terça-feira, 7 de agosto de 2018

Plano de Aula - Diversidade cultural: uma proposta de disseminação da cultura afro no contexto escolar

Plano de Aula - Diversidade cultural: uma proposta de disseminação da cultura afro no contexto escolar

Manifestacoes Culturais01

PROJETO ESCOLA & UNIVERSIDADE
Por ELIZABETE APARECIDA SOLA FRANCO
1.INTRODUÇÃO
O projeto "Diversidade cultural: uma proposta de disseminação da cultura afro no contexto escolar" pretende abordar as questões de se valorizar e compreender um pouco mais sobre a beleza e diversidade da cultura afro-brasileira.
A valorização da cultura afro-brasileira tem sido enfocada nos dias de hoje, como por exemplo, a lei nº 10.639 de 09 de janeiro de 2003, que estabelece a obrigatoriedade do ensino da história e cultura afro-brasileira e africana na Educação do Ensino Fundamental e Médio. Entretanto, não raro, ela encontra-se distante do ambiente escolar, pois é negligenciada pelos professores, ou, ignorada e tal comportamento passou a ser um dos obstáculos pedagógicos, interferindo no ensino-aprendizagem. Ademais, muitos profissionais desconhecem ou tem receio de trabalhar este conteúdo, por não estarem preparados para entrar no âmbito das discussões políticas, de preconceito social, racial e religioso, bem como, serem também fruto de um processo pedagógico que também os alijou desses conhecimentos.
Para tanto, será enfatizado o valor educacional da cultura afro descendente através do ensino de história e da dança, propiciando um resgate cultural, apresentando a cultura afro-brasileira como elemento de integração da comunicação individual e coletiva, pois através dela facilitaremos as relações sociais, reconhecendo os conflitos inerentes a esse tema.
Este projeto tem a intenção de contribuir para a disseminação e reflexão da cultura afro-brasileira através da Dança e da História, uma vez que são raros os trabalhos produzidos.
2. PROBLEMATIZAÇÃO
É possível desenvolver uma proposta metodológica para o ensino da cultura afro-brasileira entre os alunos do Ensino Fundamental da rede municipal de ensino, possibilitando transformar a realidade em relação ao preconceito étnico racial?
A escola é um espaço que oportuniza os/as alunos/as a conviverem com outras crianças de mesma faixa etária e é um ambiente propício para que ocorra o aprendizado. Esse, segundo as Diretrizes Curriculares de Curitiba, deve preconizar o seu desenvolvimento em todas as dimensões do ser humano. Nesse universo escolar a diversidade, a diferença e a desigualdade se fazem presentes também nas questões étnicas e culturais.
O respeito pela diversidade deve ser trabalhado em todas as áreas do conhecimento, sendo uma das formas de efetivamente incluir a diversidade no currículo acadêmico e explorando a cultura afro-brasileira devido a suas inúmeras possibilidades de enfoque.
No Brasil, nos últimos anos, a preocupação de educadores e legisladores em mencionar a dança em seus trabalhos e projetos têm sido evidente. É nessa perspectiva da diversidade e da multiplicidade de propostas e ações que caracterizam o mundo contemporâneo que seria interessante lançarmos um olhar mais critico sobre a dança na escola.
A dança e a cultura afro-brasileira seria uma das maneiras de apresentar aos alunos uma novidade carregada desse potencial educativo, pois no seu ensinamento utilizamos o movimento consciente para expressar ideias, pensamentos e reflexões nos âmbitos filosóficos, sociais e políticos. Além de valorizar a cultura dos negros e de seus descendentes.
Com base na realidade presente na maioria das escolas podemos questionar a possibilidade de trabalhar a dança e cultura afro-brasileira junto aos alunos com o caráter formativo, como cultura corporal, abordando a diversidade, a diferença e a desigualdade entre eles.
3. OBJETIVOS
3.1 Geral:
Propor a cultura afro-brasileira nas aulas de docência e Educação Física e oportunizar aos alunos/as o conhecimento de alguns tipos de dança afro, bem como nas aulas de história promovendo novas experiências, assegurando a formação cultural e humana do discente.
3.2 Específicos:
- Fazer uma apresentação teórica da cultura afro-brasileira, com a possibilidade de sua identificação e entendimento como cultura popular;
- Promover reflexões sobre esta manifestação cultural;
- Oferecer oficinas de dança experimentando vários ritmos afros, buscando formas, técnicas corporais de saber criar e recriar movimentos de forma espontânea e criativa;
- Improvisar e elaborar coreografias significativas para os discentes tendo como tema a cultura afro-brasileira.
- Proporcionar desenvolvimento unilateral.
- Reconhecer as diferentes manifestações culturais como produção da humanidade nos diferentes tempos e nos diferentes espaços, relacionando-as com o contexto local.
- Respeitar a diversidade cultural, étnica, religiosa.
- Apresentar os trabalhos desenvolvidos para a comunidade escolar.
4. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA:
A cultura é histórica, pensar em cultura é pensar em conhecimento, significado e formas de interpretar o mundo e nosso cotidiano. A construção de uma cultura é baseada no que fomos agregando ao longo da história para transformar e transmitir nosso pensamento, nossas formas de ser e sentir. Conhecer, aprender, ver as diferenças, como somos e como nos relacionamos é se apropriar do conhecimento.
Para entender o conhecimento, temos que refletir os inúmeros fatores pelos quais somos influenciados, como: o que assistimos na TV, o que temos como hábito de leitura, de saberes adquiridos, de técnicas corporais incorporadas, entre outros.
Avila (2000, p.2) ao tratar da cultura nos indica que não podemos compreendê-la como algo homogêneo, alertando para o fato de que ela possui diferentes formas de coexistir na esfera social, refletindo formas desiguais de apropriação do capital cultural: as culturas populares (segundo Gramsci), as culturas hegemônicas e a cultura de massa. Para ela há um entendimento corrente de que a cultura popular é algo primitivo, que necessita evoluir. Chauí (apud Avila, 2000, p.3) apresenta o seguinte questionamento a respeito da cultura popular: "Seria a cultura de um povo ou a cultura para o povo"? Esse desencadeamento de várias culturas, as influências recebidas e adicionadas foram sendo incorporadas pelo povo e refletidas na sociedade o que nos fornece o entendimento de que seja recíproco nesse processo de composição do percurso histórico. Para o folclore Gramsciano, como uma subcultura das classes dominadas. A cultura popular é uma forma pela quais os dominados se organizam, compreendem, apreendem e resignificam a cultura hegemônica. A cultura hegemônica pode ser entendida como uma cultura dominante, sendo imposta e estável, pode dizer que a cultura hegemônica precisa da cultura popular para existir, para tê-los como subordinados, pois é esta dinâmica que irá determinar o cenário de cultura que vivenciam.
Para Chauí apud Avila (2000, p.5) a cultura popular é uma manifestação dos dominados, buscando formas pelas quais a cultura dominante pode ser aceita, interiorizada, reproduzida e transformada, ou mesmo recusada e negada pelos dominados. Canclini apud Avila (2000, p.17) coloca alguns exemplos sobre folclore, utilizando do artesanato e das festas como formas de ilustrar possibilidades para a construção de outra hegemonia. As manifestações contestatórias podem auxiliar na libertação dos setores oprimidos desde que possamos reconhecê-los como símbolos de uma identidade social. Os negros podem servir de exemplo para clarificar esta realidade. Os negros escravizados inventaram a capoeira como forma de luta - e que é e pode ser vista também como dança- mas sendo o seu verdadeiro sentido uma forma de se defender. Para melhor compreender esse aspecto, é importante observar o ciclo histórico e cultural, os pontos de ruptura e de transformação dos nossos processos sócio-culturais.
Precisamos ver que existem diferenças e fica difícil estabelecer critérios rígidos e históricos sobre o que seria bom ou ruim na construção cultural, pois trilhamos caminhos diversos que abrangem política, processos mercadológicos, sistemas de produção, influências midiáticas que impedem de pensar de forma homogênea a cultura.
4.1 A CULTURA E SUAS REPERCUSSÕES
A cultura é essencial ao desenvolvimento do ser humano. De todas as manifestações culturais, a dança é uma das mais representativas, pois reflete os aspectos relativos a uma determinada sociedade e desenvolve, a partir da expressão corporal, movimentos e ritmos diversos. Segundo Boyer (1983), a arte é essencial na experiência humana, não é uma frivolidade, ele recomenda que a arte seja estudada para descobrir como seres humanos usam símbolos não verbais e se comunicam não apenas com palavras, mas através da música, teatro, dança e na construção do conhecimento. Em seu aspecto folclórico expressa as origens nacionais, divulgam e perpetuam a cultura de um povo, além de estabelecer bom relacionamento social e laços de solidariedade, como a democracia, a união, entre outros. (Vargas, 2007:58).
Segundo Nanni (1995 p.29), "criar é dar forma a um fenômeno de modo novo e compreendido em termos novos" e a dança permite isso, pelo processo educacional, a utilização do processo criativo, e por meio deste criar novas formas e fenômenos do movimento. Ainda para Nanni (2002, p.100), "a escola deverá estar sensível ao mundo daqueles que são a maioria, as classes populares e se valer da vontade de fazer chegar a elas conteúdos significativos que tenham relação com sua vida e que permitam a compreensão em si, das coisas que a cercam, e da relação entre ambos".
Através das atividades de história e de dança, pretendemos que a criança evolua quanto ao domínio de seu corpo, respeitando as diferenças, desenvolvendo e aprimorando suas possibilidades de movimento e de entendimento sobre a diversidade cultural.
A escola, enquanto meio educacional deve oportunizar didáticas e metodologias que facilitem a compreensão sobre a cultura afro-brasileira.
A atuação do professor principalmente nas séries iniciais deverá ser planejada e coerente. Conforme Gallahue e Ozmun (2001) a escola, muitas vezes, é o espaço onde, pela primeira vez, as crianças vivem situações de grupo e não são mais os centros das atenções, sendo que as experiências vividas nesta fase darão para um desenvolvimento saudável durante o resto de sua vida.
5. METODOLOGIA
Este projeto de intervenção pedagógica busca agregar os docentes da Educação Física e História para construção de proposta para a disseminação e reflexão da cultura afro-brasileira através da dança e história, esperando encontrar um espaço de debate acerca das práticas efetivas do espaço escolar.
Durante o desenvolvimento deste trabalho, com análise de diversos autores que escrevem sobre a dança e a cultura afro-brasileira, visualiza realizar este projeto na E M J M F com os alunos do 3º ano do Ensino Fundamental, através de aula expositiva e dialogada, encaminhamento de pesquisas, levantamento das informações encontradas, produções de texto, entrevistas com funcionários da escola e da comunidade sobre o tema em questão, exposição das atividades para os demais alunos e professores da escola e da comunidade, acróstico com a palavra cultura afro-brasileira, sendo que será enfatizada comidas típicas, confecção de um livro ilustrando a história do Zumbi dos Palmares, confecção de máscaras e esculturas de diversas tribos africanas (de acordo com os significados que lhes são atribuídos), conhecerem as obras de artistas que foram influenciados pela cultura africana, como Pablo Picasso, assistir DVD'S para discussão deste estilo de dança e conhecer outras manifestações culturais, mostrar através do filme "Kiriku e a feiticeira" um pouco da história, da cultura africana, passando esse conhecimento de forma clara, objetiva e de fácil linguagem, para que os alunos compreendam fatos comuns da vida africana e relacionem com a nossa própria cultura. Na prática será ofertada oficina de dança, desenvolvendo e aprimorando suas possibilidades de movimento, descobrindo novos espaços, novas formas, construção de coreografias e apresentação à comunidade.
Buscar através destas vivências, mudanças de postura e atitudes em relação a conceitos e práticas efetivas de discriminação, preconceito e respeito a as diferenças. Também propiciar a construção de uma consciência crítica e de valores que mudam sua existência para se tornarem seres humanos melhores.
Para finalizar, a intenção é colaborar na construção de uma proposta que pode ser aplicada e vivenciada por outros professores, acerca da experiência adquirida, que sirva também para pensar em atitudes concretas no processo educacional em relação a esta cultura.
6.CRITÉRIOS PARA AVALIAÇÃO
A avaliação acontecerá através da participação dos alunos envolvidos nas atividades propostas no projeto. Atividades como:
- Realiza pesquisas e leituras sobre o tema?
- Produz textos e participa de discussões sobre o tema?
- Demonstra, em suas produções escritas e orais, que reconhece a si e ao outro como partícipe de diferentes grupos sociais, familiares, escolares e comunitários, percebendo as diferenças individuais, estabelecendo relações de anterioridade e posterioridade?
- Consegue expressar, em suas atividades escolares individuais e em grupo, que reconhece a presença de diferentes manifestações culturais no seu cotidiano, estabelecendo relações de anterioridade, posterioridade e simultaneidade?
- Interage corporalmente com os colegas na prática da dança, com atitudes de respeito, superando preconceitos e discriminações referentes ao próprio corpo (biótipos físicos), gênero e etnia?
- Aplica os conhecimentos adquiridos na resolução de desafios corporais surgidos na prática da dança, com apoio do professor e dos colegas?
- Participa das atividades propostas pelo professor no eixo da dança favorecendo a inclusão de todos?
- Identifica a interferência cultural da dança a partir da apreciação?
- Experimenta as possibilidades de movimento e faz uso destes para recriá-los e re-significá-los?
7. DESCRITORES
Os descritores de História escolhidos para a efetivação do projeto são: Identificar as diferentes estruturas familiares existentes na sociedade hoje, percebendo a participação dos integrantes da família nos vários grupos sociais dos quais faz parte; Reconhecer seus direitos e deveres, percebendo que estão presentes nas convenções sociais – familiares, escolares e comunitárias – e em documentos oficiais; Reconhecer o ser humano, como parte integrante da natureza, numa relação de interdependência, compreendendo a importância das questões socioambientais para a sociedade atual; Reconhecer as diferentes manifestações culturais como produção da humanidade nos diferentes tempos e nos diferentes espaços, relacionando-as com o contexto local; Respeitar à diversidade cultural, étnica, religiosa.
Os descritores de Educação Física escolhidos são: Interagir, dentro do ambiente escolar, adotando atitudes de respeito, na tentativa de superar inibições e/ ou atitudes de preconceito/discriminação; Respeitar a diversidade cultural, participando de atividades trazidas pelos colegas; Reconhecer suas possibilidades de movimentação corporal, percebendo-se como único diferente de seus colegas, compreendendo e respeitando as diferenças individuais.
Veja também:

EDUCAÇÃO, RELAÇÕES ÉTNICO-RACIAIS E A LEI 10.639/03

PLANO DE AULA: INFLUÊNCIA DA CULTURA AFRICANA NA NOSSA ALIMENTAÇÃO

PLANO DE AULA: KIT A COR DA CULTURA PARA PROFESSOR

PLANOS DE AULA: CADERNOS DE HISTÓRIA E CULTURA AFRO-BRASILEIRA

PLANO DE AULA - PALAVRAS DE ORIGEM AFRICANA USADAS EM NOSSO VOCABULÁRIO

KIRIKU E A FEITICEIRA

A INFLUÊNCIA AFRICANA NO PROCESSO DE FORMAÇÃO DA CULTURA AFRO-BRASILEIRA

PLANO DE AULA - POR QUE OS HERÓIS NUNCA SÃO NEGROS?

ZUMBI DOS PALMARES

GĘLĘDĘ NA TRADIÇÃO YORUBÁ

Folclore - Perguntas e Resposta

Folclore - Perguntas e Respostas

1-O que é folclore ?
Sabedoria popular

2-O que significa a palavra folclore?
Sabedoria do povo.

3-Qual é a origem da palavra folclore?
Teve origem em 22 de agosto de 1846, publicado por William John Thoms.

4-Qual é o folclorista brasileiro mais conhecido?
Câmara Cascudo

5-Qual a cidade alagoana que encontramos mais folcloristas ?
Viçosa

6-Qual a origem do folclore brasileiro?
Teve origem dos índios, brancos, negro .

7-Cite algumas contribuições dos índios para o folclore brasileiro?
Medicina popular, artesanato, danças, crenças .

8-Cite algumas contribuições dos brancos para o folclore brasileiro?
Religião, literatura de cordel, comidas.

9-Cite algumas contribuições dos negros africanos para o folclore brasileiro?
Religião, dança, comida, crença, candomblé.

10-Cite três folcloristas alagoanos?
Theo Brandão, Ranilson França, José Aloísio Vilela

11-Cite três características que um fato deve ter para ser fato folclórico ?
Anonimato, Aceitação coletiva, Tradicionalidade

12-Qual a importância dos conhecimentos folclóricos para a economia do estado de Alagoas?
Por ser a principal economia de vários municipios.

13-O que é provérbio ?
Ditos populares que expressa algum ensinamento

14-O que é mito?
São histórias que dar poderes sobrenaturais a seres normais .

15-O que são adivinhações?
Brincadeiras que exige raciocínio rápido .

16-O que é literatura de cordel?
São livretes que contem historias com temas populares.

17-Quais os temas mais abordados pela literatura de cordel?
Romances, padre, autoridade etc.

18-O que é xilogravura?
Uma forma de impressão.

19-Qual o processo de produção da xilogravura?
Faz entalhe na madeira, passa tinta e carimba.

20-O que é nomeclatura ?
A forma diferente de falar a mesma coisa em diferentes regiões do país.

21-Cite um exemplo de nomeclatura?
Macaxeira - Mandioca

22-Cite duas frases de pára-choque de caminhão?
Menino no banco da frente provoca acidente , acidente no banco de trás provoca menino
Minha mulher mandou escolher entre ela e o caminhão , sinto saudades dela.

23-Cite três brincadeiras folclóricas?
Bambolê, caça-palavras e amarelinha .

24-Cite três brinquedos folclóricos?
Pião, carrinho de madeira, e futebol de prego.

25-Cite cinco brinquedos que não são folclóricos ?
Playstation 2, vídeo game, computador.

26-O que é ex-voto ?
Uma promessa feitas para conseguir um milagre que em agradecimento é feita uma replica da parte do corpo que foi curada.

27-O que é sincretismo – religioso?
Mistura das religiões

28-Cite dois provérbios ?
Vale mais um pássaro na mão, do que dois voando.
Água mole em pedra dura tanto bate ate que fura.

29-Em Maceió onde podemos encontrar exposições?
Ferinha do artesanato , museu Theu Brandão

30-Cite um mito:
saci-pererê.

A arte da contação de histórias

Poliedro
13 Setembro 2016 | 18h07
“contação de histórias” é uma das práticas mais remotas que se tem registro da humanidade. O ser humano conta histórias desde o início do desenvolvimento das habilidades de comunicação e da fala. Elas promoviam, e promovem, momentos de união, confraternização, trocas de experiências, além de ajudar a passar o tempo e vencer o tédio.
As histórias despertam a imaginação, as emoções, o interesse, as expectativas… ouvir uma história e/ou contá-la e recontá-la é uma maneira de preservar as culturas, os valores e compartilhar o conhecimento.
O primeiro contato da criança com o texto, geralmente, é por meio das histórias apresentadas, oralmente, por pais e familiares. Elas podem ser contadas em diversas ocasiões, como, por exemplo, ao acordar, durante uma tarde chuvosa, antes de dormir, preparando para um sono tranquilo e restaurador… Essa prática é extremamente importante, é o início do processo de aprendizagem.
Ouvir histórias desenvolve o pensamento crítico e oferece para as crianças a possibilidade de conhecer um mundo encantador, mas, também, cheio de conflitos e dificuldades que precisam ser enfrentados. Segundo o professor Josep Maria Puig [em sua obra, de 1998, p.69], “a criança quando ouve histórias, consegue perceber as diferenças que mostram os personagens bons e maus, feios e bonitos, poderosos e fracos, facilita à criança a compreensão de certos valores básicos da conduta humana ou do convívio social. Através deles a criança incorporará valores que desde sempre regem a vida humana”.  A psicóloga Rosely Sayão (2003) salienta que “contar histórias é um ato de amor e carinho por parte do adulto”. Destaca, também, que, “de forma lúdica e prazerosa, a criança pode aprender muito a respeito do mundo que a espera”.
Em seu livro Contar Histórias: Uma arte sem idade, COELHO (1999, p.47) nos ensina que “antes de narrar a história deve-se abrir espaço para uma boa conversa. Por exemplo, se a história gira em torno de animais domésticos e começa-se diretamente, os ouvintes poderão interromper dizendo: eu também tenho um gato, um cachorro, um passarinho, o que for”. A autora reforça que o espaço para as crianças falarem antes da narração é indispensável. Neste momento o “contador” conhece melhor as crianças e concede a oportunidade aos pequenos de falarem. Isto acalma e os prepara para a aventura.
O “contador” precisa ser habilidoso, é necessário “entrar” na história e levar junto todos os ouvintes. Diversos recursos, como, imagens, sons, instrumentos musicais, materiais alternativos, devem ser utilizados para que o momento seja ainda mais aprazível.
Algumas dicas e técnicas também podem ajudar. A linguagem corporal do “contador” tem grande relevância para o processo. Trocas de olhares diretas com os ouvintes são importantes. Caso identifique um ouvinte mais desatento, separe algum tempo para contar a história diretamente para ele, mas cuidado para que ele não se torne o centro das atenções, esse não é o objetivo. As perguntas devem ser respondidas, mas no limite exato. E lembre-se, as intervenções não podem comprometer o seu trabalho.
O ambiente, mesmo que simples, deve ser favorável à “contação de história”. Pode ser ao ar livre ou em locais fechados, porém é necessário estar livre de qualquer distração ou desconforto. Ruídos, pessoas transitando, excesso de sol, muito frio, muito calor, muito iluminado, pouco iluminado… tudo isso poderá dificultar o trabalho do “contador”. Procure o ambiente e o momento ideais para contar suas histórias.
Como em qualquer área, é importante que o “contador” busque aperfeiçoamento contínuo. Algumas universidades, como, por exemplo, a Faculdade Paulista de Artes, possuem cursos de especialização em “contação de histórias. O Senac-SP oferece, em algumas cidades, um curso livre com carga horária de 30h. Na cidade de São Paulo-SP, o Sistema Municipal de Bibliotecas tem como principal projeto o trabalho de “contação de histórias” e mediação de leitura. As apresentações são conduzidas por profissionais e funcionários da rede que se especializaram nesta arte. A Biblioteca Hans Christian Andersen, situada no bairro do Tatuapé, em São Paulo, possui um núcleo de formação e aperfeiçoamento para os “contadores de história”. A próxima formação ocorrerá no próximo dia 29, às 10 horas, e o tema será “A arte de ouvir histórias para depois contá-las”.
A escritora e pedagoga Fanny Abramovich (1989, p. 17) nos diz que “é ouvindo histórias que se pode sentir (também) emoções importantes como: a tristeza, a raiva, a irritação, o medo, a alegria, o pavor, a impotência, a insegurança e tantas outras mais, e viver profundamente isso tudo que as narrativas provocam e suscitam em quem as ouve ou as lê, com toda a amplitude, significância e verdade que cada uma delas faz (ou não) brotar”.
No ato da “contação de história”, a criança se identifica com os personagens, com os heróis, as heroínas, o mocinho e a mocinha… essa identificação desperta várias emoções e faz com que os pequenos coloquem para fora seus sentimentos e vençam o medo, a angustia, a timidez… além disso, a “contação” aguça a curiosidade dos alunos e desperta o interesse em conhecer mais histórias. A tendência é que naturalmente, se tornem habilidosos leitores e o processo de ensino-aprendizagem será mais rápido e prazeroso.
Por Jean Moreira, consultor pedagógico no Sistema de Ensino Poliedro

Referências bibliográficas
ABRAMOVICH, Fanny. Literatura infantil gostosuras e bobices. 5. ed. São Paulo: Scipione, 2002.
COELHO, Maria Betty. Contar Histórias: Uma arte sem idade. 9. ed. São Paulo: Ática, 1999.
  1. PUIG, Josep Maria. Democracia e a participação escolar: Propostas de atividades. Trad. de Maria Cristina de Oliveira. São Paulo: Moderna 1998.

Folclore Brasileiro

Folclore Brasileiro é o conjunto de expressões culturais populares que englobam aspectos da identidade nacional.
São exemplos mitos, lendas, brincadeiras, danças, festas, comidas típicas e demais costumes que são transmitidos de geração para geração.
O folclore brasileiro é bem diversificado e conta com atributos das culturas portuguesa, africana e indígena.
Apesar dessa riqueza, o folclore só começa a figurar nas narrativas oficiais a partir do século XIX.
Com Mário de Andrade e a criação do Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (SPHAN), o folclore ganha um aspecto mais acadêmico.

Principais Lendas Brasileiras

Segue abaixo os principais personagens das lendas folclóricas brasileiras:

Iara

Imagem da Iara, lenda folclórica
Iara, também conhecida como Mãe D'Água, é uma sereia, ou seja, possui o torso de mulher e cauda de peixe. Tal qual em outras lendas de sereias, é muito bela e seu canto atrai os homens afim de assassiná-los.

Curupira

Folclore Brasileiro
Curupira é um protetor implacável da fauna e da flora que persegue e mata todos que a agridem. Surge na forma de um menino de cabelo vermelho e com os pés virados para trás.

Mula sem cabeça

Folclore Brasileiro
mula sem cabeça é uma mulher que foi amaldiçoada após ter um romance com um padre. Como consequência, foi transformada num quadrúpede acéfalo que galopa soltando fogo.

Lobisomem

Folclore Brasileiro
Lobisomem é um homem que após ter sido mordido por um lobo se transforma nesse animal a cada noite de lua cheia.

Boitatá

Folclore Brasileiro
Boitatá representa uma cobra de fogo, considerada a guardiã da fauna e da flora, implacável na caça daqueles que desrespeitam a natureza.

Boto

Folclore Brasileiro
O Boto ou boto cor-de-rosa é um dos personagens folclóricos que emerge dos rios na forma de um jovem bonito. Seu objetivo é seduzir as mulheres para engravidá-las.

Saci-pererê

Folclore Brasileiro
Saci-pererê está sempre com seu cachimbo e com um gorro vermelho. Surge como um menino negro que possui apenas uma perna e apronta traquinagens.
Leia também:

Brincadeiras Folclóricas e Populares no Brasil

Criança soltando pipa
Criança soltando pipa, uma brincadeira folclórica muito popular no Brasil
A brincadeira folclórica mais popular no Brasil é soltar pipa. Feitas de varetas de bambu e papel de seda colorida, as pipas podem ser direcionadas para fazer manobras acrobáticas no céu.
Outro divertimento é o estilingue. Feitos de galhos em forquilha e tiras de borracha que disparam pedras, ou qualquer objeto pequeno como grãos.
No pega-pega, a pessoa que for tocada passa a correr atrás dos outros jogadores. O esconde-esconde é similar, mas o objetivo é se esconder e não ser encontrado pela criança que está procurando.
Outro brinquedo popular são as bolas de gude. Coloridas e feitas de vidro, elas são roladas normalmente em chão de terra para atingir a bolinha do concorrente.
Há também o pião, brinquedo de madeira que é rodado no chão por meio de um barbante enrolado em sua base e depois puxado.
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Crenças Populares Brasileiras

  • Comer uvas e romãs no Ano Novo para ter sorte e fortuna durante o decorrer do ano que inicia.
  • Ferradura detrás da porta para espantar o mau-olhado.
  • Aquela que pega o buquê da noiva será a próxima a se casar.
  • Quando a grávida fica com vontade, a criança nasce lesada ou com mania daquilo que foi negado à gestante.
  • Quebrar espelho dá sete anos de azar.
  • Apontar para as “Três Marias” (estrelas) faz nascer verrugas no dedo indicador.
  • Cruzar com um gato preto dá azar, assim como atravessar por debaixo de uma escada.
  • Trevo de quatro folhas trás sorte, assim como o pé de coelho.
  • Sexta-feira 13 é dia de acontecimentos estranhos e desgraças.
  • Bater três vezes em madeira afasta coisas ruins.

Danças Folclóricas e Populares do Brasil

Quadrilha
Quadrilha em Salvador, Bahia
As danças folclóricas brasileiras estão ligadas a aspectos sacros, lendas, fatos históricos, festas típicas e brincadeiras, curtidas ao som de músicas animadas.
As principais delas são o Samba de Roda, onde se dança numa roda ao som de sambas, acompanhado de batida de palmas e cantos.
No Maracatu, os dançarinos representam personagens históricos. Já no Frevo, se dança uma marchinha acelerada tocada por uma banda ao estilo dos blocos carnavalescos.
Outro ritmo musical da região nordeste é o Baião, uma dança em pares semelhante ao forró.
Na região Sul e Sudeste, temos a Catira, caracterizada pelas batidas de pés e palmas dos dançarinos.
Quadrilha é uma dança típica de festas juninas, onde um dos oradores proclamam frases que determinam os movimentos da dança.
Leia também:

Músicas Folclóricas e Populares do Brasil

As músicas folclóricas são canções populares. Elas não possuem autoria definida e apresentam temáticas de amor e quase sempre são acompanhadas por uma viola caipira ou violão.
Note que são comuns no interior do país, de onde se originam. As principais destas manifestações são as cantigas de roda e as canções de ninar.

Festas do Folclore Brasileiro

Carnaval no Rio de Janeiro
Desfile das escolas de samba, Rio de Janeiro
Nas principais festas do folclore brasileiro encontramos várias expressões folclóricas reunidas. Destas, as principais são:
  • Carnaval: festa que remonta o século XVII, mas que passou à cultura oficial na década de 1930.
  • Congado: surgido durante o século XVIII em Minas Gerais, quando os negros escravos buscaram uma forma de expressão que fosse aceita dentro das irmandades católicas.
  • Folia de Reis: grupos de cantadores e instrumentistas acompanham personagens, como o porta-estandartes, o louco, o juiz. Eles andam pelas ruas pedindo esmolas.
  • Festas Juninas: festa em que se comemora as colheitas. Por esse motivo, é sinônimo de mesa farta.

Literatura Popular no Brasil

Literatura de Cordel
Venda de Literatura de Cordel no Rio de Janeiro, 2010
A principal linguagem folclórica é a Literatura de Cordel, que consiste num livreto de poesia, por vezes ilustrado, escrito em linguagem informal.
Originária da região nordeste, estas obras recebem o nome de "cordel" porque são expostas numa corda para apreciação.
Outra forma comum de literatura popular são as adivinhações, ou seja, perguntas com conteúdo ambíguo. Os provérbios são ditados que contêm ensinamentos (muitas vezes religiosos).
Piadas ou anedotas são pequenas narrativas com desfechos engraçados.
Os trava-línguas são frases, em geral rimadas, que dificilmente são pronunciadas; enquanto as parlendas ou parlengas são as rimas infantis populares.

Você Sabia?

Dia do Folclore é comemorado dia 22 de Agosto e o Dia do Saci em 31 de outubro.