sábado, 2 de maio de 2015

Esculturas de sabão de coco

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Objetivo(s) 
  • Compreender as características da escultura;
  • Conhecer a diferença entre modelar e esculpir.
Conteúdo(s) 
  • História da escultura;
  • Características da escultura.
Ano(s) 
Tempo estimado 
5 aulas
Material necessário 
  • Caixa de papelão ou plástico (identificadas com o nome do aluno);
  • Dois pacotes (de cinco ou dez unidades) de sabão de coco em pedra (consistência mais dura) por aluno;
  • Colher de chá, faca sem ponta e sem serra (faca de queijo ou espátula para patê);
  • Chave de fenda nº8 e régua;
  • Saco plástico para o lixo.
Desenvolvimento 
1ª etapa 
Realize a projeção e a análise de imagens de esculturas no decorrer da história. Mostre a variedade de materiais e técnicas, passando por gesso, bronze, mármore, pedra sabão, terracota e outros. Aproveite para complementar os conhecimentos que eles já possuem sobre a história da Arte, resgatando a evolução das técnicas nos movimentos artísticos do Brasil e do mundo.

Durante essa primeira etapa, encoraje os alunos, faça perguntas e peça que compartilhem seus conhecimentos sobre o assunto. Indague, por exemplo, quem já foi a alguma exposição com esculturas? E quem viu esculturas espalhadas por praças ou jardins da cidade? O que viu de interessante nesses passeios?

Organize uma visita ao ateliê de um artista ou exiba um documentário. Uma sugestão é o vídeo que mostra Amilcar de Castro falando sobre seu trabalho e detalha o processo de produção de suas esculturas.
Para explicar a diferença entre esculpir e modelar, selecione trechos de vídeos como Entrevidas e Agonia e Êxtase, esse último com cenas de trabalhos de Michelangelo.

Você ainda pode levar os alunos para as praças públicas que possuam esculturas, mesmo que sejam trabalhos simples e figurativos, como os bustos de personalidades. Durante a visita, explore o estilo das obras, as técnicas e os materiais utilizados. Mostre, também, como a identificação da escultura é feita (essa informação será importante quando a classe for realizar a exposição final dos trabalhos).

A produção de alguns artistas pode ajudar na tarefa de ampliar o repertório da turma sobre essa expressão artística. Confira abaixo algumas sugestões e os aspectos a serem abordados com cada mestre:

- Alberto Giacometti: o trabalho dele representa a busca e a distorção do real através de figuras humanas alongadas (técnica: metal fundido).
- Michelangelo: A dificuldade do entalhe no mármore.
- Aleijadinho: Inspiração no Barroco Europeu associada à brasilidade (entalhe em madeira).
- Anna Maria Maiolino: Modelagem e moldagem usando a argila como matéria-prima para uma expressão artística contemporânea.
- Frank Benson: Artista contemporâneo que utiliza materiais e técnicas da escultura tradicional para revelar reflexões em torno da própria arte e do papel do artista.
- Mestre Vitalino: Escultura revelando a tradição e a cultura do Nordeste brasileiro (modelagem em argila).
- Jeff Koons (esculturas de balões): Também contemporâneo. A confecção parte de recursos industriais e tecnológicos.
- Antony Gormley: Reflete sobre as multidões e as imagens que o homem eterniza em seu meio (material: ferro).
- Frans Krajcberg: Seu lema é "fazer da Arte um grito a favor do planeta". Utiliza pedaços de madeiras caídos na natureza.
- Louise Bourgeois: Pelo desenho que suas "aranhas" de bronze formam no espaço.

Oriente os alunos para que façam anotações sobre os tipos de esculturas e técnicas e explique que nas próximas aulas eles vão produzir sua própria obra utilizando sabão de coco.

2ª etapa 
Apresente a lista de materiais (descrita acima) e faça uma pequena demonstração sobre como usá-los. Deixe que os estudantes explorem o material livremente para entendê-lo melhor. Reserve um pacote de sabão de coco para o produto final.

Incentive a reflexão sobre as possibilidades da escultura: o que é possível fazer com o material disponível? As obras serão abstratas ou figurativas? Alguém se inspirou por algum artista conhecido na primeira etapa? Oriente a criação de um esboço para desenvolver uma peça ou uma série de peças no sabão. Os alunos devem desenhar a idéia sobre papel, transferir o desenho para o sabão e aos poucos retirar os excessos até atingir o seu objetivo.
A escultura propriamente dita será feita com a colher ou espátula, raspando o sabão de coco para extrair as partes que não são necessárias para o seu objetivo. Lembre os alunos que o que é retirado não pode retornar, portanto eles devem ser cuidadosos e ampliar aos poucos a área trabalhada.

Para o acabamento final das esculturas, peça que coloquem uma de cada vez em água corrente e passem suavemente as mãos para que percam o excesso de raspas e fiquem lisas.

3ª etapa 
Encerre com uma exposição. Crie com os alunos uma maneira para expor os trabalhos e os conceitos discutidos em sala de aula. A solução pode ser uma mostra no pátio ou dentro da própria sala.

Avaliação 
Durante a segunda etapa, faça o registro sobre o processo:
O aluno conseguiu manusear o sabão de coco seguindo suas orientações? O resultado final está próximo do esboço que ele fez no papel? Ele se esforçou para conseguir um bom acabamento?

Você conhece Iberê Camargo?

Entenda mais sobre esse artista brasileiro e veja obras analisadas de três fases da trajetória.

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Iberê Camargo produzindo. Fundação Ibere Camargo/Divulgação
"Os grandes artistas não queriam inovar. Queriam dar uma resposta à vida. A pintura é isto - uma resposta à vida." Com essa frase, Iberê Camargo (1914-1994), pintor nascido na cidade de Restinga Seca, a 255 quilômetros de Porto Alegre, sintetiza a forma como criava. Ele permitia que seus sentimentos comandassem as mãos e deixou um vasto legado à arte nacional, como as obras Fiadas de Carretéis 2Ciclistas e A Idiota.

Interessado por pintura desde a infância, Iberê tornou-se uma referência nas artes visuais pela expressividade de seu traço. Apesar da presença de influências de Cândido Portinari (1903-1962) e Alberto Guignard (1896-1962) em suas obras, ele rejeitava rótulos e não quis se filiar a nenhuma corrente artística. "Iberê vai além do senso comum, da arte como algo bonito, do dia a dia. Ele a via como expressão do que sentia", afirma Camila Monteiro, coordenadora do Programa Educativo da Fundação Iberê Camargo, em Porto Alegre.

Nas aulas de Arte é possível realizar um trabalho de apreciação com a turma, uma habilidade contemplada nos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN), que prevê situações de estudo e análise de produções, artistas ou movimentos em aula, com o objetivo de proporcionar a formação artística e a percepção estética dos alunos. Prever situações de apreciação de obras contribui para repertoriar o processo de criação dos estudantes quanto para ampliar a formação deles como cidadãos, principalmente por intensificar as relações dos indivíduos tanto com seu mundo interior como o exterior.

Ao propor essa atividade, o professor deve auxiliar os alunos a desenvolver um olhar atento, fazendo intervenções para que possam considerar as características e os significados das produções. Com isso, a garotada irá construir as próprias percepções sobre as obras, ampliando o repertório e a autonomia crítica.

Sempre que for viável, é importante apreciar as criações artísticas de perto, visitando exposições, mostras e galerias. "A exposição permite observar as obras de outro ponto de vista - ver uma do lado da outra, por exemplo", aponta Camila. Também é possível observar a produção de perto, de longe, atentando para as diferentes percepções e para a técnica aplicada. Caso não haja essa possibilidade, vale usar alguns sites que permitem um contato mais aproximado com a Arte, como o Google Art Project, em que há obras de Iberê Camargo para apreciação. Lá é possível aproximar a imagem e ver detalhes das produções.

NOVA ESCOLA selecionou três pinturas representantes das fases Carretéis, Ciclistas e Idiotas, e as analisou com ajuda de Camila e Eduardo Haesbaert, assistente do artista no fim da vida dele e coordenador do acervo da Fundação Iberê Camargo. Navegue por elas nas próximas páginas e conheça mais a fundo as características da produção de Iberê. Nos quadros abaixo de cada obra, você encontra possibilidades de intervenção que podem ser feitas em um momento de apreciação artística com os alunos nas aulas de Arte.

Serviço: 
Parte da obra de Iberê Camargo pode ser vista na exposição Iberê Camargo: Século XXI, no Instituto que leva o nome dele, em Porto Alegre. Lá, os visitantes encontram também produções de artistas contemporâneos que dialogam com a arte de Iberê.

Período: até 29 de março de 2015
Horário: terça e quarta, das 12h às 19h; quinta, das 12h às 21h; sexta a domingo, das 12h às 19h
Local: Instituto Iberê Camargo - Av. Padre Cacique, 2000, Porto Alegre, RS
Telefone: (51) 3247-8000
Entrada: gratuita

Indicações de livros e vídeo:
  • Gaveta dos Guardados (Iberê Camargo, 144 págs., Ed. Cosac Naify, tel. 11/3823-6584, 38 reais)
  • No Andar do Tempo (Iberê Camargo, 80 págs., Ed. Cosac Naify, tel. 11/3823-6584, 42 reais)
  • Iberê Camargo em processoDisponível aqui.
Continue lendo a reportagem:

Rosana Salles ·

Emoticon heart Emoticon heart Rosana Salles · 
O que penso sobre indisciplina nas escolas, vem ao encontro do que ouvi de Sérgio Cortella: "Temos alunos do século XXI, com um professor formado no modelo do século XX e uma estrutura escolar do século XIX. Portanto, está tudo errado na educação brasileira! O que todos os responsáveis pela educação devem fazer, e aí incluem-se principalmente, os responsáveis pelas políticas educacionais, é "mudar radicalmente o nosso modelo de escola". Esse modelo é ultrapassado e ineficiente! Gostaria de trabalhar numa escola em que a autonomia e cidadania fossem práticas constantes baseadas em respeito, responsabilidade e solidariedade. Mas, isso é sonho de qualquer professor. No contexto da indisciplina, todos nós somos responsáveis e o professor é um dos agentes de transformação, mas não o único profissional capaz de mudar esse quadro caótico da educação no país. Então, fica aqui a pergunta: Será que os governantes desejam um novo modelo de escola? E mais, será que a escola quer se transformar? Ou prefere repetir o modelo do século XIX?

Como elaborar provas que ajudam na aprendizagem


Uma reunião de formação vai ajudar os professores a elaborar exames cada vez mais eficientes para a avaliação dos alunos


Temida pelos alunos e questionada quanto aos resultados, a prova deixou de ser o único instrumento de avaliação usado pelo professor. Hoje, ele dispõe de outras ferramentas para verificar o conhecimento da turma. Contudo, isso não significa que a prova deva ser banida das salas de aula. Quando elaborada com precisão, pode ser uma ótima aliada para produzir um bom diagnóstico do que a turma aprendeu. O resultado de uma prova vai servir de parâmetro para que o professor aprimore seu planejamento e seu trabalho em sala de aula. Para que seja eficiente, porém, ela precisa ser preparada com cuidado e o coordenador pedagógico pode ajudar muito a equipe (veja os pontos que devem ser levados em consideração na elaboração de uma prova nos infográficos do último quadro).

"Apesar da necessidade de tornar a avaliação contínua e diversificada, a simples observação do professor nunca é suficientemente profunda e individualizada em uma classe com dezenas de estudantes. A avaliação por escrito, portanto, sempre terá sua importância", afirma Jussara Hoffmann, autora de livros sobre o tema e uma das críticas dos testes feitos apenas para atribuir um conceito aos alunos. Jussara propõe o uso de questões cujas respostas indiquem o que cada um aprendeu e, com isso, ajudem o professor a melhorar as aulas. Cabe ao gestor responsável pela formação permanente - em geral, o coordenador pedagógico - fazer reuniões para discutir os critérios de elaboração (leia mais no quadro abaixo).
Pauta da reuniãoOficina de prova
- Marque com os professores um encontro de formação para falar sobre os métodos de avaliação e o papel da prova escrita. Para que haja exemplos, peça ao grupo um exame elaborado com base no caderno de um aluno.
- Inicie falando sobre a importância de elaborar questões específicas para cada turma e baseadas nas práticas desenvolvidas em classe.
n Peça que os professores troquem entre si as provas e os materiais usados para elaboração.
- Os educadores devem ler os exames e analisar se entenderam o enunciado e se as questões coincidem em forma e conteúdo com as encontradas nos cadernos.
- Pergunte: as atividades são parecidas com as realizadas pelos alunos? As perguntas se justificam diante do que o professor quer saber? As questões estão claras? Há espaço para as respostas? As orientações estão adequadas?
- Cada educador devolve a prova ao colega que a elaborou com observações e sugestões de pontos a melhorar.
- Proponha a reformulação das provas atendendo às solicitações do colega.
- Por fim, peça que os participantes troquem novamente as produções e debatam se a nova versão resulta em um diagnóstico mais preciso do que os alunos aprenderam.

Consultoria: Priscila Monteiro, coordenadora da formação em Matemática da prefeitura de São Caetano do Sul, SP, e formadora do projeto Matemática É D+, da Fundação Victor Civita.
 Questões devem ter familiaridade com as atividades desenvolvidas nas aulas 
O principal problema destacado por especialistas é a falta de conexão entre as provas e o dia a dia da sala de aula. "As práticas pedagógicas estão mais diversificadas. Contudo, na hora de avaliar, os professores dão para o aluno uma folha com questões que não têm nenhuma relação com as atividades que ele está habituado a fazer", afirma Jussara.

O correto é tomar como base não apenas o conteúdo ensinado em sala mas também a forma como ele foi apresentado. Se uma turma trabalhou em duplas nas aulas e explorou as possibilidades de respostas de forma colaborativa, por exemplo, o mesmo método pode ser adotado no exame. "Não há motivo para fazer da prova uma surpresa para o grupo", afirma Beatriz Cortese, formadora do Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária (Cenpec), de São Paulo. Para ela, a melhor maneira de conferir se há a ligação entre o cotidiano da classe e as solicitações da prova é compará-la com as anotações nos cadernos.

Além de fazer a formação da equipe docente, debatendo as diversas estratégias possíveis para preparar uma boa prova, o coordendor pode avaliar uma cópia do exame antes de ele ser dado aos alunos, observando se as atividades conferem com o que foi ensinado. É interessante notar também a linguagem utilizada. O enunciado das perguntas explicita claramente o que os estudantes precisam fazer? Pegadinhas ou enigmas são inúteis, pois a equipe não terá condições de avaliar se o estudante não sabia o conteúdo ou se não entendeu o que foi pedido.

Lea Depresbiteris, doutora em Psicologia Escolar pela Universidade de São Paulo, destaca também a importância de entregar aos estudantes provas que não sejam muito fáceis nem difíceis demais. "O nível do desafio não deve ser nem tão alto que frustre o aluno, nem tão baixo que o torne desmotivado", explica. O ideal é que o exame não seja muito extenso porque a capacidade de concentração dos menores - principalmente nos primeiros anos do Ensino Fundamental - ainda está em desenvolvimento. "Aos 9 ou 10 anos, a criança costuma manter o interesse e a concentracão em uma só atividade por cerca de uma hora", afirma Lea. Para evitar o cansaço, oriente os professores a mesclar perguntas objetivas e dissertativas e a pedir que todos leiam as questões no início. Os mais ansiosos certamente começarão pelas mais simples, e os que se cansam rapidamente, por sua vez, poderão responder antes as mais complexas.
O olhar do coordenadorVeja o que você deve analisar nas provas elaboradas pelos professores. Compare-as com registros dos alunos e outros materiais para saber quais conteúdos foram estudados
Identificação
A prova deve ter um espaço adequado para a identificação do aluno e a nota do professor

Prova de Matemática Nome da escola:________________________________________
Nome do professor: ______________________________________
Nome do aluno: __________________________________________
Classe: _______
Data: ________ Conceito:______
Regras claras
As informações para a turma devem estar em destaque. O professor deve lê-las para que todos compreendam


Orientações para a realização da prova
Leia atentamente todas as questões da prova na frente e no verso da folha. Avalie quais são mais fáceis e quais são mais difíceis e decida por qual você quer começar.
Use lápis para o caso de você querer apagar. Se utilizar outra folha para rascunho, entregue-a para seu professor junto com a prova para ele considerar suas estratégias e não apenas o resultado.
Tempo
Nesta questão, há quatro problemas. Será que a prova não ficará muito longa? Peça ao professor que use a experiência das aulas para analisar se as crianças conseguirão manter a concentração.
Linguagem
Preste atenção nas palavras. Se o objetivo não é verificar o vocabulário, questione termos que possamser de compreensão difícil e comprometer o entendimento.

Objetivo
A pergunta corresponde ao que o professor realmente quer avaliar? Uma questão como esta pode gerar respostas pouco esclarecedoras, como "porque fiz a conta".

Espaço
Para evitar grande número de papéis e anexos, deve-se deixar espaço suficiente
entre as perguntas para rascunho e o desenvolvimento de raciocínios ou contas.
1) Resolva os problemas
- Um fazendeiro tinha 285 bois. Comprou mais 176 bois e depois vendeu 85 deles.
Quantos bois esse fazendeiro tem agora?

- Anália deve R$ 345,00 para Andréia e esta deve R$ 248,00 para Anália. Quem deve pagar a quem para que ambas as dívidas sejam saldadas? Quanto?

- Marcos, Laura e João repartem entre eles uma soma de dinheiro da seguinte maneira:
Marcos recebe o dobro de Laura. João recebe a mesma quantidade que Marcos e Laura juntos. João recebeu R$ 141,00. Que quantidade de dinheiro os três repartiram? Quanto Marcos e Laura receberam? Como você pode garantir que sua resposta está correta?

- Se eu tenho no banco R$ 6.754,00 e retiro todos os dias R$ 17,00, em quantos dias terei retirado todo o meu dinheiro?

__________________________________________________________
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FamiliaridadeO aluno está habituado ao conteúdo e ao tipo de questão? Para resolver esta questão, ele precisa ter trabalhado com tabelas em sala, além de ter noções de conceitos bancários.
2) Virgínia acompanha diariamente, pelo computador, o movimento de sua conta bancária. Os depósitos feitos na sua conta são lançados como créditos e os pagamentos ou retiradas são lançados como débito. Na tabela a seguir estão os lançamentos feitos em quatro dias do mês de março. Todos os valores estão em reais.
Março Créditos Débitos
2            25             100
5            320          50
8            42             0
10         101           205 
O saldo inicial era zero. Qual é o saldo atual de Virgínia ao considerar esses lançamentos?
Além da resposta
A pergunta objetiva é acompanhada de outra, que pede que os alunos expliquem como pensaram - uma maneira de o professor saber o que eles já sabem para ensiná-los com base nisso.

3) Marque o número mais próximo do resultado para cada um dos cálculos abaixo e explique como você chegou a ele.
tabela

Para que servem os resultados das avaliações?


Mais do que com rankings, a escola deve se preocupar com a formação de pessoas para o mundo

Terezinha Azerêdo Rios (gestaoescolar@fvc.org.br)

Terezinha Azerêdo Rios. Foto: Tamires KoppÉtica na escola
Terezinha Azerêdo Rios é graduada em Filosofia e doutora em Educação.

Ter a escola classificada entre as melhores da cidade, da região ou do país é motivo de orgulho para qualquer gestor. O trabalho reconhecido gratifica e faz com que se procure ir adiante, aprimorando cada vez mais seus frutos. Por outro lado, compreende-se a preocupação dos diretores cujas unidades não têm desempenho satisfatório. O esforço pela busca de um bom desempenho é aí requerido de maneira especial.

Para além dos resultados e da ressonância deles na comunidade, vale refletir sobre o significado da qualidade que se deseja nos processos de ensino e aprendizagem. Do ponto de vista da ética, um trabalho de boa qualidade é aquele que faz bem, isto é, que vai ao encontro do que é necessário para uma vida plena, para o conhecimento ampliador das potencialidades humanas e da intervenção na construção de uma sociedade igualitária e democrática. Assim, é preciso que os educadores examinem, de um lado, as exigências que se fazem às escolas e os critérios os quais se determina o que é boa qualidade; de outro, os valores que os sustentam e como eles se articulam com as necessidades concretas do contexto social.

Os gestores precisam ficar atentos para não reduzir os resultados dos processos de ensino e aprendizagem apenas ao caráter técnico e ignorar as dimensões estética, política e ética. Para essa reflexão, cabem algumas perguntas: os alunos que dominam bem o conteúdo das disciplinas se relacionam de maneira respeitosa com os demais? Têm consciência da responsabilidade que emerge com a aquisição dos saberes? Vão além da perspectiva pragmática da aprendizagem? Afirmamos que cabe à escola colaborar na construção da cidadania. Temos de pensar, então, o que isso implica quando se fala em escolas de qualidade.

Quero reiterar algo que tenho partilhado em encontros com colegas educadores: o bom ensino é aquele que cria condições para a formação de alguém que sabe ler, escrever, resolver problemas. Isso parece óbvio, mas, como aprendemos com Darcy Ribeiro, o óbvio nem sempre é reconhecido como tal. Por isso, é preciso esclarecer.

Quando dizemos ler, escrever e resolver problemas, estamos afirmando: ler não apenas os livros mas também os sinais do mundo e a cultura do nosso tempo. Escrever não apenas nos cadernos ou computadores mas também na realidade da qual fazemos parte, deixando sinais e símbolos, intervindo em sua significação e ressignificação. Resolver problemas não apenas no espaço da Matemática, mas no amplo universo das questões que desafiam os seres humanos na construção de sua história, no convívio com os outros, nas expressões político-sociais, nas criações artísticas, nas manifestações religiosas e nas investigações científicas.

Aqui, algumas outras indagações nos desafiam: estarão as escolas realizando um bom trabalho nessa direção? Haverá efetivamente uma preocupação com a qualidade social da aprendizagem? O conhecimento adquirido deve contribuir para o reconhecimento, o respeito e a valorização do outro? Vale dizer que só respostas afirmativas farão com que haja sentido em se orgulhar de bons resultados e em procurar buscá-los quando ainda não foram consolidados.
É graduada em Filosofia e doutora em Educação.

O espaço físico da escola é um espaço pedagógico


A escola é uma das nossas moradas e deve ser preservada para acolher bem os alunos, no presente e no futuro

Terezinha Azerêdo Rios (gestaoescolar@fvc.org.br)

Terezinha Azerêdo Rios. Foto: Tamires KoppÉtica na escola
Terezinha Azerêdo Rios é graduada em Filosofia e doutora em Educação
A palavra ethos foi usada pela primeira vez entre os gregos para designar a morada dos homens, o local no qual eles se reuniam e se protegiam dos perigos a que estavam expostos na natureza. Abrigar-se é algo próprio dos animais.

Entretanto, enquanto os humanos transformam sua moradia de maneira intencional, planejada, fazendo mudanças com base em um projeto e dando uma cara própria a sua casa, o mesmo não ocorre com os demais - nesse caso, é a natureza que estabelece a maneira como eles irão modificá-las.

Para além do determinismo da physis (palavra grega que significa "natureza"), os humanos criam o ethos, que, em um segundo momento, passa a representar, além do abrigo, o conjunto de produtos culturais que identifica um grupo, uma comunidade e uma sociedade. No sentido literal ou figurativo, o ethos é a casa do homem e, portanto, necessita ser preservado. Mas são muitas as nossas casas. Uma delas é a escola que, embora seja diferente do espaço em que vivem os que a frequentam, exige deles o mesmo cuidado. E cuidado deriva de respeito, o princípio fundamental da ética. Respeitar implica reconhecer o outro e a existência junto com ele num tempo e local específicos.

O ambiente escolar - como um espaço público no qual grande parte de nossas crianças e jovens passam seu tempo - é um dos lugares que permitem exercitar tal convívio. A estrutura física da escola, assim como sua organização, manutenção e segurança, revela muito sobre a vida que ali se desenvolve.

Os educadores têm pensado na organização desse espaço? O trabalho educativo não se limita à sala de aula, mas, se a configuração desse ambiente for acolhedora, poderá contribuir para tornar mais prazeroso o trabalho que ali se faz. Serão assim as nossas salas de aula? Pensarão os gestores nesses assuntos ou os deixarão em segundo plano, envolvidos que estão com as chamadas "questões pedagógicas"? Ora, o primeiro passo para se envolver com os aspectos relacionados ao espaço físico é considerá-los pedagógicos. É aí que a dimensão ética se articula com a estética, de modo estreito.

Escola bonita não deve ser apenas um prédio limpo e bem planejado, mas um espaço no qual se intervém de maneira a favorecer sempre o aprendizado, fazendo com que as pessoas possam se sentir confortáveis e consigam reconhecê-lo como um lugar que lhes pertence.

Hoje falamos muito sobre sustentabilidade. Apontamos o dever ético, comum a todos os seres vivos, de cuidar da casa que habitamos no presente, de forma a preservá-la para que se mantenha efetivamente acolhedora para aqueles que vierem depois. A Terra é nossa morada, temos uma responsabilidade planetária.

Nas escolas, procura-se fazer um trabalho de conscientização, apontando os riscos e danos a que estaremos expostos se não estivermos atentos às questões relacionadas à exploração do meio ambiente e às intervenções que podem provocar sua destruição.

Os educadores devem empenhar-se na tarefa de despertar uma consciência crítica em relação ao cuidado com o planeta. Contudo, essa preocupação só terá sentido se partir da atenção com o espaço mais restrito, que é o do país, da cidade e da casa. Da casa que é a nossa escola.
Terezinha Azerêdo Rios 
É graduada em Filosofia e doutora em Educação

O diferente no currículo

O diferente no currículo

Dar espaço à criatividade e exercitar a convivência enriquece o cotidiano da escola e faz com que ele ganhe mais sentido

Terezinha Azerêdo Rios. Foto: Tamires KoppÉtica na escola
Terezinha Azerêdo Rios é graduada em Filosofia e doutora em Educação.



Nosso trabalho educativo é constituído de várias dimensões, estreitamente articuladas. Costumamos, porém, considerá-las como elementos separados, sem perceber que, integrados, nos permitem aprimorar a qualidade de ações e relações.

Consideremos, primeiramente, a articulação entre as dimensões técnica e política. Ao ensinar, estamos sempre preocupados com o que e como fazer. Contudo, de nada adianta essa apreensão se não levarmos em conta o motivo das ações, por que as realizamos. Enquanto o que e o como fazer nos remetem à dimensão técnica do trabalho, o porquê nos leva ao território da política e da moral.

Devemos lecionar Língua Portuguesa, Matemática e Arte, entre outras disciplinas, recorrendo a métodos que favoreçam a aprendizagem. É com base no valor atribuído a esses procedimentos e saberes que se organizam os processos educativos. No caso da Educação escolar, definem-se os currículos, estipulam-se objetivos e determinam-se sequências do trabalho. Há justificativas científicas e pedagógicas para essa escolha, mas há também decisões políticas e morais. Portanto é essencial refletir sobre os valores em que se apoiam as propostas, buscando a sua consistência e os seus fundamentos e dando lugar ao diferente e à mudança. É aí que se encontra a dimensão ética.

Revi há pouco o filme Conrack, do diretor norte-americano Martin Ritt, para uma discussão com gestores em Minas Gerais. O enredo se baseia num fato real, ocorrido em 1969, na Carolina do Sul, nos Estados Unidos, e mostra a dificuldade de um jovem professor branco que foi trabalhar na única escola de uma ilha habitada majoritariamente por negros.

Ele apostava na alegria como impulsionadora de conhecimento e transformação, mas teve suas aulas rigidamente controladas pela diretora e por um supervisor. Deixo ao leitor o prazer do desenrolar da história, porém chamo a atenção para as atitudes dos gestores que ali se apresentaram e limitaram a atuação competente do docente - e que podem acontecer em qualquer escola.

Refiro-me a uma concepção de poder e autoridade ligada ao cumprimento estrito das regras, que não deixa espaço para criatividade, estilos diferentes de agir e novas alternativas para a convivência. Nesse caso, a rigidez tomou lugar do rigor - este, sim, necessário no trabalho e parceiro da alegria. Regras devem existir desde que sejam questionadas e alteradas quando se mostram inconsistentes.

No evento realizado em Minas, pediu-se aos educadores que bolassem outro final para o filme, deixando implícita a ideia de que as ações dos seres humanos e as relações entre eles envolvem fatores socioculturais e históricos, alguns dos quais influenciam as escolhas e os caminhos. A atividade levava também à constatação de que a história é dramática, pois implica o exercício da liberdade, da vontade, da criatividade e da convivência.

A aprendizagem que está sendo construída em nossas escolas ganha mais sentido se tivermos clareza disso e nos empenharmos em estimular a aventura de criar espaços para invenções e descobertas gratificantes, que envolvam alunos e professores. Ao percebermos criticamente as articulações nas relações professor/aluno, todos aprendemos, todos ganhamos.