sexta-feira, 10 de agosto de 2018

Valorização da Cultura Afro Brasileira

Conteúdos

Introdução à cultura Africana e aos conceitos de cultura.

Objetivos

 Compreender a cultura trazida ao Brasil pelos africanos e que aqui se reconstruiu, compondo a cultura afro-brasileira;
Proporcionar, por meio da história a discussão sobre um conjunto de questões e valores que integram a temática afro-brasileira;
Ampliar o repertório narrativo ao conhecer lendas e contos africanos.

1ª Etapa: Leitura Deleite do Dia

Antes de iniciar, consulte os links sugeridos na área Para Organizar o seu Trabalho e Saber Mais
A cada dia será contado às crianças um conto africano ou história como Leitura Deleite do Dia, como segue, por exemplo, – A lenda do tambor africano – Reconto de Robson A. Santos – Meninas Negras – Madu Costa – A botija de ouro – Joel Rufino dos Santos 

2ª Etapa: Apresentação do filme

A professora  introduz algumas informações sobre o filme, que serão retomadas depois da exibição. 
Sinopse: “Kiriku é um menininho nascido na África Ocidental. Tão pequeno, ele não chega aos joelhos de um adulto. O desafio que impõe seu destino, no entanto, é imenso:enfrentar uma poderosa e malvada feiticeira, que secou a fonte de água da aldeia, engoliu todos os homens que foram enfrentá-la e ainda roubou todo o ouro ali guardado. Para recuperá-lo, Kirikú enfrenta muitos perigos e se aventura por lugares onde somente pessoas pequeninas poderiam entrar.” (Revista Nova escola)
Personagens principais  
Kiriku é um minúsculo menino, mas sabe o que quer. Ele é determinado a lutar contra karabá. Seu tamanho o ajuda a entrar em qualquer lugar, mas ele adoraria crescer de uma hora para outra.
Mãe de Kiriku – A mãe é uma mulher jovem e ignorada pela aldeia, assim como kirikú. Ela é independente e compreensiva. Ela aceita a independência prematura de kirikú e sempre fica ao seu lado qundo ele precisa.
Karabá – é uma poderosa, má e linda feiticeira. Vive só, cercada pelos guardiães, em uma cabana cinza, no alto de uma montanha, fora da aldeia de kiriku.
O Sábio – o sábio da montanha proibida é avô de kirikú. Ele representa a serenidade da velhice. É caridoso, nobre e diferente do contador de histórias da aldeia, que é medroso e abaixa a cabeça para karabá.
Tio de Kiriku – um jovem simples, um dos poucos homens que ainda restam na aldeia. Ele não é um herói, ele faz o que é pedido dele e nunca pergunta nada.
O velho Contador de Histórias da aldeia – é um senhor idoso, medroso, inseguro, previne as crianças com igual medo e insegurança enquanto o precoce Kiriku vai ao encontro da feiticeira que havia secado a fonte da aldeia. (http://solangepedag.blogspot.com.br/2009/09/atividades-relacionadas-ao-filme-kiriku.html)

3ª Etapa: Conversas sobre a animação

Conversar com os alunos sobre os costumes percebidos no filme (por exemplo o fato das mulheres andarem com os seios à mostra) falar que este era um costume do povo africano e ressaltar que determinadas culturas, isso é comum. Pedir para imaginem se uma pessoa aparecesse na escola usando apenas trajes de banho (comuns para ambientes de piscina ou praia), qual seria a reação e o que iria acontecer. 
Levantar com os alunos sentimentos e valores que identificaram no filme. Você poderá sugerir, caso não sejam mencionados:  amor, verdade, generosidade, tolerância, paciência e determinação. (Em que situações aparecem no filme?).
Propor a discussão: Quais são as vantagens em ser pequeno? E grande?
A partir da frase “Ela sofre noite e dia”. “a maldade não surge do nada, mas é resultado de   algum sofrimento”. De acordo com as afirmações, fazer questionamentos de acordo com as seguintes perguntas disparadoras: 
Que coisas nos fazem sofrer? 
Você conhece uma pessoa que sofre? 
Você sabe por que ela sofre?
Você acha que é possível ajudar a diminuir ou acabar com o sofrimento de alguém? Como? 
Você já deixou alguém de lado numa brincadeira ou conversa? Por quê? Como você acha que esta pessoa se sentiu?
Ao final do filme é interessante que o professor mostre fotos de algumas aldeias, atentando para o fato de como as casas são construídas, os utensílios domésticos feitos de barro, as esteiras utilizadas para dormir, como a água é transportada, a maneira como são carregados os bebês, as cores dos tecidos, os modos de vestir de acordo com a tribo, os adornos e penteados, como são tratadas as pessoas mais velhas, etc. Também é interessante mostrar cidades africanas da atualidade. 
Conduzir um diálogo sobre como os alunos tratam os colegas, os professores, os familiares e as demais pessoas de seu convívio.

4ª Etapa: Registros

Convide os alunos a desenhar trechos da história, de que mais gostaram. O professor pode colocar o CD Gonguê (Projeto A Cor da Cultura), link 6. Este apresenta o som de diversos instrumentos que traduzem a tradição e cultura africana, visto que no filme são frequentemente mostrados instrumentos sendo tocados na tribo.
Após o termino das ilustrações os alunos deverão explicar o motivo  de sua  escolha
Depois da pintura e da exposição oral, será realizado um reconto coletivo, ditado pelos alunos e escrito pela professora;
Pode-se incluir na atividade a exploração do vocabulário do filme e usá-la em atividades com a língua:
A – ALDEIA, ÁGUA, ARANHA ;  
B – BESOURO;  
C- CABANA, CANOA, CORAÇÃO, CUPINZEIRO;  
D- DENTES;  
E- ESQUILO, ESPINHOS ;
F- FEITICEIRA, FLECHAS;  
G-GUARDIÃES, GUERREIROS, GRUTA, GAMBÁ;
H- HOMEM, HERÓI;
I – IRMÃO, INTELIGÊNCIA;  
J- JÓIAS, JAVALI;
K – KIRIKÚ, KARABÁ;
L – LANÇAS;  
M – MONTANHA, MÃE, MENINO, MENINA;
N- NOZES;
O-OURO- OBRIGADO,OSSOS;  
P-PAZ, PILÃO, PÁSSARO;  
Q- COQUEIROS,ESQUILOS;
R- REGATO, ROCHAS;  
S- SÁBIO, SENTINELA, SERPENTE;
T-TUCANOS, TALISMÃ;
V-VOVÔ

5ª Etapa: Conhecendo o continente Africano

Realizar alguns questionamentos sobre conhecimentos prévios dos alunos acerca do Continente africano;
Apresentar um mapa localizando a África no mundo e depois um mapa do Continente e a região originária da lenda.
Realizar durante a apresentação dos mapas uma leitura dos nomes dos países africanos;

6ª Etapa: Influências africanas

Traga para os alunos uma lista de palavras de origem africana, escolha dentre as palavras sugeridas nos links 3 e 7 da área Para Organizar o seu Trabalho e Saber Mais.  Aproveite para fazer atividades, ditado e separação de sílabas. Utilize também o livro Memória das Palavras para abordar esta influência

7ª Etapa: Encerramento

 No encerramento deste planejamento, o professor deve realizar a exposição dos desenho dos alunos.

Materiais Relacionados

Antes de iniciar, consulte os links sugeridos na área Para Organizar o seu Trabalho e Saber Mais
1. Kiriku e a feiticeira. Animação Infantil – Direção:Michel Ocelot. Paris: IMOVISION, 2001.

Aula 8 – fruto e semente Prof. Guth Berger

Aula 8 – fruto e semente Prof. Guth Berger

  1. 1. Aula 8 – Fruto e semente: Morfologia e anatomia. Técnico em Agropecuária Professor: Guth Berger Falcon Rodrigues.
  2. 2. Discutimos na aula passada as principais características das flores! Será que os frutos e as sementes serão tão complexos quanto as flores?
  3. 3. Quantas partes se divide um fruto?
  4. 4. Partes de um fruto • Os frutos dividem-se basicamente em três camadas.
  5. 5. Partes de um fruto • Epicarpo ou exocarpo: camada externa → casca – Camada membranácea e fibrosa. – Pode ser: lisa, rugosa ou pilosa. – Origim: epiderme do carpelo.
  6. 6. Partes de um fruto • Mesocarpo: camada abaixo do epicarpo → Polpa – Suculenta → pode ou não armazenar substâncias de reserva. – Origem no mesofilo carpelar.
  7. 7. Partes de um fruto • Endocarpo: camada interna e rígida → protege as sementes. – Origina-se da epiderme interna da folha carpelar.
  8. 8. Função dos frutos • Frutos é a proteção da semente em desenvolvimento • Dispersão das sementes contidas neles. – Variedade de cores, formas, estruturas acessórias e sabores→ co-evolução com dispersores de sementes.
  9. 9. Síndrome de dispersão de frutos • Frutos que secam e abrem-se na maturação – liberam as sementes sobre o solo. – Abrem e expelem as sementes de forma explosiva, arremessando-as a grandes distâncias. • Frutos carnosos normalmente dependem de animais, – carregam os frutos para outros lugares, – ingerem e carregam suas sementes no trato digestivo para serem liberadas longe do local de origem, – frutos com espinhos agarram-se à pelagem de mamíferos ou penas de aves – frutos providos de alas e pelos que permitem que flutuem.
  10. 10. Síndrome de dispersão de frutos • Nome das síndromes de dispersão: – Anemocoria → vento – Hidrocoria → água – Zoocoria → animais – Antropocoria → homem – Autocoria → própria planta.
  11. 11. Classificação dos frutos • São classificados: – Quanto ao tipo; • Secos • Carnosos. – Quanto à abertura; • Deiscentes • Indeiscentes. – Quanto veracidade. • Verdadeiro • Pseudofruto. • Infrutescência – Quanto número de sementes.
  12. 12. Classificação dos frutos quanto ao tipo • Fruto carnoso (pericarpo suculento com as 3 partes visíveis). – Drupa: ovário unicarpelar, com semente aderida ao endocarpo duro (caroço). • Ex.: pêssego, ameixa, azeitona...
  13. 13. Classificação dos frutos quanto ao tipo • Fruto carnoso (pericarpo suculento com as 3 partes visíveis). – Baga: ovário uni ou multicarpelar com sementes livres. • Ex.: tomate, limão, abóbora, uva...
  14. 14. Classificação dos frutos quanto ao tipo • Fruto Seco (pericarpo seco, camadas indistinguíveis) – Folículo: abre-se por uma única fenda longitudinal → ex: esporinha, etc.
  15. 15. Classificação dos frutos quanto ao tipo • Fruto Seco (pericarpo seco, camadas indistinguíveis) – Cápsula: abre- se por poros ou fendas longitudinais → ex: mamona, tabaco, algodão...
  16. 16. Classificação dos frutos quanto ao tipo • Fruto Seco (pericarpo seco, camadas indistinguíveis) – Legume ou Vagem: abre-se por duas fendas longitudinais. → ex: leguminosas (feijão, soja, ervilha, amendoim, fava...)
  17. 17. Classificação dos frutos quanto ao tipo • Fruto Seco (pericarpo seco, camadas indistinguíveis) – Aquênio: fruto seco indeiscente, o pericarpo seco está totalmente aderido a uma única semente, apenas em um ponto. → ex: girassol....
  18. 18. Classificação dos frutos quanto ao tipo • Fruto Seco (pericarpo seco, camadas indistinguíveis) – Sâmara: fruto seco indeiscente, o pericarpo seco forma expansões aladas. → ex: tipuna, pau-d'alho...
  19. 19. Classificação dos frutos quanto ao tipo • Fruto Seco (pericarpo seco, camadas indistinguíveis) – Síliqua: abre-se por quatro fendas longitudinais, deixando um septo mediano.→ ex: crucíferas (couve e repolho...)
  20. 20. Classificação dos frutos quanto ao tipo • Fruto Seco (pericarpo seco, camadas indistinguíveis) – Noz: um fruto seco com apenas uma semente (raramente duas) no qual a parede do ovário ou parte dela torna-se muito dura na maturidade → ex: avelã, bolota, etc.
  21. 21. Classificação dos frutos quanto ao tipo • Fruto Seco (pericarpo seco, camadas indistinguíveis) – Cariopse ou Grão: fruto seco indeiscente, o pericarpo seco está totalmente aderido a uma única semente, porém difere dos Aquênios e caracteriza as gramíneas → ex: milho, arroz, trigo, aveia, cevada, alpiste...
  22. 22. Classificação dos frutos quanto ao tipo • Fruto Seco (pericarpo seco, camadas indistinguíveis) – Pixídio: abre-se através de um septo transversal, preparando-se uma espécie de "tampinha" conhecida por opérculo → ex: jequitibá, eucalipto, sapucaia, etc.
  23. 23. Classificação dos frutos quanto à abertura • Frutos deiscentes: frutos que abrem-se na maturação, normalmente secos. – Ex.: castanha, leguminosas... • Frutos indeiscentes: frutos que não se abrem espontaneamente. – Ex.: laranjas, melões....
  24. 24. Classificações mais importantes
  25. 25. Pseudofrutos • Não originam-se do ovário, mas outra parte da flor. – Pseudofruto simples: • Pomo: desenvolve-se do receptáculo floral. Ex.: maçã e pera. • Careta: desenvolvem-se do pedúnculo. Ex.: caju, banana.
  26. 26. Pseudofrutos • Não originam-se do ovário, mas outra parte da flor. – Pseudofruto composto: carpelos são separados desde a flor, e desenvolvem-se separadamente. • Ex.: morango, magnólia...
  27. 27. Infrutescência • Fruto oriundo de uma inflorescência.
  28. 28. Fruto partenocárpico • Fruto partenocárpico → ovário desenvolvido sem fecundação → frutos sem sementes.
  29. 29. Qual a diferença entre fruta, fruto, legume e verdura?
  30. 30. Origem dos frutos
  31. 31. Origem dos frutos • Origem dos frutos verdadeiros → ovário das flores. – 1) Polinização – 2) Fecundação dos óvulos – 3) Formação do fruto → ovário inicia um crescimento e modificação de seus tecidos → alterando estrutura, consistência, cores e sabores. • Os frutos mantêm-se fechados sobre as sementes até o momento da maturação. – 4) Quando as sementes estão prontas para germinar → os frutos amadurecem → sementes germinam no solo. • Controlado por hormônios vegetais.
  32. 32. Semente
  33. 33. Semente • Semente é o óvulo modificado e desenvolvido. • Semente possui – Envoltório → mais ou menos rígido, – Embrião inativo → futura planta – Cotilédone e Endosperma ou albúmen → reserva alimentar. • Em condições ambientais favoráveis → germinação.
  34. 34. Interesse agronômico • Alimentação humana • Ração animal • Remédios • Energia e combustíveis • Óleos
  35. 35. Questões • Serão enviadas junto com a lista de revisão para nossa prova semana que vem. • Bons estudos!
  36. 36. Com isso nós terminamos o conteúdo de nosso primeiro bimestre! Espero que todos estejam gostando do curso! Sugestões??

terça-feira, 7 de agosto de 2018

Principais obras de Leonardo da Vinci - Pintura


Relação com as principais obras de Leonardo da Vinci, obras de arte, lista das pinturas de Da Vinci


A Última Ceia: uma das obras mais conhecidas de Leonardo da Vinci
A Última Ceia: uma das obras mais conhecidas de Leonardo da Vinci

Principais obras de Leonardo da Vinci (pinturas)


- O Batismo de Cristo (1472-1475)

- A Anunciação (1472-1475)

- Ginevra de' Benci (1476)

- Virgem Benois (1478)

- A Virgem do Cravo (1478 - 1480)

- São Jerónimo no deserto (1480)

- A Adoração dos Magos (1481)

- Virgem das Rochas (1483-1486)

- Dama com Arminho (1488)

- Retrato de Mulher de Perfil (1493 -1495)

- Madona Litta (1490)

- Retrato de um Músico (1490)

- La Belle Ferronnière (1490 - 1495)

- A Última Ceia (1495 - 1498)

- Sala delle Asse (1498 - 1499)

- A Virgem, o Menino, Sant'Ana e São João Batista (1499 - 1500)

- Virgem do Fuso (Madona Tecelã) (1501)

- Virgem do Fuso (1501)

- Mona Lisa ou La Gioconda (1503 - 1507)

- A Virgem e o Menino com Santa Ana (1508)

- São João Baptista (1510 - 1515)

- São João Batista (1513 - 1516) 

Plano de Aula - Diversidade cultural: uma proposta de disseminação da cultura afro no contexto escolar

Plano de Aula - Diversidade cultural: uma proposta de disseminação da cultura afro no contexto escolar

Manifestacoes Culturais01

PROJETO ESCOLA & UNIVERSIDADE
Por ELIZABETE APARECIDA SOLA FRANCO
1.INTRODUÇÃO
O projeto "Diversidade cultural: uma proposta de disseminação da cultura afro no contexto escolar" pretende abordar as questões de se valorizar e compreender um pouco mais sobre a beleza e diversidade da cultura afro-brasileira.
A valorização da cultura afro-brasileira tem sido enfocada nos dias de hoje, como por exemplo, a lei nº 10.639 de 09 de janeiro de 2003, que estabelece a obrigatoriedade do ensino da história e cultura afro-brasileira e africana na Educação do Ensino Fundamental e Médio. Entretanto, não raro, ela encontra-se distante do ambiente escolar, pois é negligenciada pelos professores, ou, ignorada e tal comportamento passou a ser um dos obstáculos pedagógicos, interferindo no ensino-aprendizagem. Ademais, muitos profissionais desconhecem ou tem receio de trabalhar este conteúdo, por não estarem preparados para entrar no âmbito das discussões políticas, de preconceito social, racial e religioso, bem como, serem também fruto de um processo pedagógico que também os alijou desses conhecimentos.
Para tanto, será enfatizado o valor educacional da cultura afro descendente através do ensino de história e da dança, propiciando um resgate cultural, apresentando a cultura afro-brasileira como elemento de integração da comunicação individual e coletiva, pois através dela facilitaremos as relações sociais, reconhecendo os conflitos inerentes a esse tema.
Este projeto tem a intenção de contribuir para a disseminação e reflexão da cultura afro-brasileira através da Dança e da História, uma vez que são raros os trabalhos produzidos.
2. PROBLEMATIZAÇÃO
É possível desenvolver uma proposta metodológica para o ensino da cultura afro-brasileira entre os alunos do Ensino Fundamental da rede municipal de ensino, possibilitando transformar a realidade em relação ao preconceito étnico racial?
A escola é um espaço que oportuniza os/as alunos/as a conviverem com outras crianças de mesma faixa etária e é um ambiente propício para que ocorra o aprendizado. Esse, segundo as Diretrizes Curriculares de Curitiba, deve preconizar o seu desenvolvimento em todas as dimensões do ser humano. Nesse universo escolar a diversidade, a diferença e a desigualdade se fazem presentes também nas questões étnicas e culturais.
O respeito pela diversidade deve ser trabalhado em todas as áreas do conhecimento, sendo uma das formas de efetivamente incluir a diversidade no currículo acadêmico e explorando a cultura afro-brasileira devido a suas inúmeras possibilidades de enfoque.
No Brasil, nos últimos anos, a preocupação de educadores e legisladores em mencionar a dança em seus trabalhos e projetos têm sido evidente. É nessa perspectiva da diversidade e da multiplicidade de propostas e ações que caracterizam o mundo contemporâneo que seria interessante lançarmos um olhar mais critico sobre a dança na escola.
A dança e a cultura afro-brasileira seria uma das maneiras de apresentar aos alunos uma novidade carregada desse potencial educativo, pois no seu ensinamento utilizamos o movimento consciente para expressar ideias, pensamentos e reflexões nos âmbitos filosóficos, sociais e políticos. Além de valorizar a cultura dos negros e de seus descendentes.
Com base na realidade presente na maioria das escolas podemos questionar a possibilidade de trabalhar a dança e cultura afro-brasileira junto aos alunos com o caráter formativo, como cultura corporal, abordando a diversidade, a diferença e a desigualdade entre eles.
3. OBJETIVOS
3.1 Geral:
Propor a cultura afro-brasileira nas aulas de docência e Educação Física e oportunizar aos alunos/as o conhecimento de alguns tipos de dança afro, bem como nas aulas de história promovendo novas experiências, assegurando a formação cultural e humana do discente.
3.2 Específicos:
- Fazer uma apresentação teórica da cultura afro-brasileira, com a possibilidade de sua identificação e entendimento como cultura popular;
- Promover reflexões sobre esta manifestação cultural;
- Oferecer oficinas de dança experimentando vários ritmos afros, buscando formas, técnicas corporais de saber criar e recriar movimentos de forma espontânea e criativa;
- Improvisar e elaborar coreografias significativas para os discentes tendo como tema a cultura afro-brasileira.
- Proporcionar desenvolvimento unilateral.
- Reconhecer as diferentes manifestações culturais como produção da humanidade nos diferentes tempos e nos diferentes espaços, relacionando-as com o contexto local.
- Respeitar a diversidade cultural, étnica, religiosa.
- Apresentar os trabalhos desenvolvidos para a comunidade escolar.
4. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA:
A cultura é histórica, pensar em cultura é pensar em conhecimento, significado e formas de interpretar o mundo e nosso cotidiano. A construção de uma cultura é baseada no que fomos agregando ao longo da história para transformar e transmitir nosso pensamento, nossas formas de ser e sentir. Conhecer, aprender, ver as diferenças, como somos e como nos relacionamos é se apropriar do conhecimento.
Para entender o conhecimento, temos que refletir os inúmeros fatores pelos quais somos influenciados, como: o que assistimos na TV, o que temos como hábito de leitura, de saberes adquiridos, de técnicas corporais incorporadas, entre outros.
Avila (2000, p.2) ao tratar da cultura nos indica que não podemos compreendê-la como algo homogêneo, alertando para o fato de que ela possui diferentes formas de coexistir na esfera social, refletindo formas desiguais de apropriação do capital cultural: as culturas populares (segundo Gramsci), as culturas hegemônicas e a cultura de massa. Para ela há um entendimento corrente de que a cultura popular é algo primitivo, que necessita evoluir. Chauí (apud Avila, 2000, p.3) apresenta o seguinte questionamento a respeito da cultura popular: "Seria a cultura de um povo ou a cultura para o povo"? Esse desencadeamento de várias culturas, as influências recebidas e adicionadas foram sendo incorporadas pelo povo e refletidas na sociedade o que nos fornece o entendimento de que seja recíproco nesse processo de composição do percurso histórico. Para o folclore Gramsciano, como uma subcultura das classes dominadas. A cultura popular é uma forma pela quais os dominados se organizam, compreendem, apreendem e resignificam a cultura hegemônica. A cultura hegemônica pode ser entendida como uma cultura dominante, sendo imposta e estável, pode dizer que a cultura hegemônica precisa da cultura popular para existir, para tê-los como subordinados, pois é esta dinâmica que irá determinar o cenário de cultura que vivenciam.
Para Chauí apud Avila (2000, p.5) a cultura popular é uma manifestação dos dominados, buscando formas pelas quais a cultura dominante pode ser aceita, interiorizada, reproduzida e transformada, ou mesmo recusada e negada pelos dominados. Canclini apud Avila (2000, p.17) coloca alguns exemplos sobre folclore, utilizando do artesanato e das festas como formas de ilustrar possibilidades para a construção de outra hegemonia. As manifestações contestatórias podem auxiliar na libertação dos setores oprimidos desde que possamos reconhecê-los como símbolos de uma identidade social. Os negros podem servir de exemplo para clarificar esta realidade. Os negros escravizados inventaram a capoeira como forma de luta - e que é e pode ser vista também como dança- mas sendo o seu verdadeiro sentido uma forma de se defender. Para melhor compreender esse aspecto, é importante observar o ciclo histórico e cultural, os pontos de ruptura e de transformação dos nossos processos sócio-culturais.
Precisamos ver que existem diferenças e fica difícil estabelecer critérios rígidos e históricos sobre o que seria bom ou ruim na construção cultural, pois trilhamos caminhos diversos que abrangem política, processos mercadológicos, sistemas de produção, influências midiáticas que impedem de pensar de forma homogênea a cultura.
4.1 A CULTURA E SUAS REPERCUSSÕES
A cultura é essencial ao desenvolvimento do ser humano. De todas as manifestações culturais, a dança é uma das mais representativas, pois reflete os aspectos relativos a uma determinada sociedade e desenvolve, a partir da expressão corporal, movimentos e ritmos diversos. Segundo Boyer (1983), a arte é essencial na experiência humana, não é uma frivolidade, ele recomenda que a arte seja estudada para descobrir como seres humanos usam símbolos não verbais e se comunicam não apenas com palavras, mas através da música, teatro, dança e na construção do conhecimento. Em seu aspecto folclórico expressa as origens nacionais, divulgam e perpetuam a cultura de um povo, além de estabelecer bom relacionamento social e laços de solidariedade, como a democracia, a união, entre outros. (Vargas, 2007:58).
Segundo Nanni (1995 p.29), "criar é dar forma a um fenômeno de modo novo e compreendido em termos novos" e a dança permite isso, pelo processo educacional, a utilização do processo criativo, e por meio deste criar novas formas e fenômenos do movimento. Ainda para Nanni (2002, p.100), "a escola deverá estar sensível ao mundo daqueles que são a maioria, as classes populares e se valer da vontade de fazer chegar a elas conteúdos significativos que tenham relação com sua vida e que permitam a compreensão em si, das coisas que a cercam, e da relação entre ambos".
Através das atividades de história e de dança, pretendemos que a criança evolua quanto ao domínio de seu corpo, respeitando as diferenças, desenvolvendo e aprimorando suas possibilidades de movimento e de entendimento sobre a diversidade cultural.
A escola, enquanto meio educacional deve oportunizar didáticas e metodologias que facilitem a compreensão sobre a cultura afro-brasileira.
A atuação do professor principalmente nas séries iniciais deverá ser planejada e coerente. Conforme Gallahue e Ozmun (2001) a escola, muitas vezes, é o espaço onde, pela primeira vez, as crianças vivem situações de grupo e não são mais os centros das atenções, sendo que as experiências vividas nesta fase darão para um desenvolvimento saudável durante o resto de sua vida.
5. METODOLOGIA
Este projeto de intervenção pedagógica busca agregar os docentes da Educação Física e História para construção de proposta para a disseminação e reflexão da cultura afro-brasileira através da dança e história, esperando encontrar um espaço de debate acerca das práticas efetivas do espaço escolar.
Durante o desenvolvimento deste trabalho, com análise de diversos autores que escrevem sobre a dança e a cultura afro-brasileira, visualiza realizar este projeto na E M J M F com os alunos do 3º ano do Ensino Fundamental, através de aula expositiva e dialogada, encaminhamento de pesquisas, levantamento das informações encontradas, produções de texto, entrevistas com funcionários da escola e da comunidade sobre o tema em questão, exposição das atividades para os demais alunos e professores da escola e da comunidade, acróstico com a palavra cultura afro-brasileira, sendo que será enfatizada comidas típicas, confecção de um livro ilustrando a história do Zumbi dos Palmares, confecção de máscaras e esculturas de diversas tribos africanas (de acordo com os significados que lhes são atribuídos), conhecerem as obras de artistas que foram influenciados pela cultura africana, como Pablo Picasso, assistir DVD'S para discussão deste estilo de dança e conhecer outras manifestações culturais, mostrar através do filme "Kiriku e a feiticeira" um pouco da história, da cultura africana, passando esse conhecimento de forma clara, objetiva e de fácil linguagem, para que os alunos compreendam fatos comuns da vida africana e relacionem com a nossa própria cultura. Na prática será ofertada oficina de dança, desenvolvendo e aprimorando suas possibilidades de movimento, descobrindo novos espaços, novas formas, construção de coreografias e apresentação à comunidade.
Buscar através destas vivências, mudanças de postura e atitudes em relação a conceitos e práticas efetivas de discriminação, preconceito e respeito a as diferenças. Também propiciar a construção de uma consciência crítica e de valores que mudam sua existência para se tornarem seres humanos melhores.
Para finalizar, a intenção é colaborar na construção de uma proposta que pode ser aplicada e vivenciada por outros professores, acerca da experiência adquirida, que sirva também para pensar em atitudes concretas no processo educacional em relação a esta cultura.
6.CRITÉRIOS PARA AVALIAÇÃO
A avaliação acontecerá através da participação dos alunos envolvidos nas atividades propostas no projeto. Atividades como:
- Realiza pesquisas e leituras sobre o tema?
- Produz textos e participa de discussões sobre o tema?
- Demonstra, em suas produções escritas e orais, que reconhece a si e ao outro como partícipe de diferentes grupos sociais, familiares, escolares e comunitários, percebendo as diferenças individuais, estabelecendo relações de anterioridade e posterioridade?
- Consegue expressar, em suas atividades escolares individuais e em grupo, que reconhece a presença de diferentes manifestações culturais no seu cotidiano, estabelecendo relações de anterioridade, posterioridade e simultaneidade?
- Interage corporalmente com os colegas na prática da dança, com atitudes de respeito, superando preconceitos e discriminações referentes ao próprio corpo (biótipos físicos), gênero e etnia?
- Aplica os conhecimentos adquiridos na resolução de desafios corporais surgidos na prática da dança, com apoio do professor e dos colegas?
- Participa das atividades propostas pelo professor no eixo da dança favorecendo a inclusão de todos?
- Identifica a interferência cultural da dança a partir da apreciação?
- Experimenta as possibilidades de movimento e faz uso destes para recriá-los e re-significá-los?
7. DESCRITORES
Os descritores de História escolhidos para a efetivação do projeto são: Identificar as diferentes estruturas familiares existentes na sociedade hoje, percebendo a participação dos integrantes da família nos vários grupos sociais dos quais faz parte; Reconhecer seus direitos e deveres, percebendo que estão presentes nas convenções sociais – familiares, escolares e comunitárias – e em documentos oficiais; Reconhecer o ser humano, como parte integrante da natureza, numa relação de interdependência, compreendendo a importância das questões socioambientais para a sociedade atual; Reconhecer as diferentes manifestações culturais como produção da humanidade nos diferentes tempos e nos diferentes espaços, relacionando-as com o contexto local; Respeitar à diversidade cultural, étnica, religiosa.
Os descritores de Educação Física escolhidos são: Interagir, dentro do ambiente escolar, adotando atitudes de respeito, na tentativa de superar inibições e/ ou atitudes de preconceito/discriminação; Respeitar a diversidade cultural, participando de atividades trazidas pelos colegas; Reconhecer suas possibilidades de movimentação corporal, percebendo-se como único diferente de seus colegas, compreendendo e respeitando as diferenças individuais.
Veja também:

EDUCAÇÃO, RELAÇÕES ÉTNICO-RACIAIS E A LEI 10.639/03

PLANO DE AULA: INFLUÊNCIA DA CULTURA AFRICANA NA NOSSA ALIMENTAÇÃO

PLANO DE AULA: KIT A COR DA CULTURA PARA PROFESSOR

PLANOS DE AULA: CADERNOS DE HISTÓRIA E CULTURA AFRO-BRASILEIRA

PLANO DE AULA - PALAVRAS DE ORIGEM AFRICANA USADAS EM NOSSO VOCABULÁRIO

KIRIKU E A FEITICEIRA

A INFLUÊNCIA AFRICANA NO PROCESSO DE FORMAÇÃO DA CULTURA AFRO-BRASILEIRA

PLANO DE AULA - POR QUE OS HERÓIS NUNCA SÃO NEGROS?

ZUMBI DOS PALMARES

GĘLĘDĘ NA TRADIÇÃO YORUBÁ