deve ter claro se ele é relevante para compreender o processo de aprendizagem da turma e mostrar caminhos para uma intervenção visando sua melhoria.

Rodrigo: diferentes maneiras de avaliar
Várias estratégias de ensino, várias formas de avaliar. Nisso se baseiam as aulas de História para a 8ª série do professor Rodrigo Perla Martins, do Colégio Monteiro Lobato, em Porto Alegre. Aplicando uma série de tarefas avaliativas, ele consegue analisar formas de expressão do aluno, como ler e interpretar, redigir, desenhar, buscar informações. Os instrumentos são aplicados de acordo com o tema trabalhado e todas as impressões viram relatório.

O objetivo é sempre o mesmo: fazer Rodrigo descobrir como levar a turma a avançar mais.
1. Um dos temas trabalhados no ano passado foi navegações. Numa das avaliações, Rodrigo pediu uma produção visual, um desenho ou uma história em quadrinhos em que os alunos tinham de descrever o encontro entre nativos e portugueses na chegada destes ao Brasil, em 1500. "A maneira como os dois povos se relacionaram, o cenário, as roupas, os hábitos e a língua deveriam estar presentes na cena", diz Rodrigo.

2. Em seguida Rodrigo trabalhou os reflexos no Brasil de hoje da chegada dos colonizadores. É constante em seu planejamento a ponte entre fatos históricos e a atualidade. Depois de ler reportagens de jornais, a turma escreveu textos sobre os reflexos da colonização portuguesa na vida dos nativos hoje e sobre a relação entre as capitanias hereditárias e o Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra. Em exercícios como esse, ele pode analisar se os estudantes conseguem estabelecer relações, se os argumentos têm coerência, se os dados citados são precisos e se saem do senso comum.

3. Uma das estratégias de ensino de Rodrigo são os seminários, leituras de textos acompanhadas por ele. Um desses textos foi a carta de Pero Vaz de Caminha. "Surgem perguntas e idéias ótimas durante a discussão", revela Rodrigo. A estratégia é perfeita para que ele analise as dúvidas e o raciocínio que o aluno está fazendo. Para finalizar, pediu uma nova produção de texto, desta vez uma carta aos portugueses. O objetivo, contar as impressões de quem pusesse os pés pela primeira vez no Brasil hoje.

Conceitos não assimilados ou objetivos não atingidos são sempre revistos. E isso pode ocorrer em atividades interdisciplinares. Com a professora de Arte, Rodrigo retomou os aspectos culturais do encontro entre portugueses e índios. Os alunos capturaram imagens na internet e reconstruíram a cena.

4. As dificuldades mais sérias são trabalhadas em atividades complementares, realizadas num horário extra. "Pode ser uma pesquisa dirigida na biblioteca, seguida de uma nova produção de texto", cita. Nessa pesquisa, o professor analisa se o estudante consegue construir um conceito com as próprias palavras, em vez de apenas copiar, ou expressar um ponto de vista próprio. Apesar de não existir uma só verdade histórica, é possível avaliar se as idéias são mais ou menos coerentes com as fontes consultadas.

A cada etapa do processo avaliativo o professor elege alguns aspectos e objetivos a analisar. "Sistematizando essas etapas, ao final do tema navegações eu tinha uma visão geral de cada um ao longo de todo o processo", finaliza Rodrigo.
Trocando em miúdos
No trabalho de Rodrigo, a avaliação visa à melhoria da aprendizagem porque...

o professor não tem a preocupação de classificar melhores e piores, mas de fazer com que todos aprendam. Para isso, diversifica o planejamento;

os alunos são respeitados em sua individualidade e podem observar seus progressos em relação a si próprios, dentro do ritmo de aprendizagem de cada um.

Arte Românica

Arte Românica

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A arte era produzida nas oficinas, no governo de Carlos Magno e, com isso, um novo estilo chamado de Românico, começou a surgir, nos séculos XI e XII, na Europa.
Características:
  •  Na época, era utilizado a abóbada, dois pilares e paredes grossas com pequenas aberturas (janelas);
  • Leveza e repouso originários das construções. Algumas davam a impressão de se estar no céu.
  • As igrejas românicas são grandes e sólidas e, por esse motivo, eram chamadas de fortaleza de Deus;
Eram nessas igrejas que os peregrinos, que percorriam grandes distâncias para se chegar ao santuário desejado se hospedavam. Os mais procurados se encontravam em Jerusalém, Roma e Santiago de Compostela, na Espanha. Um dos pontos de parada era a basílica de Saint-Sernin, na cidade de Toulouse,  uma das paradas obrigatórias para aqueles que iriam para Santiago de Compostela. Sua arquitetura, a base é representada por uma cruz e no cruzamento entre os eixos se encontra uma torre elevada.
Na arquitetura
 
Havia dois estilos que se destacavam:

  • Abóbada de berço – um semicírculo simples, chamado de arco pleno, que era ampliado pelas paredes. Suas desvantagens eram a pouca luminosidade, por causa das janelas pequenas, o excesso de peso do teto, provocava desabamentos e era impossível a abertura de grandes vãos.
  • Abóbada de arestas – criada para superar o estilo anterior, essa abóbada possui uma insterseção, em âgulo reto, de duas abóbadas de berço apoiadas sobre pilares. Com esse estilo de abóbada não havia mais o problema da má iluminação e do peso do teto.

No Ocidente, não foram construídas grandes cidades. As pessoas preferiam a vida nos campos, nos vilarejos e nesses locais eram construídas as igrejas. Como o poder não vinha mais da nobreza, nesse período, a igreja que fazia a produção dos trabalhos artísticos.

Nessa época, havia muitos analfabetos e através das pinturas e esculturas feitas nas igrejas, as pessoas podiam entender um pouco das histórias bíblicas e comunicá-las a outros fiéis.
Em 910, um movimento de reforma se estendeu dos séculos XI e XII, na cidade de Cluny uma abadia de beneditinos (a maior igreja do período). Havia mais de mil mosteiros espalhados no final do século XII.
 
No século XVIII, a abadia foi quase totalmente destruída. Os religiosos da ordem de Cluny desenvolveram várias obras que podem ser apreciadas nos mosteiros. Um exemplo disso é o mosteiro de Saint-Pierre, em Moissac. Nele existem esculturas e colunas que marcam o estilo românico, sendo o local onde  se encontra um dos mais bonitos portais românicos.
afresco-arte-romanica.jpgNa Itália, a arquitetura e a pintura fizeram história. Com a influência greco-romana na arquitetura, os artistas a tornaram mais leve e delicada, diferente da imponência nos outros lugares. Um grande exemplo é o conjunto da catedral de Pisa, onde se localiza a famosa Torre de Pisa. O prédio se iniciou em 1063 e sua planta tem forma de cruz.
Na pintura, era utilizada a técnica do afresco, que consiste na pintura sobre a parede úmida.
 
A arquitetura românica, com seus grandes espaços, propiciava a presença da pintura chamada também de mural. Eram pintadas ilustrações dos livros religiosos, em conventos, mosteiros e igrejas, sobre a criação do universo e do homem. Esse tipo de pintura praticamente não possuía nada profano. Suas principais características são a deformação, em que eram expressos os sentimentos religiosos e a interpretação dos artistas sobre a realidade, e o colorismo, cores chapadas, meios-tons, jogos de luz e sombras.

ARTE do Século XX Expressionismo

ARTE  do Século XX
Expressionismo

obras-de-arte.jpgEsse movimento esteve em oposição ao Impressionismo e focou mais nas sensações que a arte proporcionava. Ele mostrou os sentimentos humanos e suas preocupações no início do século XX. Esse movimento ora fora esquecido, ora lembrado no decorrer do século por causa das sensações que o mesmo proporcionava.

Ele surgiu na Alemanha, em Dresden, entre 1904 e 1905. Seus participantes  foram Ernest Ludwig Kichner (1880-1938), Karl Schmidt-Rottluff (1884-1976) e Erich Heckel (1883-1970), juntos formavam o grupo chamado Die Brüche na tradução, significa A Ponte.

Suas características são:
  • Representação dos sentimentos humanos através de linhas e cores. Algo que já vinha sendo trabalhado por Van Gogh, em que cor e deformação mostravam o interior do homem moderno;
  • Deformação da realidade;
  • Pessimismo em relação ao mundo;
  • Foge das regras tradicionais da arte;
  • Melancolia.

Principais pintores:

Edvard Munch (1863-1944) - sua obra mais destacada foi 'O grito', por causa da expressão das linhas, cores e seres que mostravam as angústias do homem moderno; Outra obra é 'Cinco Mulheres na Rua', em que retratava como era a burguesia.
 

 

Fauvismo ou Fovismo

Esse movimento surgiu em 1905, em Paris e foi fruto de uma crítica no Salão de Outono, por Louis Vauxcelles. Jovens foram chamados de fauve, que significa feras, pelas suas pinturas agressivas com cores puras.

Características
  • Formas simplificadas;
  • Utilização de cores puras (tal como são nos tubos de tinta);
  • As pinturas não representam a realidade (cores e figuras são sugestão dos artistas).

Artistas

  • André Derain (1880-1954);
  • Othon Friesz (1879 – 1949);
  • Maurice de Vlaminch (1876 – 1958);
  • Henri Matisse (1869-1954) –  ele foi uma das maiores expressões do estilo e procurou mostrar as formas das figuras, sem se preocupar com a realidade e as cores. Um exemplo é a obra 'Natureza-morta com Peixes Vermelhos' (1911). A composição era organizada de acordo com as cores puras e algumas figuras da obra.

Apesar disso, muitos dos autores fauvistas não foram aceitos ao apresentarem suas obras.
 
 

Cubismo


cubismo.jpgO cubismo surgiu de uma obra feita por Cézanne, que retratava a natureza com figuras geométricas. Outros artistas do estilo se aprofundaram e buscaram mostrar os objetos como se estivessem abertos. Assim, ele evoluiu para dois tipos: o Cubismo analítico e o Cubismo sintético.

Cubismo analítico (1908-1911) – desenvolvida por Picasso e Braque:
  • Seu estilo era a utilização de poucas cores;
  • Definição de um tema apresentado em todos os ângulos;
  • Perda da realidade, sendo impossível reconhecer as figuras.

Cubismo sintético – fugia dessa perda de realidade, mas ainda buscava retratá-la de várias formas. Foi chamado, também, de colagem, porque eles colocavam tudo o que podiam, como letras, números, vidros, etc., com o intuito de criar novos efeitos e despertar a atenção.

Principais artísticas
  • Pablo Picasso(1881-1973) – ele era um gravador e escultor e introduziu várias técnicas ao estilo: 
na fase azul(1901-1904) retratou tristeza e melancolia;
na fase rosa(1905-1907) retratou acrobatas e arlequins.
 
Outra técnica advinda da arte africana foi a elaboração da estética cubista. Ele deformava todas as partes do corpo humano e destruia a harmonia das formas. Retratou isso em sua obra Les Demoiselles d'Avignon. Ele começa a retratar obras sobre a realidade dos conflitos e guerras, em seu famoso mural, Guernica (1937). Por último, em  suas gravuras, de 1907 a 1972, suas obras gravadas eram expressivas com o desenho, opondo claro e escuro.
  • Georges Braque(1882-1963) – para ele, a pintura não era uma descrição da realidade. Ele passou pela fase do Cubismo analítico, sendo destaque a obra 'O Português'. E, após 1913, passa a representar os objetos pelo Cubismo sintético, destacando as partes significativas da obra.
  • Fernand Léger (1881-1995) – representava um novo cubismo: para ele, as máquinas e o crescimento industrial, do final do século, eram tão importantes quanto uma escultura. Com isso, um novo mundo pode ser construído. Uma obra que enfatiza isso é 'Elementos Mecânicos' e o 'Tipógrafo'. Em 1925, com seu contrato com o arquiteto Le Corbusier, descobre a importância dos murais e procura superar a diferença entre uma obra e um desenho industrial.

Características
  • Utilização de formas geométricas nas obras;
  • Falta de perspectiva (três dimensões dos seres);
  • Estética cubista (destruição da harmonia e decomposição da realidade).


Abstracionismo

abstracionismo.jpgSurgiu de uma tela de Wassily Kandinsky (1866-1944), chamada Batalha. Na pintura, abstracionista não há relação entre a realidade, cores e formas. Conhecem essa técnica os pintores Mikhail Larionov (1881-1964) e Natália Gontcharova (1881-1962), russos que valorizavam a relação com as cores, mas não com o tema da obra.

Já em 1912, Vladimir Tatlin (1885-1956), em viagem a Paris, gostou das colagens cubistas e resolveu implantar no novo estilo: pintura em relevo com vários materiais e figuras abstratas, dando origem ao Construtivismo. Os escultores Antoine Pevsner (1886-1962) e Naum Gabo (1890-1977), juntamente com Tatlin, criaram várias peças abstratas, dando-lhes o nome de construções ao invés de esculturas.

A Revolução Russa, em 1922, veio acabou com o construtivismo. Tatlin se ligou a ela, Gabo e Pevsner deixaram o país, quando o governo revolucionário fechou os ateliês dos artistas. Mas, logo depois, em 1931, eles dão origem ao movimento chamado Criação Abstrata. A partir das primeiras pesquisas, logo começou a fazer parte da pintura moderna, e duas tendências surgiram em seguida:
  • Abstracionismo sensível ou informal – predominam os sentimentos e emoções e as cores são associadas com elementos da natureza. Por exemplo, a obra Domingo, de Kandinsky.
  • Abstracionismo  Geométrico – cores e forma são organizadas de acordo com as composições geométricas. Por exemplo, as obras de Piet Mondrian: ele buscava a essência dos objetos que se harmonizam com o universo. Retratada em 'Árvore Vermelha'.
A partir das décadas de 20 e 30, linhas diagonais e curvas foram trocada por horizontais e verticais que, juntamente às cores, trouxeram equilíbrio às obras.

Em busca de outras tendências da pintura do século XX, se destacaram, novos estilos que caracterizaram as primeiras décadas do século XXI. Valorizavam a velocidade das máquinas e do cotidiano e as tendências produzidas pela cultura industrializada.
 

 

Futurismo

O futurismo é um estilo influenciado pelo movimento literário Manifesto Furista, criado por Filippo Tommaso Marinetti,
em 1909. Ele era um poeta e escritor italiano que sugeriu às pinturas a velocidade das máquinas e a exaltação do futuro. Para os pintores desse estilo, os artistas não tinham essa visão de futuro. Com outro manifesto, criado por Umberto Boccioni, Luigi Russolo, Carlo Carrà, Giacomo Balla e Gino Severini, em 1910, Milão, nas obras eram representadas os movimentos em si. Usaram cores, retas, curvas que dessem ideia de velocidade. Ex.: peça em bronze 'Formas Únicas de Continuidade no Espaço', do escultor Umberto Boccioni.

Os estudos de Freud sobre psicanalismo e a política mostravam a complexidade da sociedade moderna. Em crítica à cultura europeia, surgiram:
  • Pintura Metafísica – uma pintura que mostrava a falta de sentido da sociedade contemporânea: mistério, luzes, objetos, sombras e cores intrigantes. Tinha como principal artista, Giorgio De Chirico (1888-1979), um pintor italiano, com suas obras 'O Enigma da Chegada' e 'O Regresso do Poeta'.
 


Dadaísmo

Artistas e intelectuais franceses e alemães se reuniram em oposição à Primeira Guerra Mundial. Foram para Zurique, na Suíça, e em 1916, criaram o Dada, cujo significado é cavalo de pau, palavra encontrada por Hugo Ball e
Tristan Tzara  num dicionário alemão-francês. Assim como o nome, a arte não significava nada, da mesma forma que a guerra.
 
 Características:
 
  • Elementos fugiam do racional e eram combinados por acaso;
  • Os artistas negavam a sua cultura e representavam um protesto;
  • Obras utilizavam a colagem para retratar o estilo, com críticas e sátiras à desordem da Europa;
  • Eles utilizavam o princípio do automatismo psicológico, proposto por Freud, em que “os atos praticados pelos homens são automáticos e independentes de um encadeamento de razões lógicas.”
surrealismo.jpgIsso deu origem ao Surrealismo, do escritor e poeta André Breton (1896-1966), na França, em 1924. Nesse novo estilo, as obras eram representações ilógicas do subconsciente, como imagens vistas em sonhos ou alucinações. Às vezes, representavam aspectos da realidade em excesso, com elementos inexistentes. Um dos principais artistas desse estilo é Salvador Dali (1904-1989).

Essa pintura deu origem às duas tendências: Figurativa, com os artistas, Salvador Dali e Marc Chagall e abstrata, com Joan Miró e Max Ernest.

Nos grandes centros urbanos industrializados, com a recuperação da Segunda Guerra Mundial, a indústria estava a todo o vapor. O consumismo começou a fazer parte da sociedade no início da segunda metade do século XX. Veja as expressões que mais se destacaram:
 
 
Op Art

Expressão do inglês, optical art, que significa arte óptica. Victor Vasarelyn é o responsável por iniciar essa arte através da plástica do movimento. As pinturas possuem representações de figuras geométricas e cores, preto e branco ou coloridas. Toda a obra sugeria o movimento e era uma arte que estava em constante mudança.
 
Suas pesquisas se desenvolveram na década de 60, cuja manifestação para exposição coletiva se deu no Museu de Arte Moderna de Nova York, em 1965. Outro artista importante é Alexander Calder (1898-1976), na criação de móbiles associando-os aos retângulos das telas de Mondrian sugerindo movimento.
 
Chamada de Mobile em Dois Planos, de início o observador podia movimentá-los; depois de 1932, ele verificou que a simples ação do vento podia fazer isso.
 
 

Pop Art

pop-art.jpgPop Art, no português, significa arte popular, surgiu nos Estados Unidos, por volta de 1960 e atingiu vários lugares do mundo.

Os artistas retratavam o dia a dia das grandes cidades norte-americanas, relacionando a arte com a vida comum. O tema da arte era símbolos da grande massa consumidora e da era industrializada, ou seja, aquilo que fazia sucesso.

Destaques:
Marilyn Monroe, uma ilustração feita por Andy Warhol, com o método de produção em série de cores e repetição de imagens.


arte

ARTE ROMANA

Arte Romana
coliseu-arte-romana.jpgA influência da arte romana veio da cultura etrusca, arte popular que retratava o cotidiano e da cultura greco-helenística, expressando o ideal de beleza, entre os séculos XII e VI a. C., em diferentes regiões da Itália. Sua civilização surgiu em 753 a. C., por meio de lendas e mitos.

A arquitetura
Uma das características da arquitetura veio da arte etrusca, por meio do uso do arco e da abóbada nas construções. Essas estruturas diminuiram a utilização das colunas gregas e aumentaram os espaços internos.  Antes, se as colunas não fossem usadas, o peso do teto poderia causar tensões nas estruturas. O arco ampliou o vão entre uma coluna e outra e a tensão do centro do teto era concentrado de formas homogênea.

No final do século I d.C., Roma havia superado as influências desenvolvendo criações próprias.

Nas moradias romanas, as plantas eram rigorosas e eram desenhadas sob um retângulo. As estruturas gregas, eram admiradas pela elegância e flexibilidade e foram implantadas nessas moradias, o peristilo (espaço formado por colunas isoladas e aberto na lateral).

Os templos, tinham uma arquitetura diferente: no pórtico de entrada, havia uma escadaria, as laterais se diferenciavam da entrada e não tinham a mesma simetria. Utilizada pelos gregos, acrescentaram, então, os peristilos. Ex.: Maison Carré, em Níves – França, feita no final do século I a.C. As colunas laterais tinham ideia de um falso peristilo.

Para fugir da inspiração grega, romanos criaram templos, valorizando os espaços interiores, como exemplo o Panteão, em Roma, construída durante o reinado do Imperador Adriano.  Ele é o primeiro templo pagão ocupado por uma igreja cristã, devido a sua estrutura arquitetônica.

Teatro

Foram criados os anfiteatros, com o uso das abóbadas e arcos; o um espaço era amplo e suportava muitas pessoas. O público se encontrava no auditório, sendo possível construir os edifícios em qualquer lugar. O evento que eles mais gostavam eram as lutas dos gladiadores e não era necessário um palco para apreciar o espetáculo. Em um espaço central elíptico era circundado pela arquibancada, com grande número de fileiras. Um grande exemplo é o Coliseu, em Roma, uma das sete maravilhas do mundo moderno.

Pintura

Os pintores romanos usaram, ao mesmo tempo que o realismo, a imaginação, dando origem à obras que ocupavam grandes espaços, enriquecendo mais a arquitetura. A maioria das pinturas originou-se da cidade de Pompeia e Herculano e foram soterradas pela erupção de um vulcão. Elas desencadearam a quatro estilos de pintura:

estilo - Não era considerada uma pintura: as paredes eram pintadas com gesso, dando impressão de placas de mármore;
2º estilo - Descobriu-se que a ilusão com gesso poderia ser substituída pela pintura: os artistas pintavam painéis, com pessoas, animais, objetos sugerindo profundidade;
estilo - Valorização dos detalhes: no final do século I a. C., a realidade das representações foi trocada por detalhes;
estilo - Volta da profundidade, dos espaços: a ilusão dos espaços foi combinada a delicadeza, dando origem ao quarto estilo. Ex.: sala da casa dos Vetti, em Pompeia.

Escultura

arte-romana-escultura.jpgNa escultura, os romanos eram muito diferentes dos gregos em alguns aspectos. Apesar de apreciarem a arte, eles não representavam o ideal de beleza, mas a cópia fiel das pessoas, buscando retratar traços particulares. Um exemplo disso é a estátua do imperador romano, Augusto, criada por  volta de 19 a.C.. Numa cópia do Doríforo, dos gregos, o artista detalhou as feições reais do Imperador, a couraça e as capas romanas. Essa preocupação também foi encontrada em relevos esculpidos, pois eles buscavam representar acontecimentos e pessoas que participaram dele. Ex.:
  • Coluna de Trajano: construída no século I da era cristã, apresenta a luta do imperador romano com os exércitos romanos na Dácia.
  • Coluna de Marco Aurélio: construída um século depois, retrata a vitória dos romanos sob um povo da Alemanha do Norte.

Sem dúvida, os romanos contribuíram muito com a arte, tendo um espírito prático e apto para construir teatros, templos, casas, aquedutos, etc. No início do século III, eles começaram a enfrentar lutas internas, por causa da entrada dos povos bárbaros. A preocupação com a arte diminuiu e no século V, o Império Romano entra em decadência e é dominado pelos invasores germânicos.

Arte Egípcia



Arte Egípcia
1 – Caça ao tigre
2 – Olhando para o infinito
3 – Princesa egípcia
4 – Mapa do Egito antigo
5 – Afrescos - musicais
6 – espantando as aves que comem os grãos
7 – ANUBIS  e a mumuficação
8 – Anubis
9 – Vida alem da morte
10 - Capela dos deuses
11 - Colheita
12 - Parreira de uvas
13 - Deuses
14 - Pintura em Tebas
15 - Tocando instrumentos
16 - Oferta da colheita
17 - Adoração
18 - Faraó Sebek-Hotep – Conduzindo a biga imperial de guerra numa de suas famosas batalhas – descendente de amenemhat  IV – reinou com astucia,  sabedoria e justiça na 13ª dinastia -médio império, pouco antes da invasão dos hicsos.                    
19 - A caça era um passatempo preferido pelos nobres da  4ª dinastia-velho império-esse costume era praticado nos charcos de MEIDUN- no delta – cidade famosa pelas quantidades de flores,  plantas aquáticas e patos selvagens.
20 - Mascara mortuária
21 - a) Trono real de Tutankamon  -  b) Detalhe de pintura mural – perfil  -  c) Grande esfinge – seus vários nomes: Harmakhis – Hor-em-Achet – Seshep – Ankg. d) Faraó Kefren em diorito negro, deus bom e senhor dos diademas. e)Anubis guardando a arca funeral de Tutankamom. f) Estátua de ouro puro representando o faraó menino. g) Estátua em bassalto e chapeada de ouro. h) Cabeça da múmia de RANSES  II.
22 - RADAMÉS e AÍDA, pelo amor enterrados vivos – inspirou VERDI a compor a ópera Aída.
23 - ISIS com a coroa dupla do alto e baixo Egito, sobre o Nekhabit voador. Figura esculpida em baixo relevo num dos milhares de painéis do templo.
24 - DEUS TOHT (cabeça de íbis) inspirador da literatura, centro da doutrina secreta e dignidade dos escribas. Pesava o coração do falecito na balança da verdade perante OSIRIS.
25 - Saudação real.
26 - NEFERTITE ofertando a deusa ISIS.
27 - Moisés transforma o bastão em serpente diante de faraó.
28 - Murais com escrita hierogríficas.

29 - NEFERTARI ou NEFERTITE
30 - NEFERTITE ofertando a deusa ISIS
31 - Preparando para o banho fúnebre.
32 - Pastores.
33 - Pequeno pastor.
34 - Pintura em um sarcófago.
35 - Sala do sarcófago.
36 - SENET
37 - Viagem de um morto ao além.
38 - A defunta HEUROBEN, prostando-se diante do deus crocodilo, papiro da XXI disnastia. Museu do Cairo.
ARTE EGÍPCIA
En Español
Uma das principais civilizações da Antigüidade foi a que se desenvolveu no Egito. Era uma civilização já bastante complexa em sua organização social e riquíssima em suas realizações culturais.
A religião invadiu toda a vida egípcia, interpretando o universo, justificando sua organização social e política, determinando o papel de cada classe social e, conseqüentemente, orientando toda a produção artística desse povo.
Além de crer em deuses que poderiam interferir na história humana, os egípcios acreditavam também numa vida após a morte e achavam que essa vida era mais importante do que a que viviam no presente.
O fundamento ideológico da arte egípcia é a glorificação dos deuses e do rei defunto divinizado, para o qual se erguiam templos funerários e túmulos grandiosos.

ARQUITETURA

As pirâmides do deserto de Gizé são as obras arquitetônicas mais famosas e, foram construídas por importantes reis do Antigo Império: Quéops, Quéfren e Miquerinos. Junto a essas três pirâmides está a esfinge mais conhecida do Egito, que representa o faraó Quéfren, mas a ação erosiva do vento e das areias do deserto deram-lhe, ao longo dos séculos, um aspecto enigmático e misterioso.

As características gerais da arquitetura egípcia são:
* solidez e durabilidade;
* sentimento de eternidade; e
* aspecto misterioso e impenetrável.

As pirâmides tinham base quandrangular eram feitas com pedras que pesavam cerca de vinte toneladas e mediam dez metros de largura, além de serem admiravelmente lapidadas. A porta da frente da pirâmide voltava-se para a estrela polar, a fim de que seu influxo se concentrasse sobre a múmia. O interior era um verdadeiro labirinto que ia dar na câmara funerária, local onde estava a múmia do faraó e seus pertences.

Os templos mais significativos são: Carnac e Luxor, ambos dedicados ao deus Amon.
Os monumentos mais expressivos da arte egípcia são os túmulos e os templos. Divididos em três categorias:
Pirâmide - túmulo real, destinado ao faraó;
Mastaba - túmulo para a nobreza; e
Hipogeu - túmulo destinado à gente do povo.

Os tipos de colunas dos templos egípcios são divididas conforme seu capitel:
Palmiforme - flores de palmeira;
Papiriforme - flores de papiro; e
Lotiforme - flor de lótus.

Para seu conhecimento
Esfinge: representa corpo de leão (força) e cabeça humana (sabedoria). Eram colocadas na alameda de entrada do templo para afastar os maus espíritos.
Obelisco: eram colocados à frente dos templos para materializar a luz solar.


ESCULTURA

Os escultores egípcios representavam os faraós e os deuses em posição serena, quase sempre de frente, sem demonstrar nenhuma emoção. Pretendiam com isso traduzir, na pedra, uma ilusão de imortalidade. Com esse objetivo ainda, exageravam freqüentemente as proporções do corpo humano, dando às figuras representadas uma impressão de força e de majestade.
Os Usciabtis eram figuras funerárias em miniatura, geralmente esmaltadas de azul e verde, destinadas a substituir o faraó morto nos trabalhos mais ingratos no além, muitas vezes coberto de inscrições.
Os baixos-relevos egípcios, que eram quase sempre pintados, foram também expressão da qualidade superior atingida pelos artistas em seu trabalho. Recobriam colunas e paredes, dando um encanto todo especial às construções. Os próprios hieróglifos eram transcritos, muitas vezes, em baixo-relevo.

PINTURA

A decoração colorida era um poderoso elemento de complementação das atitudes religiosas.

Suas características gerais são:
* ausência de três dimensões;
* ignorância da profundidade;
* colorido a tinta lisa, sem claro-escuro e sem indicação do relevo; e
* Lei da Frontalidade que determinava que o tronco da pessoa fosse representado sempre de frente, enquanto sua cabeça, suas pernas e seus pés eram vistos de perfil.

Quanto a hierarquia na pintura: eram representadas maiores as pessoas com maior importância no reino, ou seja, nesta ordem de grandeza: o rei, a mulher do rei, o sacerdote, os soldados e o povo. As figuras femininas eram pintadas em ocre, enquanto que as masculinas pintadas de vermelho.

Os egípcios escreviam usando desenhos, não utilizavam letras como nós. Desenvolveram três formas de escrita:
Hieróglifos - considerados a escrita sagrada;
Hierática - uma escrita mais simples, utilizada pela nobreza e pelos sacerdotes; e
Demótica - a escrita popular.

Livro dos Mortos, ou seja um rolo de papiro com rituais funerários que era posto no sarcófago do faraó morto, era ilustrado com cenas muito vivas, que acompanham o texto com singular eficácia. Formado de tramas de fibras do tronco de papiro, as quais eram batidas e prensadas transformando-se em folhas.


Para seu conhecimento

Hieróglifos: foi decifrada por Champolion, que descobriu o seu significado em 1822, ela se deu na Pedra de Rosetta que foi encontrada na cidade do mesmo nome no Delta do Nilo.
Mumificação: a) eram retirados o cérebro, os intestinos e outros órgãos vitais, e colocados num vaso de pedra chamado Canopo. b) nas cavidades do corpo eram colocadas resinas aromáticas e perfumes. c) as incisões eram costuradas e o corpo mergulhado num tanque com Nitrato de Potássio. d) Após 70 dias o corpo era lavado e enrolado numa bandagem de algodão, embebida em betume, que servia como impermeabilização.
Quando a Grande Barragem de Assuã foi concluída, em 1970, dezenas de construções antigas do sul do país foram, literalmente, por água abaixo, engolidas pelo Lago Nasser. Entre as raras exceções desse drama do deserto, estão os templos erguidos pelo faraó Ramsés II, em Abu Simbel. Em 1964, uma faraônica operação coordenada pela Unesco com recursos de vários países - um total de 40 milhões de dólares - removeu pedra por pedra e transferiu templos e estátuas para um local 61 metros acima da posição original, longe da margem do lago. O maior deles é o Grande Templo de Ramsés II, encravado na montanha de pedra com suas estátuas do faraó de 20 metros de altura. Além de salvar este valioso patrimônio, a obra prestou uma homenagem ao mais famoso e empreendedor de todos os faraós.
Queóps é a maior das três pirâmides, tinha originalmente 146 metros de altura, um prédio de 48 andares. Nove metros já se foram, graças principalmente à ação corrosiva da poluição vinda do Cairo. Para erguê-la, foram precisos cerca de 2 milhões de blocos de pedras e o trabalho de cem mil homens, durante vinte anos.
Saiba mais:
www.historiadaarte.com.br
Como em todas as civilizações antigas, a Cosmogonia ocupa a primeira parte dos textos sagrados egípcios, tentando explicar com a fantasia e o relato milagroso tudo quanto se escapa do reduzido âmbito do conhecimento humano. Para os egípcios, como para o resto das grandes religiões, a criação do Universo faz-se de um único ato da vontade suprema, a partir do nada, da escuridão, do caos original. O seu criador chama-se Nun e era o espírito primigênio, o indefinido ser que tinha tomado o aspecto do barro. Este barro que aparece com tanta freqüência em todas as mitologias junto dos parágrafos das criações de deuses e de homens, a matéria-prima por excelência dos oleiros e (por assimilação) a matéria lógica para os deuses criadores, não era senão a terra e a água próximas dos antigos povoadores do mundo. Por isso o barro Nun foi o berço espiritual, a primeira força em que ia tomando forma o novo espírito da luz, Ra, o disco solar, pai de tudo o que habita sob os seus raios. Da vontade de Ra vão nascer os dois primeiros filhos diferenciados da divindade: são Tefnet e Chu. Ela é a deusa das águas que caem na terra e ele é o deus do ar, e os dois filhos estarão com o grande pai Ra no firmamento, compartilhando a sua glória e o seu poder e ajudando-o na longa e eterna viagem. Mas também Chu e Tefnet vão continuar a obra iniciada por Ra, criando da sua união outros dois novos filhos, os dois sucessores da última geração celestial: o deus da terra Geb, e a sua irmã e esposa, a deusa do céu Nut, para que eles relevem à primeira geração e criem a terceira, a que vai estar na terra do Egito. Os filhos de Geb e Nut, os quatro filhos do Céu e da Terra, dois homens e duas mulheres (embora haja versões que dão um quinto filho, chamado Horoeris), formam a primeira geração de seres que vivem no solo do Egito, os quatro primeiros deuses que se ocupam dessa terra escolhida e que velam por ela, ou que entram no mundo egípcio para completar o binômio do bem e do mal, da vida e da morte. O primeiro dos homens e o mais velho dos quatro, Osíris, é o deus da fecundidade, a divindade que representa e sustenta a continuidade da natureza; ele é quem faz nascer a semente, quem a amadurece e quem agosta os campos; Osíris é o princípio da própria vida. Ísis, a sua irmã e esposa, reina em igualdade sobre o extenso domínio do Nilo, em perfeita harmonia com o seu irmão, formando o casal positivo do binômio. Se Osíris se encarrega de proporcionar a vida aos humanos, Ísis está sempre à frente, após a invenção de todas as artes necessárias para desenvolver a vida, desde a moagem do grão até às complexas regras e leis da vida familiar. Neftis, a segunda irmã e a mais pequena de todos, não podia ter a sorte de Ísis, a sorte de ser esposa do bom e belo Osíris; por isso Neftis ficou à margem da felicidade; também por isso era a representação do resto do país útil, a deusa das terras menos felizes, as terras secas junto dos campos de cultivo; as parcelas de sequeiro que não tinham a sorte de ser regularmente inundadas pela água e pelo limo do rio nas suas cheias anuais. Set, o segundo homem e o terceiro dos filhos, é a criatura que pressagiou o seu destino ao nascer prematuramente, dado que abriu o ventre da sua mãe Nut, fazendo-a sofrer cruelmente; Set é o deus da maldade, o espírito negativo e o representante do deserto sem vida, a personificação da morte. Naturalmente, Set odeia desde a infância o primogênito Osíris; esta é a fábula constante do bom irmão diante do mau; é a lenda exemplificadora do mau assassinando o bom, tentando evitar a sua clara superioridade, tentando apagar com a morte a distância entre ambos. Mas continuemos com a história dos quatro filhos de Geb e Nut, e digamos que Set casou com a sua irmã Neftis, mantendo a tradição iniciada pelos seus antecessores divinos. Mas Neftis foi esposa do malvado Set também mau grado seu, porque ela amava Osíris, e deste casamento não surgiu nenhum filho, porque Set tinha que ser forçosamente estéril pela sua maldade. Mas não sucedeu a mesma coisa com Neftis, dado que ela sim, conseguiu ter um filho e, precisamente um filho de Osíris. Para conseguí-lo, embebedou o seu irmão e deitou-se com ele. Esse filho nasceria mais tarde e seria conhecido com o nome de Anúbis. Neftis amava tanto Osíris e tanto desprezava o seu marido que, quando se produziu o seu assassínio, a boa e infeliz Neftis fugiu do seu perverso marido, para poder estar ao lado do amado, junto da sua irmã Ísis, ajudando-a no embalsamamento. Após aquele momento, Ísis e Neftis permaneceriam sempre unidas à morte, acompanhando o piedoso defunto na sua sepultura, para proporcionar-lhe a ajuda que necessitasse no outro lado da morte. Ao assassinar Osíris, Set só conseguiu divinizar ainda mais o seu odiado irmão, porque o Osíris triunfante sobre a morte ia estabelecer-se como a personificação divina do ciclo, e voltaria a nascer e morrer eternamente, reinando na vida eterna do céu e deitando sobre o seu traidor irmão na terra, ao ficar com as suas posses e ser a figura amada pelas duas irmãs Ísis e Neftis, a figura adorada e homenageada por todos os egípcios, a divindade bondosa que governava as estações e o benéfico Nilo em proveito dos homens. Não foi demasiado difícil a Set terminar com a vida do seu bom irmão, o grande rei Osiris, apesar da constante vigilância que Ísis mantinha sobre as suas idas e vindas, dado que ela sim conhecia bem o seu malvado irmão e não confiava de maneira nenhuma nas suas artes. Depois de tentar uma e outra vez assassiná-lo sem êxito, finalmente Set tramou um plano que lhe permitia iludir Ísis e assim mandou construir uma caixa muito rica e bela, com o tamanho exato do seu irmão. Com a caixa em seu poder, Set organizou uma grande festa, à qual convidou Ísis e Osíris, junto com outras setenta e duas personagens, que não eram outras que os seus aliados no sinistro plano. Terminada a festa, Set comentou que tinha idealizado um jogo, que consistia em ver quem de todos os presentes cabia melhor naquela magnífica arca, e para o feliz tinha reservado um grandioso prêmio. Os convidados provaram sorte, mas nenhum dava o tamanho adequado, de maneira que chegou a vez de Osíris e ele sim, enchia completamente o buraco da caixa. Mas não havia tal prêmio; os presentes lançaram-se em tropel e encerraram o rei dentro dela; depois lançaram-na ao Nilo e o rio arrastou a caixa e a sua carga para o mar. Ísis saiu em perseguição do baú e Neftis uniu-se ela rapidamente na procura, enquanto Set e as suas seis dúzias de cúmplices celebravam precipitadamente a suposta vitória do usurpador. As duas irmãs entretanto, encontraram a caixa onde Osíris tinha sido encerrado e comprovavam que já era simplesmente um cadáver. Com os seus tristes lamentos e prantos, as irmãs comoveram os deuses e estes decidiram trazer de novo à vida ao infeliz Osíris, mandando-as que amortalhassem o seu corpo embalsamado em ligaduras, dando assim a pauta para o posterior rito funerário, ou que reunissem os seus restos para poder insuflar de novo a vida no seu destroçado corpo, segundo a versão correspondente.
Também se conta, em outros relatos sagrados, que a arca tinha saído para o mar quando Ísis chegou à foz do Nilo, e só terminou a sua viagem na muito longínqua costa da Fenícia, indo de encontro a um tronco que crescia à beira do Mediterrâneo, muito próximo da cidade de Biblos. a árvore, milagrosamente, cresceu num instante, englobando o féretro flutuante no seu tronco para dar-lhe o último abrigo. Movido pelo destino, o rei de Biblos viu aquela gigantesca árvore e mandou cortar o seu tronco e com ele ordenou construir uma coluna para o seu palácio. Mas Ísis soube também do portentoso fato e empreendeu a viagem até chegar à cidade de Biblos, onde pediu ser recebida pelo rei, para fazer-lhe saber a razão da sua penosa expedição. O rei ouviu o relato da rainha e ordenou imediatamente que lhe fosse devolvido o caixão onde repousavam as restos mortais do bom Osíris. Concedido o seu desejo e com o caixão em seu poder, regressou sigilosamente para o Egito, não sem antes tentar ocultar o cadáver do infeliz esposo da maldade de Set. Mas Set, senhor da noite e das trevas, deu com ele e voltou a tentar terminar com a ameaça que Osíris representava, fazendo com que os seus restos fossem dispersos por todo o imenso e intransitável delta do grande rio. De novo Ísis empreendeu a procura dos restos de Osíris nos pântanos do Nilo e, um a um, reuniu outra vez o cadáver. Quando os conseguiu, tomou a forma de uma grande ave de presa e pousou-se sobre os despojos, batendo as suas asas até que com o seu ar benfeitor insuflou uma vida renovada em Osíris. O esposo ressuscitado tomou-a e a boa Ísis ficou grávida de Hórus, o filho que teria de vingar o pai assassinado e restauraria a ordem divina no Egito. Mas, enquanto chegava o momento do nascimento de Hórus, Ísis ocultou-se de Set nos pantanosos terrenos do delta do Nilo. Osíris retornou ao reino dos mortos, mas já tinha deixado a sua semente em Ísis e dela nasceu felizmente Hórus em Jenis. Com a presença devota da sua mãe foi educado no maior dos segredos, preparando-se com esmero e paciência o sucessor do rei assassinado no seu esconderijo do Delta, enquanto a mágica Ísis o cobria com a impenetrável couraça dos seus conjuros, esperando até que chegasse a hora da vingança definitiva. E esta hora chegou, mas a luta entre Set e Hórus seria longa e angustiosa; uma briga que aparecia não ter fim, na qual um e outro infringiam tanto mal como o que recebiam do seu adversário. Tão penoso era o combate que Tot, o deus da Lua e a divindade da ordem e a inteligência, se apiedou dos combatentes e interveio para mediar na disputa, levando a ambos perante o tribunal dos deuses e fazendo comparecer também Osíris, para que todos pudessem ouvir as razões de um e dos outros. O tribunal sentencia que, na causa entre Set e Osíris, seja Osíris quem recupere o reino que teve em vida, e acrescenta à sua coroa a parte do país que originalmente correspondeu ao seu irmão e assassino. Na longa e controversa vista da briga entre Set e Hórus, que durou nada menos que oitenta anos, os juízes celestiais terminaram por sentenciar o pleito sobre os direitos sucessórios a favor de Hórus. O filho póstumo de Osíris recuperava o que correspondia pela sua linhagem: a sucessão no trono de Egito. Assim, o filho era reconhecido pela divindade como soberano indiscutível, dentro da tradição clássica que adjudicava aos reis e aos reinos um sentido de vontade divina. Por estas duas sentenças Set perde o seu poder, conquistado com enganos, mas não é castigado senão afastado do mundo; Set passa a ser também uma divindade necessária ao ser acolhido por Ra, divindade solar, para que se ocupe nos céus de alternar a noite com o dia e deixe que sejam os reis os que governem sobre a terra. Hórus, por sua vez, engendra quatro filhos: Amsiti, Hapi, Tuemeft e Kevsnef; embora não se especifique com exatidão quem pode ser a mãe, se é que existe tal (há quem dizem que são filhos de Hórus e da sua mãe Ísis). Estes filhos, que acompanharão Osiris nos julgamentos aos mortos, também cuidam dos quatro pontos cardeais e se ocupam de velar pelas necessidades e pela saúde das entranhas de Osíris. Como costuma contar-se em todos os mitos, uma vez passada a primeira época de harmonia, as criaturas terrestres, os seres privilegiados criados pela simples vontade de Ra, deus supremo, levantaram-se contra o seu senhor. Eram as sucessivas lutas à morte entre os inimigos da terra e as comitivas celestiais, lutas tão ferozes que foram desgastando as energias de Ra, até o fazer perder a sua força e babar. Com essa baba caída da sua boca, Ísis formou um barro e com ele construiu o áspide que -colocado no caminho do deus- envenenou Ra. Feito isto, Ísis apresentou-se diante do ferido, prometendo o antídoto em troca de que a divindade revelasse o seu nome secreto. Ra resiste enquanto pode agüentar a dor terrível, e trata em vão de esquivar a resposta, pois sabe que o nome da coisa e o poder sobre ela são uma única coisa. Mas afinal, vencido pela crescente dor, Ra tem que aceitar e dizer ao ouvido de Ísis esse nome que agora também ela vai conhecer, comunicando-lhe com esse ato a sua força total. Uma vez vencido por Ísis, o enfraquecido Ra vai ser também o alvo de outros ataques dos seres humanos, e a sua vingança, através da deusa Sekhmet, a mulher-leoa que encarnava a guerra, é tão terrível que quase termina com a humanidade, embora seja maior o amor que sente pela sua obra criadora, apiedando-se dos açoitados humanos justamente a tempo, ao enviar uma chuva de cerveja vermelha que cobre toda a superfície do planeta, confundindo Sekhmet, que a toma por sangue e trata de saciar a sua sede de morte com ela, embriagando-se com o vermelho líquido de tal maneira que deixa de executar a sentença de morte que Ra tinha decretado para os humanos. Depois deste ato de compaixão para com os seus desagradecidos filhos da Terra, Ra retira-se para sempre de todo o relacionado com os assuntos de governo, cedendo ao filho do seu filho Chu, o bom Geb, representante divino do planeta, o poder sobre o globo terrestre e quem sobre ele habita, pessoas, animais ou vegetais, mas sem o abandonar à sua sorte, dado que Ra se compromete a ajudá-lo com os seus conselhos e perpétua vigilância. Já conhecemos Tot quando interveio nos pleitos divinos entre Osíris, Hórus e Set, levando a sua arbitragem ao tribunal dos deuses, mas fica por definir a sua origem, o seu poder, dado que ele era o ser que reinava sobre todo o Universo com a sua sabedoria e punha nele a ordem. O grande Tot é identificado com a posse de todos os conhecimentos mágicos e considerado inventor da palavra, criador da escritura, o ser superior que manejava os conceitos e possuía, pois, o poder sobre os seres e as coisas inanimadas. Por essa ordem, era o deus natural dos muito importantes e onipresentes escribas de Egito, o grupo dos mais significados funcionários de todo o reino, dos homens que contavam e relacionavam todos os atos, os que catalogavam as posses de reis e senhores, e os que narravam as crônicas de cada época. Tot, por sua parte, estava encarregado, como escriba, em fazer a relação dos reis presentes, passados e futuros. Ele conhecia o destino dos rebentos reais e apontava qual deles reinaria pela vontade dos deuses sobre todo o império do Nilo e quanto duraria o seu feliz reinado. Tot determinava assim tudo o que estava escrito (pela sua própria mão) que devia suceder, ele era a personificação do destino omnisciente. Desposado com Maat, deusa da justiça e filha de Ra, formava um casal que compreendia todo o âmbito da justiça, pois ele exercia-a sobre os deuses e os seres vivos, e Maat presidia o julgamento dos mortos, junto com Osíris. Também se apresenta Tot casado com outras duas esposas de ascendência divina, Seshet e com Nahmauit, e era considerado o pai de outros dois deuses menores, Hornub, filho havido com a primeira, e NeferHor, na sua união com a segunda, e gozava de um mês com o seu nome, consagrado a ele, situado no princípio de cada ano. Se importante era a alma universal de Tot, Amon converteu-se no rei dos deuses a partir da capitalidade de Tebas, no poder divino aos faraós e no deus único e oficial do Egito, substituindo-se a partir do trono o culto ao cansado e enfraquecido Ra no transporte do disco solar ao longo do arco celestial. Amon, com um critério coerente com a importância do astro solar, passou a ser o deus da vida, da criação, da fertilidade. Quando desaparecia no céu visível, Amon passava a iluminar a noite dos mortos, o outro lado da vida. Depois, com o reinado de Amenofis (auto-batizado Akhaenaton), Amon foi substituído por Aton, um derivado do deus criador, Atum, que doador da vida original foi converter-se na representação do sol de Poente e de lá, por vontade do faraó, no deus único. Mas ainda mudando de nome continuava a ser o mesmo deus solar, e pouco custou -após a morte do herege rei Akhaenaton- devolver-lhe o velho nome e as antigas atribuições, para recuperar a sua identidade inicial de Amon e ultrapassar os limites do império egípcio, sendo adotado como deus supremo nos povos vizinhos da Líbia, Núbia e Etiópia, convertendo-se em deus oracular no seu grande templo situado no meio das arenas desérticas da Líbia. O grande Amon, casado com a deusa Mut, teve um filho, Jons, que passou de ser uma divindade lunar secundária para converter-se em permanente acompanhante do seu pai nas diárias travessias a bordo da barca solar. Com Mut e Jons, completa-se o panteão tebano e fecha-se completamente a sagrada trindade dos deuses de Tebas, à semelhança do trio formado por Osíris, Ísis e Hórus. Se grande era o poder dos deuses e quase tanto o dos seus designados, os faraós, o mundo da morte era, em definitiva, o que governava a vida dos humanos, dado que toda a vida se orientava a cumprir com o custoso rito do enterramento, da preservação do corpo do defunto e do reunião dos muitos bens que deviam acompanhá-lo na sua marcha para a vida eterna. Além de todo este cortejo de móveis, barcas rituais, imagens do morto, efígies dos deuses menores e maiores, alimentos, livros de orações e conselhos, devia permanecer o corpo, tão intacto como se soubesse fazer, porque ainda não se tinha chegado a abstrair a idéia da "alma", e só se identificava a possibilidade da vida após a morte com a conservação do aspecto humano. Por isso, nos enterros mais privilegiados conservavam-se embalsamadas por separado, junto da múmia igualmente embalsamada, as vísceras do defunto, dado que não resultava possível, pela sua rápida deterioração, mantê-las dentro do cadáver. Aqui desempenhavam um papel decisivo os quatro filhos de Hórus, dado que -como faziam com as entranhas de Osíris - eles cuidavam do bom estado das vísceras humanas e as protegiam de qualquer perigo que pudesse ameaçá-las. As quatro repartiam as suas funções da seguinte maneira: Amsiti estava ao cuidado da vasilha que continha o fígado; Hapi velava pela urna onde se encontrava o pulmão; Tuemeft vigiava o estômago do defunto; e, finalmente, Kebsnef cuidava do vaso no qual se conservavam os intestinos. Mas os quatro filhos de Hórus não estavam sozinhos nestas transcendentais tarefas de ultra-tumba, dado que Ísis acompanhava Amsiti; Neftis estava com Hapi; Tuemeft cumpria a sua missão junto de Neith, a deusa das águas do Nilo; e Selket, divindade do Delta e que tinha criado o grande Ra, estava com Kebsnef. Osíris, com Hórus, Tot e Maat e os seus quarenta e dois assessores especializados nas quarenta e duas faltas que deviam ser calibradas, (sete vezes seis, um número duplamente mágico), presidia as cerimônias do estrito julgamento dos mortos. Ante ele eram pesadas as boas e as más obras do defunto, a alma ou resumo da sua vida, e julgava-se essa relação de pecados ou virtudes. Mas não terminava o trâmite com a pesagem e defesa do defunto; após essa primeira parte, se passava a contrastar se o exposto tinha sido certo e tudo o julgável tinha sido trazido à luz.
A veracidade do julgamento da alma era verificada com a pesagem minuciosa e precisa do coração, colocado na balança diante de uma leve pena, e bastava que esse coração fosse o que inclinasse a balança para o seu lado para que se condenasse o morto na verdadeira prova final, sendo condenado a padecer todos os sofrimentos possíveis, imobilizado na escuridão da sua tumba ou imediatamente o seu corpo devorado por uma aterradora divindade, Tueris, uma criatura com cabeça de crocodilo e corpo de hipopótamo que aguardava pacientemente o mentiroso. Se tudo estava a favor do defunto, Osíris premiava-o com o renascimento e a passagem para a vida eterna. Mas junto dele estavam outras duas divindades especializadas no ciclo da morte: Anúbis, filho de Neftis e Osíris, embora criado e educado por Ísis, e Upuaut, um antigo deus da guerra. Os dois aparecem sempre com cabeça de chacal, ou de cão (especialmente Anúbis) acompanhando Osíris no transe do julgamento como seus primeiros auxiliares. Eram dois seres acostumados a cuidar dos mortos, um por ter ajudado no seu dia a embalsamar o cadáver de Osíris, e o outro por ter tido que fazê-lo em tantas ocasiões, quando guiava as expedições guerreiras e devia cumprir o ritual com os seus guerreiros falecidos em combate. Embora fundamental para a vida em Egito, o grande rio, o Nilo, nunca chegou a ter uma divindade que o representasse no panteão nacional em igualdade de condições com os outros deuses, e só contou com o deus Hapi, que não era o mesmo que oficiava como filho de Hórus, dado que este tinha rasgos híbridos de mulher e de homem e luzia roupas de barqueiro do rio, tendo a sua morada numa caverna próxima da primeira catarata, a mais de mil quinhentos quilômetros da foz. Outras partes do rio tiveram quase mais importância do que Hapi, como foi o caso da grande corrente de água que conformava o rio - Satis - representada por uma mulher tocada com a tiara branca do alto Nilo e o arco e as flechas nas suas mãos, que era esposa da divindade da primeira catarata - Jnum - um deus com cabeça de carneiro, embora haja que precisar que foram quatro os diferentes Jnum venerados sobre as águas do Nilo. Também era esposa do Jnum da primeira catarata a deusa Anukit, a divindade que representava o estreitamento do rio à sua passagem pelas gargantas rochosas de Filae e Siena, ou o deus dos lagos -Hersef- que aparecia aos homens com o corpo de um homem e a cabeça de um borrego. Sabek, com cabeça de crocodilo, era a divindade das inundações benfeitoras, filho da deusa Neith, protetora das terras fecundas do Delta. Para as terras secas do Egito existia também uma divindade masculina específica, Minu, relacionada com a proteção dos viajantes que cruzavam as solitárias e calorosas arenas do deserto, e também encarregado da fecundidade dos campos e do gado. Nejbet, como mulher tocada com a tiara branca, ou em forma de abutre que voava sobre a cabeça dos reis, era a deusa protetora do Alto Egito. Hathor, além de ser a vaca criadora de tudo o visível e a protetora das mulheres e a maternidade, também estava situada no limite entre as terras férteis e as secas, oferecendo das figueiras a água e o pão aos mortos que se aproximavam do seu terreno para fazer-lhes saber que eram bem-vindos. Se a alegre e feliz Hathor tinha a forma de uma vaca, o seu animal companheiro devia ser o muito relevante deus Ápis, o boi divino adorado desde os primeiros tempos da existência do Egito, embora não chegasse à sua categoria celestial. Não é de admirar esta representação animal dado que todos os deuses egípcios tinham uma característica animal que geralmente portavam nas suas figurações em lugar da cabeça humana, quer fosse uma de falcão, como no caso de Hórus; de chacal ou cão, como a que distinguia Anúbis; de leoa, como a que personificava a deusa Sekhmet; de vaca, como às vezes levavam Ísis e Neftis; de bode, como podiam luzir Ra e Osíris; a cabeça de gato que diferenciava Bast e Mut; a de ganso que era a de Amon; o íbis e o macaco que encarnavam o supremo Tot; o escorpião que representava o espírito da deusa Selket, ou o fênix triunfal, que era a melhor forma de dar a conhecer a eternidade da alma dos dois grandes deuses Ra e Osíris. Mas o boi Ápis era um verdadeiro animal, selecionado entre os seus congêneres de acordo com umas marcas sagradas que deviam exibir, para servir de centro do seu culto; era cuidado no seu templo de Mênfis durante vinte e cinco anos, se chegasse a alcançar tal idade, depois era afogado e mumificado, para dar lugar ao seu sucessor. Mas junto da magnificência do boi Ápis, não há que esquecer o escaravelho sagrado, o Jepri, representação viva e múltipla do deus do sol e venerado em todos os cantos do Egito, sendo uma das representações mais freqüentes da divindade solar, que faz parte essencial da civilização egípcia e que está imortalizado entre os signos escolhidos para a linguagem escrita. Como pudemos ver, na envolvente da muito importante civilização egípcia se gera grande parte dos conhecimentos que vão fazer parte das culturas mediterrâneas. Como é natural, também no Egito nascem grande parte dos mitos recolhidos posteriormente pelos povos próximos, por hebreus e cristãos na Bíblia e pelos muçulmanos no Corão. Egito é o berço da gênese hebraica, é a primeira cultura que trata de sintetizar a criação do mundo e o seu barro original, é aceita para explicar também os diferentes credos que se elaboram a partir do seu. Egito é, sobretudo, o berço indiscutível do monoteísmo, do futuro deus único; do Egito, esta proposta sai para o norte com os hebreus que viviam e trabalhavam para os faraós; os cristãos retomam-na e os muçulmanos elaboram-na com novos dados, conservando o núcleo dos relatos bíblicos e acrescentando os elementos cristãos posteriores na sua singular recopilação do relato dos livros santos; também lá, com Set e Osíris, está a origem do mito de Caim e Abel como o vai estar o de Maria, nos primeiros séculos do cristianismo, da diocese de Alexandria, como mãe do menino Jesus, à qual se passa a denominar Rainha dos Céus, aproveitando o fervor que esta imagem levanta nos fiéis egípcios, mantendo-a igual a Ísis quando era adorada com o seu filho-irmão Osíris nos braços como prova do seu contínuo renascimento. Ainda mais importante: a vida depois da morte é outra das grandes idéias, talvez a fundamental, sobre as quais gira o espírito religioso egípcio, e essa promessa de vida eterna de uma melhor vida para os justos. Se se quer encontrar a melhor aportação da mitologia egípcia às religiões posteriores, há que procurá-la na grande esperança que implica o seu sistema de julgamento dos seres humanos. A recompensa imensa que os sucessivos deuses únicos (Jeová, a Trindade, Alá) vão oferecer aos hebreus, aos cristãos e aos muçulmanos, é a mesma que se descreve no Egito com o relato do julgamento de Osíris e a possibilidade da eternidade feliz; ao sair do seu contexto faraônico original democratiza-se e torna-se acessível a todos os fiéis por igual, ou mais concretamente, é oferecida com maior segurança a quem mais sofre, a quem menos possuí e desfruta nesta vida terrena, sendo a de Osíris a primeira idéia que o homem forja sobre a existência de um ser superior que tem que julgar os méritos e deméritos de cada um de nós. Com Osíris estão os seus quarenta e dois assessores, e deles nasce e fortalece-se a idéia do pecado estabelecido, a regra da religião exata e canônica, que toma corpo nos livros que no futuro querem ser norma inapelável. Para os cristãos, as tríades dos deuses egípcios (Osíris, Ísis e Hórus, ou Amon, Mut e Jons) consolidam-se e mantêm-se no conceito trinitário do seu deus. Egito, inicialmente isolado pelo deserto e pelos terrenos pantanosos do Delta, abre-se aos gregos e aos romanos e, através de Roma, a sua última dominadora, após a guerra entre os dois grandes rivais na luta pelo Império, Julius Caesar e Marcus Antonius, junto de Cleópatra, a rainha grega dos últimos dias da sua existência independente e grandiosa, termina por exportar para o Oriente próximo e para o Ocidente inteiro a base do seu ideário mítico, quando parece que o seu poder já se extinguiu para sempre.
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A arte Egípcia surgiu a mais de 3000 anos A.C., mas é entre 1560 e 1309 A.C. que a pintura Egípcia se destaca em procurar refletir os movimentos dos corpos e por apresentar preocupação com a delicadeza das formas.

O local a ser trabalhado primeiramente recebia um revestimento de gesso branco e em seguida se aplicava a tinta sobre gesso. Essa tinta era uma espécie de cola produzida com cores minerais.

Os egípcios ao esculpir e pintar tinham o propósito de relatar os acontecimentos de sua época, as histórias dos Faraós, deuses e do seu povo em menor escala, já que as pessoas não podiam ser representadas ao lado de deuses e nem dentro de templos. Provavelmente eles não tiveram a intenção de nos deixar a "arte" de seus criadores.

O tamanho das pessoas e objetos não caracterizavam necessariamente a distância um do outro e sim a importância do objeto, o poder e o nível social.

Os valores dos egípcios eram eternos e estáveis. Suas leis perduraram cerca de 6.000 anos. O Faraó representava os homens junto aos deuses e os deuses junto aos homens, assim como era responsável pelo bem-estar do povo, sendo considerado também como um próprio Deus.

Arte e arquitetura do Egito, edifícios, pinturas, esculturas e artes aplicadas do antigo Egito, da pré-história à conquista romana no ano 30 a.C. A história do Egito foi a mais longa de todas as civilizações antigas que floresceram em torno do Mediterrâneo, estendendo-se, quase sem interrupção, desde aproximadamente o ano 3000 a.C. até o século IV d.C.
A natureza do país — desenvolvido em torno do Nilo, que o banha e fertiliza, em quase total isolamento de influências culturais exteriores — produziu um estilo artístico que mal sofreu mudanças ao longo de seus mais de 3.000 anos de história. Todas as manifestações artísticas estiveram, basicamente, a serviço do estado, da religião e do faraó, considerado como um deus sobre a terra. Desde os primeiros tempos, a crença numa vida depois da morte ditou a norma de enterrar os corpos com seus melhores pertences, para assegurar seu trânsito na eternidade.
A regularidade dos ciclos naturais, o crescimento e a inundação anual do rio Nilo, a sucessão das estações e o curso solar que provocava o dia e a noite foram considerados como presentes dos deuses às pessoas do Egito. O pensamento, a cultura e a moral egípicios eram baseados num profundo respeito pela ordem e pelo equilíbrio. A arte pretendia ser útil: não se falava em peças ou em obras belas, e sim em eficazes ou eficientes.
O intercâmbio cultural e a novidade nunca foram considerados como algo importante por si mesmos. Assim, as convenções e o estilo representativos da arte egípcia, estabelecidos desde o primeiro momento, continuaram praticamente imutáveis através dos tempos. Para o espectador contemporâneo a linguagem artística pode parecer rígida e estática. Sua intenção fundamental, sem dúvida, não foi a de criar uma imagem real das coisas tal como apareciam, mas sim captar para a eternidade a essência do objeto, da pessoa ou do animal representado.

Período pré-dinástico


Os primeiros povoadores pré-históricos assentaram-se sobre as terras ou planaltos formados pelos sedimentos que o rio Nilo havia depositado em seu curso. Os objetos e ferramentas deixados pelos primeiros habitantes do Egito mostram sua paulatina transformação de uma sociedade de caçadores-catadores seminômades em agricultores sedentários. O período pré-dinástico abrange de 4000 a.C. a 3100 a.C., aproximadamente.

Antigo Império


Durante as primeiras dinastias, construíram-se importantes complexos funerários para os faraós em Abidos e Sakkara. Os hieróglifos (escrita figurativa), forma de escrever a língua egípcia, encontravam-se então em seu primeiro nível de evolução e já mostravam seu caráter de algo vivo, como o resto da decoração.
Na III dinastia, a capital mudou-se para Mênfis e os faraós iniciaram a construção de pirâmides, que substituíram as mastabas como tumbas reais. O arquiteto, cientista e pensador Imhotep construiu para o faraó Zoser (c. 2737-2717 a.C.) uma pirâmide em degraus de pedra e um grupo de templos, altares e dependências afins. Deste período é o famoso conjunto monumental de Gizé, onde se encontram as pirâmides de Quéops, Quéfren e Miquerinos.
A escultura caracterizava-se pelo estilo hierático, a rigidez, as formas cúbicas e a frontalidade. Primeiro, talhava-se um bloco de pedra de forma retangular; depois, desenhava-se na frente e nas laterais da pedra a figura ou objeto a ser representado. Destaca-se, dessa época, a estátua rígida do faraó Quéfren (c. 2530 a.C.).
A escultura em relevo servia a dois propósitos fundamentais: glorificar o faraó (feita nos muros dos templos) e preparar o espírito em seu caminho até a eternidade (feita nas tumbas).
Na cerâmica, as peças ricamente decoradas do período pré-dinástico foram substituídas por belas peças não decoradas, de superfície polida e com uma grande variedade de formas e modelos, destinadas a servir de objetos de uso cotidiano. Já as jóias eram feitas em ouro e pedras semipreciosas, incorporando formas e desenhos, de animais e de vegetais.
Ao finalizar a VI dinastia, o poder central do Egito havia diminuído e os governantes locais decidiram fazer as tumbas em suas próprias províncias, em lugar de serem enterrados perto das necrópoles dos faraós a quem serviam. Desta dinastia data a estátua em metal mais antiga que se conhece no Egito: uma imagem em cobre (c. 2300 a.C.) de Pepi I (c. 2395-2360 a.C.).

Médio Império


Mentuhotep II, faraó da XI dinastia, foi o primeiro faraó do novo Egito unificado do Médio Império (2134-1784 a.C.). Criou um novo estilo ou uma nova tipologia de monumento funerário, provavelmente inspirado nos conjuntos funerários do Antigo Império. Na margem oeste do Tebas, até o outro lado do Nilo, no lugar denominado de Deir el Bahari, construiu-se um templo no vale ligado por um longo caminho real a outro templo que se encontrava instalado na encosta da montanha. Formado por uma mastaba coroada por uma pirâmide e rodeado de pórticos em dois níveis, os muros foram decorados com relevos do faraó em companhia dos deuses.
A escultura do Médio Império se caracterizava pela tendência ao realismo. Destacam-se os retratos de faraós como Amenemés III e Sesóstris III.
O costume entre os nobres de serem enterrados em tumbas construídas em seus próprios centros de influência, em vez de na capital, manteve-se vigente. Ainda que muitas delas estivessem decoradas com relevos, como as tumbas de Asuán, no sul, outras, como as de Beni Hassan e El Bersha, no Médio Egito, foram decoradas exclusivamente com pinturas. A pintura também decorava os sarcófagos retangulares de madeira, típicos deste período. Os desenhos eram muito lineares e mostravam grande minúcia nos detalhes.
No Médio Império, também foram produzidos magníficos trabalhos de arte decorativa, particularmente jóias feitas em metais preciosos com incrustação de pedras coloridas. Neste período aparece a técnica do granulado e o barro vidrado alcançou grande importância para a elaboração de amuletos e pequenas figuras.

Novo Império


O Novo Império (1570-1070 a.C.) começou com a XVIII dinastia e foi uma época de grande poder, riqueza e influência. Quase todos os faraós deste período preocuparam-se em ampliar o conjunto de templos de Karnak, centro de culto a Amon, que se converteu, assim, num dos mais impressionantes complexos religiosos da história. Próximo a este conjunto, destaca-se também o templo de Luxor.
Do Novo Império, também se destaca o insólito templo da rainha Hatshepsut, em Deir el Bahari, levantado pelo arquiteto Senemut (morto no ano de 1428 a.C.) e situado diante dos alcantilados do rio Nilo, junto ao templo de Mentuhotep II.
Durante a XIX Dinastia, na época de Ramsés II, um dos mais importantes faraós do Novo Império, foram construídos os gigantescos templos de Abu Simbel, na Núbia, ao sul do Egito.
A escultura, naquele momento, alcançou uma nova dimensão e surgiu um estilo cortesão, no qual se combinavam perfeitamente a elegância e a cuidadosa atenção aos detalhes mais delicados. Tal estilo alcançaria a maturidade nos tempos de Amenófis III.
A arte na época de Akhenaton refletia a revolução religiosa promovida pelo faraó, que adorava Aton, deus solar, e projetou uma linha artística orientada nesta nova direção, eliminando a imobilidade tradicional da arte egípcia. Deste período, destaca-se o busto da rainha Nefertiti (c. 1365 a.C.).
A pintura predominou então na decoração das tumbas privadas. A necrópole de Tebas é uma rica fonte de informação sobre a lenta evolução da tradição artística, assim como de excelentes ilustrações da vida naquela época.
Durante o Novo Império, a arte decorativa, a pintura e a escultura alcançaram as mais elevadas etapas de perfeição e beleza. Os objetos de uso cotidiano, utilizados pela corte real e a nobreza, foram maravilhosamente desenhados e elaborados com grande destreza técnica. Não há melhor exemplo para ilustrar esta afirmação do que o enxoval funerário da tumba (descoberta em 1922) de Tutankhamen.

Época tardia


Em Madinat Habu, perto de Tebas, na margem ocidental do Nilo, Ramsés III, o último da poderosa saga de faraós da XX dinastia, levantou um enorme templo funerário (1198-1167 a.C.), cujos restos são os mais conservados na atualidade.
O rei assírio Assurbanipal conquistou o Egito, convertendo-o em província assíria até que Psamético I (664-610 a.C.) libertou o país da dominação e criou uma nova dinastia, a XXVI, denominada saíta. Desse período, destacam-se os trabalhos de escultura em bronze, de grande suavidade e brandura na modelagem, com tendência a formas torneadas. Os egípcios tiveram então contato com os gregos, alguns dos quais haviam servido em seu exército como mercenários, e
também com os judeus, através de uma colônia que estes tinham no sul, perto de Asuán.
A conquista do país por Alexandre Magno, em 332 a.C., e pelos romanos, no ano 30 a.C., introduziu o Egito na esfera do mundo clássico, embora persistissem suas antigas tradições artísticas. Alexandre (fundador da cidade de Alexandria, que se converteu num importante foco da cultura helenística) e seus sucessores aparecem representados em relevo nos muros dos templos como se fossem autênticos faraós — e num claro estilo egípcio, e não clássico. Os templos construídos durante o período ptolomaico (helênico) repetem os modelos arquitetônicos tradicionais do Egito.[1]

Arte Abstrata (IMAGENS)

Arte Abstrata